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Resumo semanal: Copom reafirma compromisso com a meta do CMN

Confira as principais notícias da semana, segundo a avaliação da equipe econômica do C6 Bank

Atualizado em

C6 Bank Felipe Salles. Foto: Germano Lüders

Confira as principais notícias da semana (6/2-10/2), segundo a avaliação da equipe econômica do C6 Bank. Leia a íntegra do relatório.

Internacional

Estados Unidos: mercado de trabalho sem sinais de desaquecimento

O mercado de trabalho continua forte. Os pedidos iniciais de seguro-desemprego continuam em níveis baixos para padrões históricos, em 196 mil na semana encerrada em 4 de fevereiro, 13 mil acima da semana anterior.

A confiança do consumidor subiu 1,5 ponto para 66,4 em fevereiro, conforme relatório da Universidade de Michigan. Apesar da melhora, o índice permanece bem abaixo da média de 2018-2019, depois de alcançar mínima histórica em junho de 2022. A expectativa de inflação de 5 a 10 anos, divulgada pela mesma pesquisa, se manteve em 2,9%.

Europa: PIB baixo no Reino Unido

O conflito entre Rússia e Ucrânia está próximo de completar um ano. A expectativa do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, é que ataques russos sejam intensificados com o simbolismo da data. Explosões foram ouvidas em Kiev. Drones atacam o centro-sul, mirando infraestruturas de energia e outras. Tropas russas seguem avançando em áreas, principalmente no leste da Ucrânia. Zelensky, em viagem pela Europa, se reuniu com o primeiro-ministro britânico e com chefes de Estado da França e Alemanha em busca de mais apoio. O presidente ucraniano também participou de reunião com líderes da União Europeia. Alemanha, Holanda e Dinamarca anunciaram o envio de mais tanques de guerra, que devem chegar à Ucrânia nos próximos meses.

Preços das commodities energéticas seguem voláteis. Entre os dias 3 e 9 de fevereiro, o preço do petróleo aumentou 6% e está girando em 85 dólares por barril (Brent). A Rússia disse que cortará sua produção em 500 mil barris por dia (5% da produção de janeiro) no próximo mês, como retaliação às sanções do ocidente.  A Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (OPEP+) sugeriu que não deve aumentar sua produção para compensar a menor produção russa. O preço do gás natural caiu 9% no mesmo período, com temperatura mais amena na Europa. Os estoques da commodity no continente europeu permanecem elevados. No fechamento de quinta-feira, o preço do gás natural estava 40% abaixo da média de janeiro de 2022 (pré-guerra), o que continua sinalizando perspectivas melhores de crescimento na região.

A inflação ao consumidor desacelerou na Alemanha pelo terceiro mês consecutivo. O índice (CPI, na sigla em inglês) subiu 9,2% nos últimos doze meses até janeiro, segundo a divulgação do escritório de estatísticas alemão. Apesar da desaceleração, o dado veio acima do esperado pelo Eurostat, que usou sua estimativa para o cálculo da inflação da zona do euro. Com a divulgação oficial alemã, a expectativa é de uma revisão do CPI europeu de 8,5% para 8,6%, na segunda leitura do dado.

As vendas no varejo voltaram a cair. O índice contraiu 2,7% em dezembro frente ao mês anterior, depois de leve recuperação em novembro. A tendência tem sido de queda nas vendas no varejo, refletindo uma volta ao consumo de serviços com o fim das restrições associadas à pandemia no início do ano e com o maior aumento do preço de energia, o que pressionou a inflação. A queda em vendas foi disseminada entre vários setores e países.

