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Resumo semanal – EUA: mercado de trabalho desacelera, mas segue aquecido

Confira as principais notícias da semana, segundo a avaliação da equipe econômica do C6 Bank

Atualizado em

Confira as principais notícias da semana (4/3-8/3), segundo a avaliação da equipe econômica do C6 Bank. Leia a íntegra do relatório.

Felipe sales, head da equipe econômica do C6 Bank, em pé e com as mãos na cintura.

Internacional

Estados Unidos: mercado de trabalho desaquece lentamente

O mercado de trabalho continua robusto. O Departamento de Trabalho publicou dados referentes ao mês de fevereiro. De acordo com o Establishment Survey, houve criação de 275 mil empregos no período, um número elevado, mas abaixo do esperado se considerarmos a revisão para baixo do mês anterior. O ganho médio por hora trabalhada desacelerou, mas segue forte, acumulando alta de 4,3% nos 12 meses até fevereiro. O Household Survey mostrou que a taxa de desemprego subiu para 3,9%, ainda baixa para padrões históricos. Outro relatório do Departamento de Trabalho, o Jolts, mostrou leve redução do número de vagas de emprego em aberto no mês de janeiro. A proporção de vagas disponíveis por desempregado se mantém elevada em 1,4. Em relatório semanal, os pedidos iniciais de seguro-desemprego continuam em níveis baixos para padrões históricos, em 217 mil na semana encerrada em 2 de março, 2 mil acima da semana anterior revisada. No geral, os dados indicam uma leve desaceleração do mercado de trabalho.

O setor de serviços segue em expansão. O índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) do Instituto ISM registrou leve redução de 0,8 ponto para 52,6 em fevereiro, sinalizando uma expansão mais moderada. O subíndice de demanda subiu, sinalizando crescimento do consumo, mas o indicador de emprego reduziu e sinaliza contração. Preços pagos recuaram, mas seguem mostrando pressão inflacionária.

A atividade na indústria continua fraca e desapontou em fevereiro. Depois de dois aumentos seguidos, a expectativa era que o desempenho do setor continuasse progredindo. No entanto, o índice de gerentes de compras do setor de manufaturas (PMI, na sigla em inglês) do Instituto ISM diminuiu 1,3 ponto em fevereiro frente ao mês anterior para 47,8, permanecendo abaixo de 50 (o que indica contração do setor) por 16 meses seguidos. Na composição, houve queda na demanda, produção e emprego. O tempo de entrega de mercadorias permaneceu baixo para padrões históricos, sugerindo que não há gargalos na cadeia de produção. Preços pagos seguem elevados.

O presidente do banco central americano (Federal Reserve – Fed), Jerome Powell, em testemunho semestral ao Congresso, reiterou que membros do comitê de política monetária precisam ganhar mais confiança de que a inflação está desacelerando em direção à meta de forma sustentável antes de cortar juros – reforçando mensagem anterior de que cortes de juros são improváveis em março. Powell acrescentou, no entanto, que deve ser apropriado um início de corte de juros ainda este ano. Em nossa visão o ciclo de cortes de juros deve começar no terceiro trimestre, com riscos simétricos: pode ocorrer no 2T, caso a inflação apresente um comportamento mais benigno, ou depois do 3T, caso a inflação se mantenha resiliente.

Europa: BCE sinaliza possível corte de juros em junho

A guerra entre Rússia e Ucrânia completou dois anos. O conflito segue sem perspectiva de fim próximo.

Os preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) diminuíram 0,9% em janeiro frente ao mês anterior, terceira queda consecutiva, de acordo com dados do Eurostat. Em 12 meses, o PPI apresenta deflação de 8,6%, o que deve continuar ajudando a diminuir a pressão sobre os preços ao consumidor.

As vendas no varejo continuaram baixas em janeiro, subiram 0,1% frente ao mês anterior depois de queda de 0,6% em dezembro, segundo dados revisados do Eurostat. O dado veio pouco abaixo do esperado e segue abaixo da tendência pré-pandemia.

