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Resumo semanal: Expectativas de inflação mais altas

Confira as principais notícias da semana, segundo a avaliação da equipe econômica do C6 Bank

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Confira as principais notícias da semana (26/12-30/12), segundo a avaliação da equipe econômica do C6 Bank. Leia a íntegra do relatório.

Internacional

Estados Unidos: setor imobiliário segue em contração

O setor imobiliário continua em queda livre, sentindo os efeitos da política monetária mais restritiva do Banco Central americano.  As vendas pendentes de casas contraíram 4% em novembro frente ao mês anterior, segundo a Associação Nacional de Corretores de Imóveis (NAR, na sigla em inglês), sinalizando que a venda de casas usadas deve continuar diminuindo nos próximos meses. Os preços de casas ficaram estáveis em outubro, segundo a Agência Federal de Financiamento da Habitação (FHFA, na sigla em inglês), depois do leve aumento no mês anterior. No ano, o índice acumula alta de 9,8%, ainda elevado, mas em desaceleração desde abril. A contínua retração do setor ajuda a reduzir preços de venda de imóveis, que tem efeito defasado sobre os aluguéis, componente importante dos índices de inflação. Menores preços de aluguéis devem contribuir para desacelerar a inflação em 2023.

Os indicadores regionais de atividade industrial do Federal Reserve (Fed) de Dallas e Richmond vieram com sinais mistos no mês de dezembro. O índice de Dallas diminuiu e continuou sinalizando contração, enquanto o de Richmond melhorou na margem. Ambos os indicadores apresentaram melhora na produção e na demanda, enquanto o emprego permaneceu forte e salários em alta.

O mercado de trabalho segue firme. Em relatório semanal, os pedidos iniciais de seguro-desemprego continuam em níveis baixos para padrões históricos, em 225 mil na semana encerrada em 24 de dezembro, 9 mil acima da semana anterior. O mercado de trabalho aquecido é o que mantém o Fed ainda em alerta com o objetivo de levar a inflação para a meta.

Europa: preço do gás continua em queda

O conflito entre Rússia e Ucrânia entrou no décimo primeiro mês. Mísseis foram lançados intensamente esta semana, alcançando cidades grandes, como a capital, Kiev, e Lviv, no oeste do país. Ofensivas também continuam no leste e sul, com ataques de drones principalmente em infraestrutura de energia. Várias regiões da Ucrânia, inclusive a capital, enfrentam apagões prolongados em meio a baixas temperaturas. A Rússia eliminou a possibilidade de negociações sobre o fim da guerra, salvo com a rendição da Ucrânia e o reconhecimento da perda de áreas anexadas pelo país. A Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas registrou 17.831 vítimas civis na Ucrânia desde o início da guerra até 26/dez. Foram 6.884 mortos e 10.947 feridos.

Os preços das commodities de energia seguem com alta volatilidade. Entre os dias 23 e 28 de dezembro, houve baixa negociação (período entre feriados). O preço do petróleo diminuiu, em meio a preocupações com aumento de casos de Covid-19 na China e possível surgimento de nova variante. O gás natural também seguiu tendência de queda e contraiu mais 2% no período, com estoques elevados no continente europeu e temperatura amena em várias regiões da Europa. O preço da commodity está 4,5% abaixo da média de janeiro 2022 (pré-guerra). A maior disponibilidade de gás no continente europeu tem diminuído os riscos de uma recessão profunda e duradoura na região.

Japão: BoJ mantém estímulos

A moeda se desvalorizou frente ao dólar depois da divulgação do resumo da reunião de política monetária do Banco Central do Japão (BoJ, na sigla em inglês), realizada este mês. Comentários de membros do banco sinalizaram uma continuação dos estímulos e justificaram a decisão de aumento do intervalo de flutuação no rendimento de títulos públicos de 10 anos como importante para tornar os estímulos sustentáveis. Na semana passada, o iene se valorizou após a decisão do Banco, com o entendimento de economistas que teria sido um passo em direção a normalização da política monetária. Esta semana, o Banco realizou mais compras não-programadas de títulos públicos, em linha com sua mensagem de alívio monetário.

