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Resumo semanal: Bancos Centrais sinalizam juros mais elevados

Confira as principais notícias da semana, segundo a avaliação da equipe econômica do C6 Bank

Atualizado em

C6 Bank Felipe Salles. Foto: Germano Lüders

Confira as principais notícias da semana (12/12-16/12), segundo a avaliação da equipe econômica do C6 Bank. Leia a íntegra do relatório.

Internacional

Estados Unidos: juros mais altos e por mais tempo

O Banco Central americano (Federal Reserve – Fed) elevou o intervalo de juros para 4,25% a 4,5% ao ano, subindo a taxa básica em 50 pontos-base, depois de quatro aumentos consecutivos de 75 pontos-base. A decisão foi unânime. O aumento menor nos juros era esperado conforme comunicação anterior de membros do banco. Segundo as expectativas do Comitê de Política Monetária, a taxa de juros deve alcançar um pico de 5,1% em 2023, acima da previsão anterior, e permanecer elevada, acima de 3%, até 2025. A economia deve crescer menos, o desemprego aumentar e a inflação convergir para a meta de 2% ao ano em 2025. O presidente do Fed, Jerome Powell, disse que a magnitude dos próximos aumentos dependerá dos dados e uma redução dos juros não deve acontecer em 2023. Powell reforçou que o aquecimento do mercado de trabalho é o principal entrave para a redução da inflação no momento. As novas projeções do Fed estão em linha com a nossa visão de que os juros permanecerão altos por um período prolongado. Acreditamos que a taxa no fim do ciclo ficará no intervalo entre 5% e 5,25% e que os cortes nos juros virão somente em 2024.

A inflação desacelerou. O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu 0,1% em novembro frente ao mês anterior, de acordo com o Departamento do Trabalho. O núcleo do índice (exclui alimentos e energia) cresceu 0,2% no mesmo período, com queda no preço de bens (-0,5%) e aumento no preço de serviços (0,4%). Preços de serviços continuam sendo pressionados por salários elevados em razão de um mercado de trabalho aquecido (demanda por trabalhador acima da oferta de mão de obra disponível). Em 12 meses, o CPI acumula alta de 7,1% e o núcleo de 6%, ainda bem elevados.

O índice de otimismo das pequenas empresas, medido pela Federação Nacional de Empresas Independentes (NFIB, na sigla em inglês), subiu 0,6 ponto para 91,9 em novembro, permanecendo bem abaixo do nível pré-pandemia. Pressão persistente de preços e um mercado de trabalho aquecido continuam pesando sobre o índice.

As vendas no varejo seguem elevadas. O índice contraiu 0,6% em novembro, frente ao mês anterior, depois de forte aumento em outubro, segundo o Departamento de Comércio. O nível de vendas permanece bem acima da tendência pré-pandemia.

O mercado de trabalho segue forte. Em relatório semanal, os pedidos iniciais de seguro-desemprego continuam em níveis baixos para padrões históricos, em 211 mil na semana encerrada em 10 de dezembro, 20 mil abaixo da semana anterior.

Europa: BCE e BoE indicam mais aumentos de juros à frente

O Banco Central Europeu (BCE) aumentou as taxas de juros em 50 pontos-base, conforme esperado, elevando a taxa de depósito para 2% – maior nível desde 2009. Este foi o quarto aumento consecutivo. Em comunicado, o Banco indicou que os juros devem continuar subindo em ritmo constante e por um período longo para garantir que a inflação retorne à meta. A magnitude dos próximos aumentos continuará dependente dos dados e será decidida a cada reunião. Houve um início de discussão sobre a redução do balanço patrimonial, que deve começar em março de 2023 e ser continuamente reavaliada. A presidente do banco, Christine Lagarde, disse que apesar do menor aumento dos juros este mês, não existe mudança de direção, e que, portanto, os juros continuarão subindo até alcançar nível suficientemente alto para conter a inflação.

O conflito entre Rússia e Ucrânia está no décimo mês. Bombardeios russos continuam com mísseis de longo alcance direcionados principalmente para infraestruturas de energia. Várias regiões da Ucrânia, inclusive a capital, enfrentam apagões prolongados em meio a baixas temperaturas. Ministros de Energia dos países do bloco voltaram a discutir um limite para o preço do gás natural.