O Banco Central Europeu (BCE) manteve as taxas de juros inalteradas, conforme esperado. Esta foi a quarta pausa seguida, depois de dez aumentos de juros desde meados de 2022. A taxa de depósito permaneceu em 4% ao ano – pico da série histórica. Em comunicado, o Banco reconheceu uma desaceleração da inflação em razão principalmente do menor preço de energia, mas alertou que os salários mais elevados devem continuar pressionando preços. No documento divulgado pela instituição foi mantido que a política monetária deve continuar restritiva por tempo suficientemente longo para contribuir com o objetivo de levar a inflação à meta. Segundo projeções internas, a inflação deve alcançar a meta em 2025. A presidente do BCE, Christine Lagarde, reforçou que as decisões continuarão dependentes de dados e que o comitê precisa ganhar mais confiança que a inflação alcançará a meta no médio prazo antes de cortar juros. Lagarde sinalizou um possível início de corte em junho, a depender dos dados, indicando que a pausa continua na reunião de abril em razão da insuficiência de informação.

China: metas econômicas em linha com esperado

Esta semana ocorreu o Congresso Nacional do Povo (NPC, na sigla em inglês), evento anual que estabelece o plano de governo e define os objetivos da política econômica para o ano. O primeiro-ministro, Li Qiang, apresentou as metas, que vieram em linha com o esperado. A meta para o crescimento do PIB segue de “em torno de 5%”, a mesma do ano passado. Para o orçamento fiscal, o déficit deve ser de 3% do PIB acrescentada de emissão de títulos especiais do governo central, como no ano anterior. A meta de inflação também permanece em 3%.

Autoridades reiteraram postura de apoio a economia. O presidente do banco central chinês reforçou que ainda há espaço para corte do compulsório bancário, medida que amplia liquidez, diminuindo o custo do crédito. Em relação ao setor imobiliário, não houve anúncio de novas medidas de alívio. As mensagens vieram em linha com o esperado. Em nossa visão, a China continuará tendo dificuldades de crescer em razão de problemas estruturais, como envelhecimento da população, endividamento elevado de governos locais e enfraquecimento do setor imobiliário. O governo deve continuar com medidas de apoio à economia, mas sem grandes estímulos.

A balança comercial teve superávit de 125,2 bilhões de dólares em janeiro-fevereiro, maior que o esperado e que o registrado no mês anterior. Houve aumento significativo das exportações (7,1%) comparadas ao mesmo período do ano passado e aumento das importações (3,5%). Considerando os principais destinos, as exportações tiveram forte aumento para União Europeia e Estados Unidos, e aumentaram também para países na Ásia, América Latina e África. As importações das principais commodities continuaram sólidas. Ao longo do ano, as exportações tiveram bom desempenho devido à diversificação de produtos e destinos – que incluíram Ásia Emergente, América Latina, Rússia e África.

Commodities: preço do ouro alcança nível recorde

O conflito entre Israel e o Hamas completou cinco meses. Não houve impacto relevante nos mercados globais por enquanto, mas a atenção continua quanto a uma escalada do conflito na região, que é a maior exportadora de petróleo. A crise geopolítica pode demorar algum tempo.

Ainda no Oriente Médio, os militantes Houthis do Iêmen seguem com planos de ataques a navios comerciais no Mar Vermelho. Os Estados Unidos e aliados têm contra-atacado. O preço do frete marítimo, principalmente nas rotas entre China e Europa, segue elevado. Uma intensificação ou continuidade prolongada dos bombardeios pode ter impacto nas cadeias globais de produção, causando pressões inflacionárias em diversas regiões.

O preço do ouro subiu 6% na semana, alcançando novo recorde. O preço está 18% acima do registrado antes do início do conflito entre Israel e Hamas (6/10).

O preço futuro do petróleo (Brent) ficou estável na semana de 29 de fevereiro a 7 de março, fechando em 83 dólares por barril. Os preços refletem uma expectativa que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados estendam o corte de produção em vigor para o 2T. Uma decisão deve ser anunciada este mês.

O preço futuro do gás natural na Europa teve leve aumento na semana. No geral, os preços seguem baixos, em razão dos estoques que continuam elevados na região, nível recorde para esta época do ano. Desde o início do conflito entre Rússia e Ucrânia, o preço do gás natural recuou e está 70% abaixo do preço de janeiro de 2022 (pré-guerra).

