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Resumo semanal: Inflação surpreende nos EUA

Confira as principais notícias da semana, segundo a avaliação da equipe econômica do C6 Bank

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Confira as principais notícias da semana (12/2-16/2), segundo a avaliação da equipe econômica do C6 Bank. Leia a íntegra do relatório.

Felipe Salles, head da equipe econômica do C6 Bank, está em pé ao lado do corrimão de uma escada e olhando em direção à câmera
Felipe Salles, Head da Equipe Econômica do C6 Bank.

Internacional

Estados Unidos: inflação acima do esperado

A inflação segue robusta. O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu 0,3% em janeiro frente ao mês anterior, de acordo com o Departamento do Trabalho. O núcleo do índice (exclui alimentos e energia) registrou aumento de 0,4%. Tanto para o índice cheio quanto para o núcleo a expectativa era de crescimento menor. Na composição, a inflação de bens continua benigna e não causa preocupações, mas a inflação de serviços, que representa mais de 70% do núcleo, segue pressionada pelo mercado de trabalho aquecido, que eleva os custos de produção. Em 12 meses, o núcleo do CPI subiu 3,9%, permanecendo bem acima da meta do banco central norte-americano. Outro relatório do Departamento do Trabalho mostrou que o índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) acelerou em janeiro. Nos últimos 12 meses, o núcleo do PPI, que exclui alimentos e energia, acumula alta de 2%, acima do esperado.

Em nossa visão, a comunicação recente de membros do Fed demonstrando cautela, o mercado de trabalho aquecido e índices de inflação subjacente (medida por diversas métricas divulgadas pelo Fed) persistente corroboram nossa expectativa de que o ciclo de corte de juros nos Estados Unidos deve começar no terceiro trimestre deste ano. No entanto, reconhecemos que existem chances de um corte no segundo trimestre caso o núcleo da inflação, medido pelo PCE, venha abaixo do esperado nas próximas divulgações.

A atividade da indústria continua moderada. A produção industrial registrou leve contração de 0,1% em janeiro frente ao mês anterior, segundo dados do Federal Reserve. A produção de manufaturas, excluindo o setor automobilístico, segue fraca. Outra pesquisa, divulgada pelo Departamento de Comércio americano, mostrou queda nas vendas no varejo no mesmo período, com encolhimento de 0,4% ante o mês anterior no núcleo do indicador. A contração ocorre depois de meses seguidos de crescimento.

O setor imobiliário tem apresentado sinais mistos. O núcleo do indicador de permissão para construir teve leve alta em janeiro, segundo dados divulgados pelo Departamento do Comércio. Este indicador costuma antecipar o início de construções, cujo núcleo teve queda no mês. Em outra pesquisa, o índice de confiança das construtoras (NAHB Housing Market Index) subiu 4 pontos em fevereiro, seguindo uma melhora iniciada há dois meses, mas ainda continua bem abaixo do nível pré-pandemia. De modo geral, os preços e as taxas de hipoteca elevados esfriam a atividade do setor.

O índice de otimismo das pequenas empresas, medido pela Federação Nacional de Empresas Independentes (NFIB, na sigla em inglês), diminuiu 2 pontos para 89,9 em janeiro e permanece abaixo do nível pré-pandemia. O índice decepcionou expectativas, que eram de uma melhoria contínua. Segundo a pesquisa, o número de empresas que esperam aumento nas vendas diminuiu e menos empresas planejam contratar funcionários. A inflação e a qualidade do trabalho continuam sendo os principais problemas do setor.

O mercado de trabalho permanece firme. Em relatório semanal, os pedidos iniciais de seguro-desemprego continuam em níveis baixos para padrões históricos, em 212 mil na semana encerrada em 10 de fevereiro, 8 mil abaixo da semana anterior revisada.

Europa: inflação desacelera no Reino Unido

A guerra entre Rússia e Ucrânia se estende e está próxima de completar dois anos. O senado americano aprovou ajuda financeira à Ucrânia de 60 bilhões de dólares. O pacote, no entanto, pode ter dificuldades de ser aprovado na Câmara, de maioria republicana. O conflito segue sem perspectiva de fim próximo.

A produção industrial continua fraca, principalmente na Alemanha. O índice subiu 2,6% em dezembro frente ao mês anterior com ajuste sazonal, segundo o Eurostat. No entanto, o forte aumento se deve ao bom desempenho da Irlanda, que costuma introduzir distorções. Excluindo a Irlanda, a produção industrial cresceu 0,5% no mês. A produção permanece fraca em setores intensivos em energia. Houve redução na produção da Alemanha (-1,6%) e aumento na produção de Itália (1,1%) e França (1,1%).

O emprego segue crescendo em ritmo sólido, apesar da contração na atividade. O aumento foi de 1,3% no 4T23, comparado ao mesmo período de 2022. A taxa de desemprego de dezembro, divulgada anteriormente, segue na mínima histórica de 6,4%.

A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, voltou demonstrar cautela em relação a cortes de juros.  Segundo Lagarde, ainda não há evidências suficientes de que a inflação esteja convergindo para a meta de forma sustentável; a inflação de serviços segue persistente e um corte prematuro dos juros poderia colocar em risco o trabalho já realizado. Em nossa visão, os juros permanecerão elevados por algum tempo.

No Reino Unido, a economia encolheu no 4T23 em relação ao trimestre anterior, de acordo com a primeira estimativa do Escritório Nacional de Estatísticas (ONS, na sigla em inglês). A contração foi de 0,3% no período, depois de resultado negativo também no 3T23. Na composição do índice, houve contração do consumo das famílias e dos gastos do governo, além de queda das exportações líquidas. Os investimentos das empresas, no entanto, permaneceram robustos. Comparado ao 4T22, a economia encolheu 0,2%. No último mês do trimestre, a produção da indústria continuou crescendo em relação a novembro, mas a produção do setor de serviços perdeu força. Houve contração também no setor de construção.

