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Resumo semanal: Fed sinaliza mais aperto de juros

Confira as principais notícias da semana, segundo a avaliação da equipe econômica do C6 Bank

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Confira as principais notícias da semana (31/10-4/11), segundo a avaliação da equipe econômica do C6 Bank. Leia a íntegra do relatório.

Internacional

Estados Unidos: Fed indica juros mais altos no fim do ciclo

O Banco Central americano (Federal Reserve – Fed) elevou o intervalo de juros para 3,75% a 4% ao ano, subindo a taxa básica em 75 pontos-base pela quarta vez consecutiva. A decisão foi unânime. O aumento nos juros era esperado em razão de um mercado de trabalho forte e inflação elevada. No comunicado, o Comitê reforçou seu compromisso de alcançar a meta de inflação de 2% ao ano e indicou que mais aumentos serão apropriados, mas acrescentou que próximas altas nos juros levarão em conta o total acumulado de aumentos desde o início do ciclo e as defasagens do impacto da política monetária sobre a atividade e inflação. Quanto ao balanço patrimonial, foi mantido que a redução continua conforme anunciado na reunião de maio. O presidente do Fed, Jerome Powell, disse que a magnitude dos aumentos poderá ser menor a partir da próxima reunião, mas a taxa de juros terminal deve ser maior do que a esperada em setembro em razão da força da economia. Disse que é prematuro pensar em pausa neste momento e que o custo de fazer menos aperto monetário é maior do que o de fazer mais.

O mercado de trabalho continua aquecido. O Departamento de Trabalho publicou dados referentes ao mês de outubro. De acordo com o Establishment Survey, houve criação de 261 mil empregos no período, acima do esperado. Apesar de mostrar uma tendência de queda, a média do ano (407 mil) continua acima da média pré-pandemia (em 2019: 164 mil). Segundo o Household Survey, a taxa de desemprego aumentou para 3,7%, acima da mínima recente de 3,5%, com o número de desempregados voltando a 6 milhões (sendo 5,8 milhões no mês anterior). A taxa de participação na força de trabalho diminuiu levemente de 62,3% para 62,2%. O ganho médio por hora trabalhada aumentou em 0,4% em relação ao mês anterior, acima do esperado. Nos últimos doze meses, o índice acumula alta de 4,7%, indicando pressão de salários. Outro relatório do Departamento de Trabalho, Jolts, voltou a mostrar um aumento do número de vagas de emprego em aberto, levando o total para 10,7 milhões em setembro; o número de vagas em aberto por desempregado chegou a quase 2, próximo do pico da série alcançado em março deste ano. Em relatório semanal, os pedidos iniciais de seguro-desemprego seguem em níveis baixos para padrões históricos, em 217 mil na semana encerrada em 1 de outubro, 1 mil abaixo da semana anterior.

A atividade na indústria desacelerou em outubro em relação ao mês anterior. O índice de gerentes de compras do setor de manufaturas (PMI, na sigla em inglês) do Instituto ISM, diminuiu 0,7 ponto para 50,2, com leve melhora na demanda e no emprego. Os preços pagos por insumos continuaram caindo.

A produtividade do trabalho subiu 0,3% no 3T22 comparada ao trimestre anterior, segundo o Departamento do Trabalho. Houve maior aumento na produção do que em horas trabalhadas. Os custos do trabalho subiram 3,5% no mesmo período, abaixo do esperado.

O setor de serviços continuou mostrando atividade robusta em outubro, segundo o índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês). O índice diminuiu 2,3 pontos para 54,4 com menor demanda e emprego. Preços subiram e estão em patamar elevado.

Europa: novo recorde de inflação

A inflação alcançou novo recorde e segue acima dos dois dígitos. O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu 10,7% nos últimos doze meses até outubro, segundo a Eurostat. Houve aumento no preço de energia (41,9%) e alimentos (13,1%). O núcleo da inflação, que exclui esses itens, subiu (5%) e também alcançou novo recorde. A inflação cresceu em ritmo máximo na Alemanha (11,6%), França (7,1%) e Itália (12,8%), mas desacelerou na Espanha (7,3%) em razão de moderação no preço do gás e medidas para reduzir o preço de transporte público. A inflação ao produtor (PPI, na sigla em inglês) desacelerou no mês de setembro frente ao mês anterior, mas segue elevada. Em 12 meses, o índice acumula alta de 41,9%, puxado pelo aumento do preço de energia no período.

O conflito entre Rússia e Ucrânia se estende e entrou no décimo mês. Bombardeios russos continuam destruindo infraestrutura de energia ucraniana. Operador da rede elétrica no país tem limitado o fornecimento para várias regiões. Contraofensivas ucranianas continuam na tentativa de afastar russos de parte de territórios anexados no leste do país. Ajuda militar e financeira à Ucrânia continua por parte dos países aliados. O conflito entre Rússia e Ucrânia se estende por mais tempo do que era previsto. O bombardeio de um navio russo no Mar Negro levou o país a cancelar o acordo de exportação de grãos ucranianos pelo corredor. No fim da semana, no entanto, o acordo foi restabelecido depois de garantias de que o corredor não será usado para fins militares. Preços dos grãos, particularmente trigo, recuaram.

Os preços das commodities seguem com alta volatilidade. Entre os dias 28 de outubro a 3 de novembro, o preço do petróleo ficou praticamente estável, refletindo um cenário global de desaceleração da atividade econômica. O gás natural subiu apesar dos estoques elevados no continente europeu, com expectativas de menores temperaturas à frente.