Os preços das commodities seguem com alta volatilidade. Entre os dias 9 e 15 de dezembro, o preço do petróleo subiu, mas permanece em torno de US$ 80 por barril, refletindo preocupações com crescimento global. O gás natural diminuiu com estoques elevados no continente europeu.

A produção industrial (excluindo construção) contraiu 2% em outubro frente ao mês anterior, com menor produção nas maiores economias do bloco: Alemanha (-0,9%), França (-2,6%), Itália (-1%) , e Espanha (-0,4%). Setores intensivos em energia (papel, petróleo, produtos químicos e metais) continuam pesando sobre o índice em razão do alto preço de gás e eletricidade, enquanto os demais setores continuam com tendência de alta desde o início do ano.

A atividade contraiu pelo sexto mês consecutivo em dezembro, de acordo com as prévias dos índices de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês). No entanto, o índice veio melhor que o esperado e continuou melhorando em relação ao mês anterior. Houve aumento na produção, menor tempo de entrega e a pressão de preços diminuiu. Tanto o PMI de manufaturas quanto o de serviços surpreenderam positivamente, mas continuam abaixo de 50 pontos. O PMI de serviços subiu 0,6 ponto para 49,1 e o de manufaturas subiu 0,7 ponto, para 47,8. O índice de manufaturas permaneceu em território contracionista pelo sexto mês consecutivo. Houve crescimento no índice composto reportado pela Alemanha (48,9 pontos), enquanto na França o índice diminuiu (48 pontos), com deterioração no setor de serviços.

O Banco Central da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês) elevou a taxa básica de juros em 50 pontos-base, para 3,5%, conforme esperado, levando os juros ao maior nível desde 2008. O aumento foi o nono consecutivo. O BoE reconhece que mais aumentos futuros podem ser necessários para controlar a inflação e um próximo aumento de 50 pontos-base não está descartado. Segundo projeções mais recentes do Comitê de Política Monetária do Banco, a economia do Reino Unido deve ter uma recessão prolongada e pressões inflacionárias devem permanecer fortes no próximo ano. 

China: reabertura continua

O número de casos confirmados de Covid-19 está diminuindo, em torno de 2 mil, mas segue alto, enquanto o número de casos assintomáticos parou de ser reportado.  A Comissão Nacional de Saúde justificou o fim do monitoramento de assintomáticos em razão da perda de confiabilidade da estatística depois de mudanças na política de controle do vírus com o fim da obrigatoriedade da testagem frequente. O número de áreas de risco alto segue elevado, em torno de 6 mil.

A atividade continuou perdendo força em novembro, segundo dados do Escritório Nacional de Estatística (NBS, na sigla em inglês). A produção industrial desacelerou, crescendo 2,2% frente ao mesmo mês do ano anterior, refletindo menores exportações. As vendas no varejo contraíram 5,9%, mais que o esperado, com menor mobilidade interna associada ao surto de Covid-19. A taxa de desemprego urbano aumentou para 5,7%.

O investimento em ativos fixos (FAI, na sigla em inglês) desacelerou para 5,3% nos onze primeiros meses do ano frente ao mesmo período do ano anterior. Os investimentos em infraestrutura e em manufaturas seguem firmes. No entanto, investimentos imobiliários continuam contraindo em razão de dificuldades enfrentadas pelo setor. As vendas de imóveis residenciais tiveram queda de 32,5% no período. O preço médio de casas novas em 70 cidades chinesas continuou cedendo, diminuindo 0,3% em novembro frente ao mês anterior e completando mais de 1 ano de quedas consecutivas do índice. O fluxo de crédito agregado aumentou para RMB 1,9 trilhão em novembro, segundo o Banco Central da China (PBOC, na sigla em inglês), depois de queda expressiva em outubro, ficando abaixo do esperado. Empréstimos às famílias e empresas, e emissão de títulos corporativos seguem fracos. No geral, a demanda por crédito permaneceu baixa, apesar de esforços do governo para estabilizar o crescimento.

