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Copom muda discurso, mas não sinaliza corte de juros

Leia a íntegra da análise da equipe econômica do C6 Bank

Atualizado em

C6 Bank Felipe Salles. Foto: Germano Lüders

O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central anunciou nesta quarta-feira (21) que a taxa básica de juros continuará em 13,75%

Leia a íntegra da análise da equipe econômica do C6 Bank, liderada pelo economista-chefe, Felipe Salles:

O Banco Central do Brasil (BCB) confirmou as expectativas e manteve a taxa Selic em 13,75% nesta quarta-feira (21). O Comitê afirmou que a “conjuntura atual, caracterizada por um estágio do processo desinflacionário que tende a ser mais lento e por expectativas de inflação desancoradas, segue demandando cautela e parcimônia”.

A projeção de inflação do BCB no cenário de referência passou de 5,8% para 5% para 2023 e de 3,6% para 3,4% para 2024. Este cenário supõe trajetória de juros que diminui de 13,75% para 12,25% até o final de 2023, para 9,5% ao final de 2024 e para 9% ao final de 2025. Ou seja, as projeções de inflação do Banco Central registraram queda, mas seguem acima da inflação para o ano de 2024, horizonte para o qual o Comitê dá ênfase nesta reunião. Vale notar que o Comitê não divulgou as projeções em seu cenário alternativo, aquele que considerava taxa Selic estável em todo horizonte relevante. Na nossa visão, essa retirada busca sinalizar que este não é mais um cenário considerado pertinente na decisão de política monetária.

O Comitê afirmou que “avalia que a estratégia de manutenção da taxa básica de juros por período prolongado tem se mostrado adequada para assegurar a convergência da inflação”. O comunicado segue reiterando que “irá perseverar até que se consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas.” De fato, as projeções da Pesquisa Focus encontram-se acima das metas em 2023 (5% versus 3,25%), 2024 (4% versus 3%) e 2025 (3,8% versus 3%).

Por fim, o comunicado relembra que “os passos futuros da política monetária dependerão da evolução da dinâmica inflacionária, em especial dos componentes mais sensíveis à política monetária e à atividade econômica, das expectativas de inflação, em particular as de maior prazo, de suas projeções de inflação, do hiato do produto e do balanço de riscos.”

A comunicação do Banco Central e o cenário prospectivo para a inflação sugerem, por ora, manutenção da taxa Selic nos patamares atuais. Na nossa visão, o Banco Central quer ver melhoras adicionais nas expectativas de inflação e em seus próprios modelos de projeção de inflação.

Na próxima semana haverá reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN) para decidir a meta de inflação de 2026. Nessa ocasião, o conselho pode alterar também a meta de 2025 de maneira a suavizar a atuação da política monetária ou alongar o horizonte relevante de política monetária. Uma mudança nesse sentido poderia abrir espaço para uma queda da Selic já na reunião de agosto.

Por ora, mantemos nosso cenário de início de ciclo de corte de juros em setembro. Projetamos Selic em 12,5% ao final de 2023 e 11% ao final de 2024. Aguardamos a ata da reunião, que será divulgada na próxima terça-feira (27), para termos mais detalhes sobre os rumos futuros da política monetária.

Equipe Econômica C6 Bank:

Felipe Salles Head
Claudia Moreno Head Brasil
Claudia Rodrigues Head Internacional
Felipe Mecchi Internacional
Heliezer Jacob Brasil

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