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Ata do Copom: nossa visão

Leia a íntegra da análise da equipe econômica do C6 Bank

Atualizado em

C6 Bank Felipe Salles Foto: Germano Lüders 04/08/2021

Leia a íntegra da análise da equipe econômica do C6 Bank, liderada pelo economista-chefe Felipe Salles, sobre a ata do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central divulgada nesta terça-feira (27).

Copom abre espaço para início de cortes de juros

O Banco Central divulgou nesta terça-feira (27) a ata das reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) dos dias 20 e 21 de junho, apresentando mais detalhes sobre os rumos da política monetária. Em linhas gerais, acreditamos que a comunicação do Copom é compatível com uma queda de 0,25% na taxa Selic já na reunião de agosto, caso as expectativas de inflação se aproximem um pouco mais das metas.

O Comitê afirmou que “decisões que induzam à reancoragem das expectativas e que elevem a confiança nas metas de inflação contribuiriam para um processo desinflacionário mais célere e menos custoso, permitindo flexibilização monetária”.

A ata destacou a divergência entre os membros do Comitê em relação à sinalização dos próximos passos da condução da política monetária. A “avaliação predominante foi de que a continuação do processo desinflacionário em curso, com consequente impacto sobre as expectativas, pode permitir acumular a confiança necessária para iniciar um processo parcimonioso de inflexão na próxima reunião”.

Vale destacar que o Comitê retirou da ata o trecho em que mencionava que “os dados inflacionários mais recentes corroboram a visão de um processo de desinflação mais lento, em linha com a visão de uma inflação movida por excessos de demanda, em particular no segmento de serviços”. É importante mencionar também que, de acordo com o Copom, “a apresentação e a tramitação do arcabouço fiscal reduziram substancialmente a incerteza em torno do risco fiscal”.

Quanto às projeções do Banco Central, o Comitê aumentou suas estimativas para a taxa de juros real neutra de 4% a.a. para 4,5% a.a.. Dentre os motivos, foram citados uma possível elevação de juros das taxas de juros neutras nas principais economias e a resiliência na atividade brasileira concomitante a um processo desinflacionário lento. Esta mudança tem pouco impacto na sinalização de juros no curto prazo, mas pode significar uma taxa Selic ligeiramente mais elevada ao final do ciclo de corte de juros.

Nosso cenário incorpora uma redução da taxa básica de juros a partir da reunião de setembro, chegando a 12,5% ao final de 2023, mas reconhecemos que as chances de uma flexibilização monetária a partir de agosto são elevadas. Para 2024, a previsão, por ora, é que a Selic recue para 11%, com viés de baixa. Aguardamos a decisão do Conselho Monetário Nacional na quinta-feira (29) para termos mais detalhes sobre os próximos passos da política monetária.

Equipe Econômica C6 Bank

Felipe Salles Head
Claudia Moreno Head Brasil
Claudia Rodrigues Head Internacional
Felipe Mecchi Internacional
Heliezer Jacob Brasil

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