Os preços futuros das commodities agrícolas na Bolsa de Chicago apresentaram pouca oscilação na semana. Entre os dias 29 de fevereiro e 7 de março, o preço do trigo teve leve queda de 1%, enquanto o preço da soja e do milho tiveram o mesmo aumento, de 2,5%. Desde dezembro do ano passado, o preço do trigo tem ficado praticamente estável, enquanto os preços da soja e do milho recuaram 11% e 10%, respectivamente.

Brasil

Focus: inflação menor em 2024

As projeções para o IPCA apresentaram leve queda para 2024 (de 3,8% para 3,76%) e permaneceram estáveis para 2025 (3,51%) e para 2026 (3,5%). O número esperado para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) teve pequena alteração para 2024 (de 1,75%% para 1,77%) e ficou estável para 2025 (2%). A taxa Selic permaneceu em 9% para 2024 e em 8,5% para 2025 e 2026. As projeções estão no Boletim Focus, relatório do Banco Central que reúne a expectativa das instituições financeiras em relação aos principais indicadores econômicos do país.

Gráfico de linhas sobre projeções focus do IPCA porcentagem ano a ano. Analise das medianas de 2024 feita desde janeiro de 2022 a março de 2024 em comparação com a meta de inflação para 2024 e 2025, evidenciando projeções que se distanciam da meta.

Atividade: dado fraco de produção industrial

A produção industrial de janeiro registrou queda de 1,6% frente ao mês anterior. O resultado veio em linha com as projeções do mercado. A queda foi impulsionada pela indústria extrativa, que contraiu 6,2%, enquanto a indústria de transformação caiu 0,3%. O segmento de bens de capital – categoria ligada a investimentos em máquinas e equipamentos – expandiu 5,2%. Para 2024, nossa expectativa é que a indústria feche o ano próxima da estabilidade. A política monetária ainda apertada e a desaceleração global contribuem para esta tendência. Projetamos crescimento do PIB de 2,2% para 2024 e de 1,5% para 2025.

Gráfico de linhas sobre produção industrial com ajuste sazonal de janeiro de 2022=100. Analise das produções extrativa e transformação.

Inflação: IGP-DI segue em território negativo

A inflação medida pelo IGP-DI apontou queda de 0,41% em fevereiro, abaixo da mediana das projeções do mercado (-0,35%). Em 12 meses, o índice registra contração de 4%. O IPA agrícola acumula queda de 13,3% e o núcleo do IPA industrial retração de 2,16%. No mês, a composição dos índices de atacado mostrou o IPA agrícola com queda de 1%. O núcleo do IPA industrial – que inclui apenas os itens relacionados à inflação de bens industriais do IPCA, excluindo alimentos, combustíveis e minério de ferro – ficou estável.

Gráfico de linhas sobre IGP-DI no acumulado em 12 meses, evidenciando a queda nos últimos 12 meses. Analise de fevereiro 1996 a fevereiro de 2024.

Setor externo: saldo de janeiro corrobora cenário de melhora nas transações correntes

A conta corrente registrou déficit de US$ 5,1 bilhões no mês de janeiro. Considerando o dado com nosso ajuste sazonal, houve leve déficit de US$ 0,1 bilhão. O saldo foi positivo na balança comercial, porém negativo em serviços e rendas. No acumulado em 12 meses, o saldo de transações correntes está em -1,1% do PIB (US$ -24,7 bi), contra -1,3% no mês anterior. O Investimento Estrangeiro Direto (IED) veio positivo em US$ 8,7 bilhões. Para 2024, projetamos déficit de US$ 4 bilhões e para 2025 um saldo positivo de US$ 7 bilhões para as transações correntes.

Fiscal: déficit do setor público ainda elevado

O setor público consolidado apresentou um superávit primário de R$ 102,1 bilhões em janeiro. No acumulado em 12 meses, o resultado consolidado está negativo em R$ 246 bilhões, o equivalente a 2,25% do PIB. A dívida líquida passou de 60,8% para 60% e a dívida bruta de 74,3% para 75%. Projetamos, por ora, déficit do setor público consolidado de 0,7% do PIB tanto para 2024 quanto para 2025.

Equipe Econômica C6 Bank

Felipe Salles Head
Claudia Moreno Head Brasil
Claudia Rodrigues Head Internacional
Felipe Mecchi Internacional
Heliezer Jacob Brasil

Este relatório foi preparado pelo Banco C6 S.A.

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