No Reino Unido, a economia ficou estável no 4T22 em relação ao trimestre anterior, com ajuste sazonal, depois de encolhimento no 3T22, de acordo com a primeira estimativa do Escritório Nacional de Estatísticas (ONS, na sigla em inglês). Com o dado de hoje, o país evitou uma recessão técnica (dois trimestres consecutivos de crescimento negativo), mas é o único do G7 com PIB abaixo do nível pré-pandemia. Na composição do indicador, houve leve melhora no consumo privado e aumento maior nos investimentos. No mês de dezembro, a atividade encolheu 0,5% frente ao mês anterior, com contração maior no setor de serviços (-0,8%). A queda em dezembro sinaliza uma piora do desempenho da economia no fim do 4T em meio ao custo de vida elevado. Greves que ocorreram no fim do ano também tiveram impacto sobre atividade, principalmente nos setores de transporte, saúde e educação.

China: pandemia vai ficando para trás

O número de casos de Covid-19 diminuiu e segue abaixo do pico alcançado em dezembro de 2022, segundo o Ministério da Saúde chinês. A expectativa de aumento de casos durante o Ano Novo Lunar não se confirmou apesar do aumento da mobilidade no período. Dados de alta frequência mostram aumento em congestionamentos e no uso de metrô. Fronteiras da China com Hong Kong e Macau foram reabertas esta semana. A possibilidade de terem surgido novas variantes durante o último surto do vírus é baixa, segundo estudo de cientista chinês publicado no Jornal Lancet.

O fluxo de crédito agregado aumentou para RMB 5,9 trilhões em janeiro, segundo o Banco Central da China (PBOC, na sigla em inglês), ficando pouco acima do esperado. Empréstimos a empresas foram os que mais subiram e empréstimos às famílias continuaram fracos, refletindo baixa demanda por imóveis. A emissão de títulos corporativos e de títulos públicos subiu moderadamente.

A inflação segue baixa. O índice de preços ao consumidor (CPI) subiu 2,1% em janeiro frente ao mesmo mês do ano anterior, segundo o Escritório Nacional de Estatísticas chinês (NBS, na sigla em inglês), refletindo aceleração nos preços de alimentos. O núcleo do índice (que exclui alimentos e energia) continuou baixo em meio a reabertura. O índice de preços ao produtor (PPI) teve queda de 0,8% no mesmo período, a quarta consecutiva, refletindo menor preço de energia no mercado internacional.

Brasil

Focus: expectativas de inflação seguem acima da meta no longo prazo

A projeção para o IPCA apresentou alta para 2023 (de 5,74% para 5,78%) e para 2024 (de 3,9% para 3,93%), enquanto permaneceu estável para 2025 (em 3,5%) e 2026 (3,5%). Os números esperados para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) permaneceram praticamente inalterados para 2023 (de 0,8% para 0,79%) e ficaram estáveis para 2024 (em 1,5%). A taxa Selic permaneceu em 12,5% para 2023 e subiu tanto para 2024 (de 9,5% para 9,75%) quanto para 2025 (de 8,5% para 9%). As projeções estão no Boletim Focus, relatório do Banco Central que reúne a expectativa das instituições financeiras em relação aos principais indicadores econômicos do país.

Atividade: dados indicam PIB negativo no 4º trimestre de 2022

A Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) de dezembro mostrou expansão de 0,4% frente ao mês anterior no volume de vendas no comércio varejista ampliado, resultado abaixo do que nós projetávamos. A composição do indicador mostra que os segmentos sensíveis ao crédito registraram expansão de 1,4%, enquanto aqueles mais sensíveis à renda contraíram (1,5%). No ano de 2022, este segmento encolheu 0,6% após resultado positivo em 2021 de 4,5%.

A Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) de dezembro mostrou forte expansão do volume de serviços na comparação mensal. O dado veio acima do teto das expectativas do mercado e da nossa projeção. O segmento de serviços prestados às famílias – o mais afetado pelas restrições de mobilidade – registrou alta de 2,4% no mês. O setor de serviços cresceu 8,3% no ano passado em relação a 2021.

