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Resumo Semanal: Fed deixa porta aberta para mais altas de juros

Confira as principais notícias da semana, segundo a avaliação da equipe econômica do C6 Bank

Atualizado em

C6 Bank Felipe Salles Foto: Germano Lüders 04/08/2021

Confira as principais notícias da semana (12/6 a 16/6), segundo a avaliação da equipe econômica do C6 Bank. Leia a íntegra do relatório.

Internacional

Estados Unidos: Fed pausa alta de juros, mas sinaliza possível retomada à frente

O banco central americano (Federal Reserve – Fed) manteve a taxa de juros inalterada, conforme esperado, com o intervalo permanecendo de 5% a 5,25% ao ano – patamar mais alto desde setembro de 2007. No comunicado, o Fed justificou a pausa como importante para avaliar implicações da política monetária já implementada até o momento sobre a economia e reafirmou que apertos adicionais podem ser apropriados para alcançar seu objetivo de retornar a inflação à meta. As expectativas de membros do comitê de política monetária sobre indicadores econômicos foram revisadas em relação às de março. Agora, acreditam que o desemprego será menor do que o previsto anteriormente, o núcleo da inflação ficará mais pressionado e a taxa de juros alcançará patamar mais elevado no fim do ciclo em 2023 – um aumento de 50 pontos-base em relação ao nível atual é esperado pela maior parte dos membros. Mantemos nossa visão que a taxa de juros no fim do ciclo deve alcançar patamar pouco acima do atual para desacelerar a inflação, que continua elevada e persistente. Além disso, não prevemos cortes de juros antes de meados de 2024.

A inflação continua elevada. O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) desacelerou para 0,1% em maio frente ao mês anterior, de acordo com o Departamento do Trabalho. O núcleo do índice (exclui alimentos e energia), no entanto, manteve o ritmo de aumento de 0,4%; enquanto preços de bens não causam preocupação, preços de serviços continuam sólidos; o setor representa mais de 73% do núcleo da inflação e segue pressionado por um mercado de trabalho aquecido. O preço dos aluguéis, que compõe o setor de serviços, permanece resiliente, mas deve começar a desacelerar à frente. Em 12 meses, o núcleo do CPI acumula alta de 5,3%, ainda elevado. Outro relatório do Departamento do Trabalho também mostra sinais de desaceleração da inflação de bens. O índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) teve queda de 0,3% em maio. Nos últimos 12 meses, o PPI acumula alta de 1,1% e o núcleo 2,8%.  Nossa expectativa é que a inflação continue desacelerando lentamente em razão da política monetária mais restritiva do Fed, mas que não volte à meta em um horizonte próximo.

A atividade segue moderada. A produção industrial teve leve retração de 0,2% no mês de maio ante o mês anterior, segundo dados do Federal Reserve (Fed, na sigla em inglês). Apesar da queda, a atividade de manufaturas registrou aumento de 0,1% na margem. Outra pesquisa, divulgada pelo Departamento de Comércio americano, mostrou que as vendas no varejo desaceleraram no mesmo período.

O índice de otimismo das pequenas empresas, medido pela Federação Nacional de Empresas Independentes (NFIB, na sigla em inglês), teve leve alta de 0,4 ponto para 89,4 em maio, permanecendo abaixo do nível pré-pandemia.

Em relatório semanal, os pedidos iniciais de seguro-desemprego continuam em níveis baixos para padrões históricos, em 262 mil na semana encerrada em 10 de junho, mil acima da semana anterior ajustada. O aumento na margem pode indicar um início de desaceleração no mercado de trabalho, que permanece robusto.