O PIB da área do euro no 3T22 cresceu 0,2% frente ao trimestre anterior, segundo a prévia divulgada pela Eurostat. Detalhes da divulgação ainda não estão disponíveis. O crescimento foi pouco maior que o esperado e ocorreu em razão de uma expansão das principais economias do bloco: Alemanha (0,3%), França (0,2%), Itália (0,5%) e Espanha (0,2%).

Por ora, o mercado de trabalho segue aquecido. A taxa de desemprego está em 6,6% em setembro, mínima histórica também alcançada em abril. O índice divulgado pela Eurostat mostra heterogeneidade entre as economias do bloco. O desemprego permanece baixo na Alemanha (3%) mas alto na Espanha (12,7%) e Grécia (11,8%).

O Banco Central da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês) elevou a taxa básica de juros em 75 pontos-base, para 3%, conforme esperado, levando os juros ao maior nível desde 2014. O aumento foi o oitavo consecutivo e o primeiro de 75 pontos-base em 33 anos. O Banco reconhece a necessidade de mais aumentos futuros para controlar a inflação, mas o presidente do Banco indicou que a taxa final deve ser menor do que a esperada pelo mercado (que está em torno de 5% a/a). Segundo projeções do Comitê de Política Monetária do banco, economia do Reino Unido deve ter uma recessão prolongada e a inflação deve ficar acima de 10% no curto prazo e começar a ceder em meados de 2023. Quanto ao balanço patrimonial, a redução começou esta semana, conforme planejado em meados de outubro, depois de ter sido adiada em razão da intervenção do banco após o anúncio do plano fiscal da ex-primeira-ministra, Liz Truss.

China: sinais de contração da atividade em meio à política de Covid zero

A atividade continuou desacelerando em outubro, de acordo com os índices de gerentes de compras (PMIs, na sigla em inglês), calculados pelo Escritório Nacional de Estatísticas chinês (NBS, na sigla em inglês). O PMI composto, que considera o setor de manufaturas, construção e serviços, diminuiu 1,9 ponto para 49, chegando em território contracionista. A desaceleração na atividade ocorreu principalmente em razão de uma queda maior em serviços (47) e queda moderada em manufaturas (49,2). O setor de serviços continua sendo afetado por medidas restritivas relacionadas à Covid zero. A demanda doméstica e a externa permaneceram fracas e a produção cedeu.

O quadro de Covid-19 piorou durante a semana com número de casos diários superando a média da semana anterior e chegando a 4.000 no fim da semana. O número de áreas de risco aumentou e segue elevado, o que significa que restrições à mobilidade aumentaram em várias áreas. A política de Covid zero adotada pelo país mantém um controle rigoroso sobre a circulação de pessoas quando casos aumentam, o que traz dificuldades para a economia. Em Xangai, o aumento de casos levou ao lockdown de um distrito central para testagem em massa da população. Autoridades de saúde alertam que a política de Covid zero continua sendo a estratégia para lidar com o vírus.

Brasil

Focus: expectativa de inflação para 2024 permanece estável

A projeção para o IPCA apresentou leve alta para 2022 (de 5,60% para 5,61%) e ficou estável tanto para 2023 (em 4,94%) quanto para 2024 (em 3,50%). O número esperado para o Produto Interno Bruto (PIB) ficou estável para 2022 (em 2,76%) e registrou leve alta para 2023 (de 0,63% para 0,64%). A taxa Selic ficou estável em 13,75% para o final deste ano, em 11,25% para 2023 e em 8% para 2024. As projeções estão no Boletim Focus, relatório do Banco Central que reúne a expectativa das instituições financeiras em relação aos principais indicadores econômicos do país.

Fiscal: resultado superavitário de setembro não altera tendência de déficit para 2023

O resultado primário do setor público consolidado de setembro foi de superávit de R$ 10,7 bi. Em 12 meses, o superávit primário atingiu 1,9% do PIB. A dívida líquida atingiu 58,2% do PIB. Projetamos resultado primário do setor público consolidado de 1,1% do PIB para 2022 e déficit de 2% para 2023.

Política monetária: ata do Copom destaca a inflação de serviços

O Banco Central divulgou nesta terça-feira (1) a ata das reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) dos dias 25 e 26 de outubro.

A ata esclareceu que, para o horizonte que o BCB está mirando (12 meses até o 2º trimestre de 2024), as projeções dos seus modelos se encontram ao redor da meta e com isso ele justifica a manutenção da Selic em 13,75%.

O Comitê avaliou “que houve alguma diminuição da ociosidade estimada desde sua última atualização”. O Copom reforçou que “incorpora, em sua projeção, um aumento da ociosidade ao longo do horizonte de política monetária, como reflexo do ajuste monetário empreendido nos últimos trimestres”. Ou seja, ele espera uma desaceleração da atividade.

Por fim, reforçou a importância da inflação de serviços: “o Comitê segue acompanhando, com especial atenção, a evolução da inflação de serviços, que depende tanto da inércia inflacionária quanto do hiato do produto, e cuja trajetória ficará mais clara ao longo do tempo.” Essa atenção especial, na nossa visão, indica que o Comitê estará de olho nesta variável para decidir quando irá iniciar o ciclo de corte de juros.

Em resumo, acreditamos que a comunicação e as projeções do BCB são condizentes com a sinalização da manutenção da taxa Selic em 13,75% por algum tempo, seguida do início de um ciclo de queda de juros no segundo trimestre de 2023. Nossa projeção é que a Selic termine o ano de 2023 em 11,25%.

Equipe Econômica C6 Bank

Felipe Salles Head
Claudia Moreno Head Brasil
Claudia Rodrigues Head Internacional
Felipe Mecchi Internacional
Heliezer Jacob Brasil

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