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Copom mantém Selic em 13,75% e dá ênfase ao fiscal

Leia a íntegra da análise da equipe econômica do C6 Bank

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O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central anunciou nesta quarta-feira (7) que a taxa básica de juros continuará em 13,75%

Leia a íntegra da análise da equipe econômica do C6 Bank, liderada pelo economista-chefe, Felipe Salles:

O Banco Central do Brasil (BCB) confirmou as expectativas e manteve a taxa Selic em 13,75% nesta quarta-feira (7). O Comitê afirmou que se “manterá vigilante, avaliando se a estratégia de manutenção da taxa básica de juros por período suficientemente prolongado será capaz de assegurar a convergência da inflação”.

A projeção de inflação do BCB no cenário de referência passou de 5,8% para 6% em 2022, subiu de 4,8% para 5% para 2023 e passou de 2,9% para 3% para 2024. Este cenário supõe trajetória de juros que permanece em 13,75% até o final de 2022, reduz-se para 11,75% ao final de 2023 e para 8,50% ao final de 2024. O Comitê “optou novamente por dar ênfase ao horizonte de seis trimestres à frente, que reflete o horizonte relevante, suaviza os efeitos diretos decorrentes das mudanças tributárias, mas incorpora os seus impactos secundários”. A projeção para este período no modelo do BCB passou de 3,2% para 3,3%.

O destaque deste comunicado foi a ênfase dada ao fiscal. O Copom indicou que “acompanhará com especial atenção os desenvolvimentos futuros da política fiscal e, em particular, seus efeitos nos preços de ativos e expectativas de inflação, com potenciais impactos sobre a dinâmica da inflação prospectiva.”

Mais uma vez, o Comitê afirmou que “irá perseverar até que se consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas.” De fato, as projeções da Pesquisa Focus encontram-se acima das metas em 2022 (5,9% versus 3,5%), 2023 (5,1% versus 3,25%) e 2024 (3,5% versus 3%). O Comitê reforçou “que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados e não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso o processo de desinflação não transcorra como esperado.” Ou seja, o Comitê manteve a porta aberta para voltar a subir juros, caso necessário. 

A Selic já está em um patamar suficientemente alto para desacelerar a economia. Na nossa visão, após um período de manutenção dos juros no nível atual, o passo seguinte deve ser de flexibilização da política monetária. Entretanto, a maior incerteza sobre os gastos públicos pode sim afetar o plano de voo do Copom. O que vemos como mais provável é que o Banco Central mantenha por mais tempo a Selic em 13,75% ao ano, adiando, portanto, o ciclo de redução de juros. Aguardamos a ata da reunião, que será divulgada na próxima terça-feira (13), para termos mais detalhes sobre os rumos futuros da política monetária.    

Equipe Econômica C6 Bank:

Felipe Salles Head
Claudia Moreno Head Brasil
Claudia Rodrigues Head Internacional
Felipe Mecchi Internacional
Heliezer Jacob Brasil

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