Os resultados de dezembro, apesar de positivos, não alteram nossa visão de perda de ritmo da atividade à frente. No caso da PMC, esperávamos uma expansão maior no mês. No caso da PMS, as surpresas em relação às nossas projeções vieram em setores com menor impacto no PIB. Seguimos vendo chance de um PIB negativo no quarto trimestre de 2022. À frente, a alta de juros e a desaceleração global devem comprometer a expansão da atividade até o final do ano que vem. Projetamos alta de 3% para o PIB de 2022, de 1% para 2023 e de 0,5% para 2024.

Inflação: IPCA de janeiro corrobora visão de desinflação lenta

A inflação medida pelo IGP-DI subiu 0,06% em janeiro, abaixo da mediana das projeções do mercado de 0,29%. A composição dos índices de atacado mostrou o IPA agrícola com deflação de 0,56% frente à queda de 0,31% no mês anterior. O núcleo do IPA industrial – que inclui apenas os itens relacionados à inflação de bens industriais do IPCA, excluindo alimentos, combustíveis e minério de ferro – registrou leve alta de 0,04% após 5 meses de deflação.

O IPCA de janeiro registrou alta de 0,53% – praticamente em linha com o que nós (0,55%) e o mercado (0,56%) esperávamos. A maior surpresa em relação a nossa projeção foi concentrada em itens com preços administrados. O IPCA acumula alta em 12 meses de 5,8% e mostra desaceleração. A inflação de serviços ficou em 7,8% e já dá sinais incipientes de moderação. A inflação de bens industriais registrou alta no mês, mas mostra clara tendência de queda nos últimos meses e deve seguir recuando à frente. Projetamos IPCA de 5,8% para 2023 e de 5% para 2024. A inflação de preços livres deve continuar desacelerando a passos lentos.

Política monetária: ata do Copom dá ênfase ao papel das expectativas

O Banco Central divulgou nesta terça-feira (7) a ata das reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) dos dias 31 de janeiro e 1 de fevereiro. O Comitê continuou dando ênfase à elevação das expectativas de inflação, em especial as de prazos mais longos. Nesse sentido, ele afirmou que “dentre os fatores preponderantes para a elevação das projeções, destaca-se principalmente a elevação das expectativas de inflação da pesquisa Focus”. Além disso, conforme sinalizado no comunicado da semana passada, o texto reiterou que “as projeções condicionais às hipóteses do cenário de referência não demonstram convergência para a meta no horizonte relevante de política monetária, mas a introdução de um aperto monetário mais prolongado, tal como em seu cenário alternativo, gera impacto relevante sobre as projeções em direção à convergência às metas.” Com isso, ele sugere que a Selic deve ficar estável em 13,75% até 2024.

Além disso, o Comitê discutiu os possíveis motivos para a elevação das expectativas de inflação: leniência do Banco Central, política fiscal expansionista e/ou alteração das metas para inflação e concluiu que “mais importante do que a análise das motivações para a elevação das expectativas, o Comitê enfatiza que irá atuar para garantir que a inflação convirja para as metas.”

Sobre o cenário fiscal, o Comitê discutiu os impactos sobre a inflação e afirmou que “alguns membros notaram que a execução do pacote apresentado pelo Ministério da Fazenda deveria atenuar o risco fiscal e que será importante acompanhar os desafios na sua implementação”. O Comitê ponderou que “manteve sua governança usual de incorporar as políticas já aprovadas em lei, mas reconhece que a execução de tal pacote atenuaria os estímulos fiscais sobre a demanda, reduzindo o risco de alta sobre a inflação”.

Em suma, o comunicado reafirmou que irá perseguir as metas estipuladas pelo Conselho Monetário Nacional e sugeriu que, no plano de voo atual, o Banco Central deverá manter a Selic estável em 13,75% ao ano até 2024, adiando, portanto, o início do ciclo de redução da taxa de juros.

Equipe Econômica C6 Bank

Felipe Salles Head
Claudia Moreno Head Brasil
Claudia Rodrigues Head Internacional
Felipe Mecchi Internacional
Heliezer Jacob Brasil

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