China: fim da quarentena

A Comissão Nacional de Saúde (NHC, na sigla em inglês) reduziu significativamente as medidas de controle e prevenção sobre a Covid-19, dando mais um passo em direção à reabertura. A partir de 8 de janeiro, a infecção deixa de ser de mais alto nível de risco e passa a ser de risco intermediário. Casos não exigirão mais isolamento e áreas de risco deixarão de existir. O controle de quarentena sobre indivíduos e bens que entram no país terminará – passageiros só precisarão apresentar resultado de teste negativo realizado até 48 horas antes da saída do país de origem, sem necessidade de isolamento de 8 dias como ainda acontece. As mudanças foram justificadas pela Comissão em razão do enfraquecimento do vírus e da maioria da população estar vacinada. No início da semana, o NHC parou de reportar o número de casos diários confirmados, o que acontecia desde janeiro de 2020, mas dados de províncias mostram aumento expressivo de infecções. A própria Comissão estima que casos chegaram a 37 milhões em um único dia na semana passada. Especialistas preveem pico em janeiro de 2023.

A redução no controle do vírus na China tem aumentado a preocupação com o possível surgimento de novas variantes. Um grupo crescente de países, que inclui Estados Unidos, Japão e Itália, anunciou exigência de resultado de teste negativo de passageiros vindos da China. O avanço em direção à reabertura completa do país tem pesado sobre a população e a atividade local. A expectativa é de atividade fraca no curto prazo e recuperação em 2023.

O lucro da indústria contraiu 3,6% de janeiro a novembro frente ao mesmo período do ano anterior, de acordo com o Escritório Nacional de Estatística. O resultado reflete queda no lucro de manufaturas e moderação nos resultados de setores de mineração e produção de matérias-primas.

Brasil

Focus: alta para o IPCA de 2024 e 2025

A projeção para o IPCA apresentou queda para 2022 (de 5,76% para 5,64%) e alta para 2023 (de 5,17% para 5,23%), para 2024 (de 3,5% para 3,6%) e para 2025 (de 3,1% para 3,2%). O número esperado para o Produto Interno Bruto (PIB) permaneceu praticamente inalterado para 2022 (de 3,05% para 3,04%), permaneceu estável para 2023 (em 0,79%) e caiu para 2024 (de 1,67% para 1,5%). A taxa Selic subiu para 12% para 2023 (de 11,75%) e permaneceu em 9% para 2024. As projeções estão no Boletim Focus, relatório do Banco Central que reúne a expectativa das instituições financeiras em relação aos principais indicadores econômicos do país.

Inflação: IGP-M registra primeira alta em 5 meses

O IGP-M subiu 0,45% em dezembro, alta mais branda do que a expectativa do mercado, e acumulou alta de 5,5% em 2022. A composição dos índices de atacado mostrou o IPA agrícola com queda de 0,64% frente à queda de 1,47% no mês anterior. O núcleo do IPA industrial – que inclui apenas os itens relacionados à inflação de bens industriais do IPCA, excluindo alimentos, combustíveis e minério de ferro – registrou leve alta de 0,04% ante retração de 0,31% em novembro. Neste ano, a elevação do núcleo dos bens industriais foi de 5,6% e do IPA agrícola foi de 3,1%. Nossa projeção de IPCA é de 5,6% para 2022 e de 5,9% para 2023.

Fiscal: setor público consolidado registrou déficit em novembro

O resultado primário do setor público consolidado de novembro foi de déficit de R$ 20,1 bi. Em 12 meses, o governo central acumula superávit de 0,6% do PIB. Projetamos resultado primário do setor público consolidado positivo de 1,4% do PIB para 2022 e déficit de -1,5% para 2023, com viés de alta.

Equipe Econômica C6 Bank

Felipe Salles Head
Claudia Moreno Head Brasil
Claudia Rodrigues Head Internacional
Felipe Mecchi Internacional
Heliezer Jacob Brasil

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