O mercado de trabalho inglês está apertado. Segundo a ONS, nos três meses até dezembro, a taxa de desemprego diminuiu para 3,8%, nível abaixo da média de 2019, seguindo uma tendência de queda. Boa parte do menor desemprego está associada a menor participação na força de trabalho. Os ganhos médios semanais desaceleraram de 6,7% para 5,8% nos três meses até dezembro comparado ao mesmo período do ano anterior. A demanda por trabalhador, indicador de vagas em aberto por desempregado, continua em nível alto, sinalizando mercado ainda aquecido.

O volume de vendas no varejo subiu 3,4% em janeiro em relação ao mês anterior, depois de queda de quase mesma magnitude (-3,3%) em dezembro. O aumento em janeiro ocorreu em quase todos os subcomponentes. No geral, vendas seguem fracas.

A inflação ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) veio abaixo do esperado no Reino Unido. Tanto o índice cheio quanto o núcleo, que exclui alimentos, energia, álcool e tabaco, contraíram em janeiro (sem ajuste sazonal), segundo a ONS, com queda no preço de bens e serviços. No acumulado em doze meses, no entanto, o núcleo da inflação cresceu 4%, mesmo aumento do período anterior, permanecendo bem acima da meta de 2% do Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês). Os preços de serviços continuam sendo os responsáveis por pressionar o índice. Apesar da queda da inflação em janeiro, os sinais de persistência na inflação de serviços e o aperto do mercado de trabalho devem levar o BoE a manter os juros elevados por mais algum tempo.

Commodities: preço de gás natural recua

O conflito entre Israel e o Hamas entrou no quinto mês. Não houve impacto relevante nos mercados globais por enquanto, mas a atenção continua quanto a uma escalada do conflito na região, que é a maior exportadora de petróleo. Durante a semana, negociações para um possível cessar-fogo falharam. A crise geopolítica pode demorar algum tempo.

Ainda no Oriente Médio, os militantes Houthis do Iêmen voltaram a lançar mísseis contra navios no Mar Vermelho, depois de uma pausa de seis dias, seguindo contra-ataques americanos. O preço do frete marítimo, principalmente nas rotas entre China e Europa, segue elevado. Uma intensificação ou continuidade prolongada dos bombardeios pode ter impacto nas cadeias globais de produção, causando pressões inflacionárias em diversas regiões.

O preço do ouro ficou praticamente estável na semana, mas segue quase 10% acima do registrado antes do início do conflito entre Israel e Hamas (6/10).

O preço futuro do petróleo (Brent) teve leve aumento de 1,5% na semana de 8 a 15 de fevereiro, fechando em 82 dólares por barril. Estoques elevados nos EUA ajudaram a conter o avanço do preço.

O preço futuro do gás natural na Europa caiu 10% na semana. Os estoques da commodity no continente europeu estão elevados para esta época do ano e a expectativa é de temperaturas mais amenas nos próximos dias, o que também contribui para preços baixos. Desde o início do conflito entre Rússia e Ucrânia, o preço do gás natural recuou e está 70% abaixo do preço de janeiro de 2022 (pré-guerra).

Os preços futuros das commodities agrícolas na Bolsa de Chicago continuaram recuando na semana. Entre os dias 8 e 15 de fevereiro, os preços do trigo, milho e soja caíram 4%, 3% e 2,5% respectivamente. O menor preço do trigo está relacionado à expectativa de forte produção global este ano.

Brasil

Focus: mudança na projeção para 2025 após 7 meses

As projeções para o IPCA ficaram praticamente estáveis: 2024 foi de 3,81% para 3,82%, 2025 de 3,50% para 3,51% e 2026 seguiu em 3,5%. Vale mencionar que, apesar da magnitude da mudança para 2025 ter sido muito pequena, foi a primeira alteração desde julho do ano passado. Os números esperados para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) não tiveram alterações para 2024 (1,6%) e nem para 2025 (2%). A taxa Selic permaneceu em 9% para 2024 e em 8,5% para 2025 e 2026. As projeções estão no Boletim Focus, relatório do Banco Central que reúne a expectativa das instituições financeiras em relação aos principais indicadores econômicos do país.

Gráfico de linhas sobre projeções focus do IPCA porcentagem ano a ano. Analise das medianas de 2024 e 2024 é feita desde janeiro de 2022 a fevereiro de 2024 em comparação com a meta de inflação para 2024 e 2025, evidenciando projeções que se distanciam da meta

Inflação: IGP-10 surpreende e cai mais que o consenso

A inflação medida pelo IGP-10 caiu 0,65% em fevereiro, abaixo do piso das projeções do mercado. Em 12 meses, o índice está em -3,8%. A composição dos índices de atacado mostrou o IPA agrícola com queda de 2,4%, frente à expansão de 2,2% no mês anterior. O núcleo do IPA industrial – que inclui apenas os itens relacionados à inflação de bens industriais do IPCA, excluindo alimentos, combustíveis e minério de ferro – contraiu 0,2%. Em 12 meses, o IPA agrícola está em -12,8% e o núcleo do IPA industrial em -2,5%.

Gráfico de linha sobre IGP-10 acumulado em 12 meses desde fevereiro de 1996 a fevereiro de 2024

Equipe Econômica C6 Bank

Felipe Salles Head
Claudia Moreno Head Brasil
Claudia Rodrigues Head Internacional
Felipe Mecchi Internacional
Heliezer Jacob Brasil

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