Europa: BCE mantém previsão de juros maiores à frente

O Banco Central Europeu (BCE) aumentou as taxas de juros em mais 25 pontos-base, conforme esperado, depois de uma redução no ritmo de aumentos (para 25 pontos-base) no mês anterior. Este foi o oitavo aumento consecutivo. A taxa de depósito foi para 3,5% ao ano – superando o pico de 2008. Em comunicado, o Banco justificou o aumento em razão de uma inflação que deve continuar elevada e demorar a ceder. As projeções para crescimento da economia foram levemente revisadas para baixo e as de inflação para cima, permanecendo acima da meta até 2025 – fim do horizonte de previsão. A presidente do Banco, Christine Lagarde, reforçou que o ciclo de alta de juros não terminou e que o foco continua sendo trazer a inflação para a meta de 2% no médio prazo. Disse que o comitê ainda não está no momento de discutir uma possível pausa ou interrupção temporária do aumento de juros. Segundo Lagarde, o mercado de trabalho aquecido é que o mais tem contribuído para inflação persistente e elevada. Concordamos com a visão do BCE que ainda há um caminho a percorrer em termos de política monetária. Acreditamos que os juros devem continuar subindo e permanecer elevados por um período prolongado.

A guerra entre Rússia e Ucrânia está no segundo ano. Mísseis russos continuam sendo lançados principalmente no leste e sul ucraniano. Os Estados Unidos aprovaram novo pacote de ajuda militar. O conflito segue sem perspectiva de um fim próximo.Os preços das commodities energéticas seguem baixos, mas movimentos divergiram na semana. Entre os dias 8 e 15 de junho, o preço futuro do petróleo (Brent) ficou praticamente estável em torno de 75 dólares por barril. Em nossa visão, a atividade fraca, em razão de juros elevados, e a manutenção de um dólar em patamar forte, que tende a reduzir o preço em dólar de produtos cotados na moeda americana, devem evitar pressões adicionais no preço do petróleo. Em relatório publicado esta semana, a Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) prevê que a demanda por petróleo está próxima do pico e deve recuar significativamente nos próximos anos com a substituição do combustível por outras fontes alternativas. No curto prazo, no entanto, o mercado pode ficar pressionado por maior demanda da China pós-pandemia, segundo a Agência. O preço do gás natural teve alta volatilidade na semana e subiu mais de 50%, em razão de temperaturas mais altas na Europa, que aumentam a demanda, e interrupções prolongadas no fornecimento da Noruega. Apesar do aumento, o preço da commodity está mais de 50% abaixo da média de janeiro de 2022 (pré-guerra). A menor pressão de preços de energia favorece as perspectivas de melhor crescimento econômico na região.

A produção industrial teve leve aumento de 1% em abril frente ao mês anterior com ajuste sazonal, depois de contração no mês anterior, segundo o Eurostat. A produção ficou estável na Alemanha, teve leve aumento na França (0,8%) e recuou na Itália (-1,9%) e Espanha (-1,8%). Excluindo a Irlanda, a produção contraiu aproximadamente 1% nos últimos dois meses.

No Reino Unido, a economia cresceu levemente (0,2%) em abril frente ao mês anterior, de acordo com o Escritório Nacional de Estatísticas (ONS, na sigla em inglês). Na composição do indicador, o setor de serviços voltou a crescer, principalmente no varejo e no atacado, e foi o que contribuiu para o crescimento da economia, enquanto indústria e construção encolheram no período.

O mercado de trabalho segue apertado na região. Segundo o Departamento de Estatísticas Nacional do Reino Unido, nos três meses até abril a taxa de desemprego diminuiu para 3,8%, apesar de leve aumento da participação na força de trabalho. Os ganhos médios por hora trabalhada, excluindo bônus, seguem elevados e aceleraram 7,2% no período. A oferta de trabalho continua alta: o número de vagas em aberto por desempregado está elevado, o que deve continuar pressionando salários à frente. O presidente do Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês), Andrew Bailey, disse que o mercado de trabalho está bastante aquecido e que a inflação tem levado muito mais tempo para desacelerar do que esperavam. O BoE deve continuar o ciclo de alta de juros iniciado em dezembro de 2021. Mais um aumento de 25 pontos-base é esperado na decisão de política monetária da próxima semana.