Brasil

Focus: projeção de inflação estável para 2024 e juros sem novas elevações

A projeção para o IPCA apresentou queda para 2022 (de 5,92% para 5,79%) e ficou estável tanto para 2023 (em 5,08%) quanto para 2024 (em 3,5%). O número esperado para o Produto Interno Bruto (PIB) permaneceu inalterado tanto para 2022 (em 3,05%) quanto para 2023 (em 0,75%). A taxa Selic ficou estável em 13,75% para o final deste ano, em 11,75% para 2023 e em 8,50% para 2024. As projeções estão no Boletim Focus, relatório do Banco Central que reúne a expectativa das instituições financeiras em relação aos principais indicadores econômicos do país.

Atividade: desaceleração chega aos serviços e setor encolhe em outubro

A Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) de outubro registrou queda de 0,6% no volume de serviços na comparação mensal. O dado veio abaixo das expectativas do mercado e da nossa projeção. O segmento de serviços prestados às famílias – o mais afetado pelas restrições de mobilidade – registrou queda de 1,5% no mês e se encontra 6% abaixo do nível pré-pandemia O resultado de serviços de outubro corrobora nossa visão de perda de ritmo da atividade e seguimos vendo chance de PIB negativo no quarto trimestre de 2022. Para 2023, vemos a economia estagnada. À frente, a alta de juros e a desaceleração global devem comprometer a expansão da atividade até o final do ano que vem.

Inflação: preços no atacado de bens industriais voltam a contrair em dezembro

O IGP-10 registrou alta de 0,36% em dezembro e acumula alta de 6,08% em 12 meses. A composição dos índices de atacado mostrou o IPA agrícola com queda de 0,81% frente à queda de 1,44% no mês anterior. O núcleo do IPA industrial – que inclui apenas os itens relacionados à inflação de bens industriais do IPCA, excluindo alimentos, combustíveis e minério de ferro – voltou a registrar queda (-0,38%) ante alta de 0,02% em novembro. No acumulado em 12 meses, ambos indicadores mostram desaceleração, o núcleo dos bens industriais está em 5,48% e o IPA agrícola em 4,01%. À frente, esperamos que o núcleo do IPA industrial siga desacelerando no acumulado em 12 meses, enquanto o IPA agrícola pode apresentar volatilidade.

Política monetária: ata do Copom enfatiza preocupação com incerteza fiscal

O Banco Central divulgou nesta terça-feira (13) a ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de dezembro. O Comitê foi didático ao esclarecer os diferentes mecanismos pelos quais a política fiscal pode alterar os rumos da política monetária. O Copom enfatizou os “diferentes canais pelos quais a política fiscal pode afetar a inflação não só por meio dos efeitos diretos na demanda agregada, como também via preços de ativos, grau de incerteza na economia, expectativas de inflação e taxa de juros neutra.”

Por fim, “o Comitê julgou que há ainda muita incerteza sobre o cenário fiscal prospectivo e que o momento requer serenidade na avaliação de riscos. O Comitê reforça que seguirá acompanhando os desenvolvimentos futuros da política fiscal e seus potenciais impactos sobre a dinâmica da inflação prospectiva.”

O texto afirmou também que “notou com preocupação” a elevação na média das projeções de inflação para o ano de 2024. Com relação ao hiato do produto, o Comitê “observou uma redução no grau de ociosidade no terceiro trimestre, em função de revisões de dados e divulgações de variáveis domésticas, mas avalia que o hiato deve abrir ao longo do horizonte relevante.” A Selic já está em um patamar suficientemente alto para desacelerar a economia. Na nossa visão, após um período de manutenção dos juros no nível atual, o passo seguinte deve ser de flexibilização da política monetária. Entretanto, a maior incerteza sobre os gastos públicos pode afetar o plano de voo do Copom. O que vemos como mais provável é que o Banco Central mantenha por mais tempo a Selic em 13,75% ao ano. Nosso cenário prevê início da queda da Selic no 3º trimestre, terminando o ano de 2023 em 11,75%.

Equipe Econômica C6 Bank

Felipe Salles Head
Claudia Moreno Head Brasil
Claudia Rodrigues Head Internacional
Felipe Mecchi Internacional
Heliezer Jacob Brasil

Este relatório foi preparado pelo Banco C6 S.A.

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