China: atividade perde fôlego

A atividade desapontou novamente em maio, indicando uma perda de impulso da recuperação iniciada no 1T23 com a reabertura. As vendas no varejo desaceleraram para 12,7% no mês comparado ao mesmo período de 2022. A produção industrial aumentou 3,5%, ritmo mais fraco que em abril. Os investimentos também perderam força, crescendo 4% no acumulado do ano até maio, com contração nos investimentos imobiliários. A construção de novas moradias caiu 31,4%. Os preços de casas nas 70 maiores cidades do país desaceleraram para 0,1% em maio em relação ao mês anterior. A taxa de desemprego urbano no país permaneceu em 5,2%, mas alcançou novo recorde entre jovens (16-24 anos), em 20,8%, refletindo um descompasso estrutural no mercado de trabalho.

O fluxo de crédito agregado continuou fraco e abaixo do esperado em maio. O volume foi de 1,56 trilhão de yuans, segundo o Banco Central da China (PBOC, na sigla em inglês), levemente maior que no mês anterior. Houve aumento dos empréstimos bancários de médio e longo prazo às famílias, o que sugere alguma melhora na demanda por imóveis, mas contração na emissão de títulos de dívida de empresas.

O Banco do Povo da China (PBoC, na sigla em inglês) cortou a taxa de juros de médio prazo em 10 pontos-base para 2,65%, conforme esperado depois de um corte na taxa de curto prazo (recompra reversa de 7 dias) de mesma magnitude no início da semana. O corte na taxa de médio prazo foi o primeiro depois de dez meses e indica uma mudança na postura do governo para apoiar a economia depois de dados fracos de atividade. A expectativa é que o Banco reduza outras taxas de juros como LPR 1-ano e LPR-5 anos na próxima semana, também em 10 pontos-base.

Brasil

Focus: projeções de inflação caem após divulgação do IPCA de maio

As projeções para o IPCA caíram para 2023 (de 5,69% para 5,42%), para 2024 (de 4,12% para 4,04%), para 2025 (de 4% para 3,9%) e para 2026 (de 4% para 3,88%). Os números esperados para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) subiram para 2023 (de 1,68% para 1,84%), porém não tiveram mudanças para 2024 (de 1,28% para 1,27%). A taxa Selic está em 12,5% para 2023, em 10% para 2024, em 9% para 2025 e em 8,75% para 2026. As projeções estão no Boletim Focus, relatório do Banco Central que reúne a expectativa das instituições financeiras em relação aos principais indicadores econômicos do país.

Atividade: varejo e serviços contraem 1,6% em abril

A Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) de abril mostrou queda de 1,6% frente ao mês anterior no volume de vendas no comércio varejista ampliado, resultado melhor do que nós e o mercado projetávamos. Este dado interrompe uma sequência de quatro meses consecutivos de alta. As perspectivas para o setor não são favoráveis à frente, principalmente para os segmentos sensíveis a crédito, devido à desaceleração da economia, impactada pelos juros altos.

A Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) de abril mostrou que o volume de serviços também caiu 1,6% na comparação mensal, após registrar alta de 0,9% em março. O dado veio abaixo das expectativas do mercado e da nossa projeção. No entanto, o segmento de serviços prestados às famílias, que tem um peso relevante no PIB, registrou expansão de 1,2% no mês. O setor de serviços deve continuar em ritmo fraco ao longo de 2023.  Projetamos crescimento do PIB de 2% para 2023 e de 1% para 2024.

Inflação: índice de preços ao produtor amplo em deflação recorde

A inflação medida pelo IGP-10 caiu 2,20% em junho, abaixo da mediana das projeções do mercado de -2,12%. Em 12 meses, o índice está em -6,3%, o menor valor da série histórica. A composição dos índices de atacado mostrou o IPA agrícola com queda de 4,2% frente à contração de 3,9% no mês anterior. O núcleo do IPA industrial – que inclui apenas os itens relacionados à inflação de bens industriais do IPCA, excluindo alimentos, combustíveis e minério de ferro – caiu 0,7%. Em 12 meses, o IPA agrícola está em -13,2% e o núcleo do IPA industrial em -2,1%.

Equipe Econômica C6 Bank

Felipe Salles Head
Claudia Moreno Head Brasil
Claudia Rodrigues Head Internacional
Felipe Mecchi Internacional
Heliezer Jacob Brasil

Este relatório foi preparado pelo Banco C6 S.A.

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