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Resumo semanal: Inflação persistente nos EUA

Confira as principais notícias da semana, segundo a avaliação da equipe econômica do C6 Bank

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Confira as principais notícias da semana (9/10-13/10), segundo a avaliação da equipe econômica do C6 Bank. Leia a íntegra do relatório.

Internacional

Estados Unidos: inflação de serviços mantém pressão sobre o Fed

A inflação segue alta. O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) registrou alta de 0,4% em setembro frente ao mês anterior, de acordo com o Departamento do Trabalho. O núcleo do índice, que exclui alimentos e energia, aumentou 0,3% novamente, em linha com o esperado. Na composição, a inflação de bens continua em queda e não preocupa, mas a inflação de serviços, que representa mais de 73% do núcleo, segue pressionada pelo mercado de trabalho aquecido. Em 12 meses, o núcleo do CPI desacelerou, mas acumula alta de 4,1%, ainda bem acima da meta. O núcleo da inflação de serviços está em 5,7%. Outro relatório do Departamento do Trabalho mostrou aceleração do índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) em setembro. Nos últimos 12 meses, o PPI acumula alta de 2,2%.

A ata da reunião de setembro do banco central americano (Federal Reserve – Fed) trouxe poucas novidades. Na ocasião, o Fed optou por uma pausa, mantendo os juros entre 5,25% e 5,5% ao ano – maior patamar em mais de 20 anos. Membros do comitê de política monetária (FOMC, na sigla em inglês) reforçaram a mensagem de juros altos por tempo prolongado, dizendo que a política monetária deve permanecer restritiva até que se tenha sinais de que a inflação está diminuindo de forma sustentável. A maioria dos membros do FOMC chegou a sinalizar que mais uma alta de juros seria apropriada até o fim do ano, mas comentários recentes sugerem que muitos devem apoiar uma pausa na próxima decisão em novembro, em razão de um aperto nas condições financeiras, depois de um forte aumento nos rendimentos de títulos de longo prazo do Tesouro americano. Em nossa visão, no entanto, a persistência da inflação de serviços, causada por um mercado de trabalho aquecido, deve levar a mais uma alta de juros, na ausência de surpresas. Acreditamos que os juros devem permanecer elevados por um longo período. Os cortes devem começar de forma gradual e somente no fim de 2024.

O índice de otimismo das pequenas empresas, medido pela Federação Nacional de Empresas Independentes (NFIB, na sigla em inglês), diminuiu 0,5 ponto para 90,8 em setembro e permanece abaixo do nível pré-pandemia. Segundo a pesquisa, a inflação elevada e o mercado de trabalho aquecido continuam tendo impacto negativo sobre as empresas.

Em relatório semanal, os pedidos iniciais de seguro-desemprego continuam em níveis baixos para padrões históricos, em 209 mil na semana encerrada em 7 de outubro, mesmo patamar da semana anterior revisada levemente para cima.

Europa: atividade no Reino Unido segue frágil

A guerra entre Rússia e Ucrânia se estende pelo segundo ano. A Rússia continua com ataques a infraestrutura portuária e voltou a destruir a infraestrutura de energia, mesma tática usada no inverno passado para diminuir a resistência ucraniana. O conflito segue sem perspectiva de fim próximo.

A ata da reunião de setembro do Banco central europeu (ECB) mostrou que o aumento de 25 pontos-base nos juros foi aprovado por leve maioria, com sinais de enfraquecimento da economia. Integrantes do comitê de política monetária justificaram a decisão em razão da frágil trajetória de desinflação, considerando riscos de alta de preços de alimentos e combustíveis à frente. Apesar do aumento, a instituição sinalizou um possível fim do ciclo de alta. Em nossa visão, os juros devem continuar elevados por um período prolongado.

A produção industrial cresceu 0,6% em agosto frente ao mês anterior com ajuste sazonal, depois de encolher 1,3% em julho, segundo o Eurostat. O índice veio melhor que o esperado, mas segue fraco. Houve queda na produção da Alemanha (-0,2%), a quarta consecutiva, e França (-0,3%) e aumento na produção da Itália (0,2%). A produção de setores intensivos em energia permanece fraca na região em razão de preços elevados do insumo. A pesquisa do índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) para o setor de manufaturas prevê contração também em setembro.

No Reino Unido, a atividade apresentou recuperação modesta em agosto (0,2%) frente ao mês anterior, depois de contração em julho (-0,6%), segundo o escritório nacional de estatísticas (ONS, na sigla em inglês). O resultado veio conforme esperado e ocorreu com a expansão em serviços (0,4%), depois do fim da greve no setor de educação. A indústria de manufaturas (-0,8%) e o setor de construção (-0,5%) continuaram encolhendo.

China: crédito surpreende positivamente

O fluxo de crédito agregado subiu e veio melhor do que o esperado em setembro. O volume total de crédito foi de 4,1 trilhões de yuans, segundo o Banco Central da China (PBOC, na sigla em inglês), bem maior que no mês anterior, depois de medidas do governo para encorajar empréstimos às empresas e melhorar as condições de financiamento imobiliário às famílias. O governo também continuou emitindo títulos públicos que devem impulsionar a construção de infraestrutura.

A inflação ao consumidor permaneceu estável em setembro, depois de leve aumento no mês anterior, segundo o Escritório Nacional de Estatísticas chinês (NBS, na sigla em inglês). Na composição do índice, os alimentos continuaram em queda (-3,2%), mas o núcleo do índice, que exclui alimentos e energia, subiu 0,8%. O índice de preços ao produtor (PPI) continuou contraindo (-2,5%), décima segunda queda consecutiva. O índice subiu pela segunda vez consecutiva na comparação frente ao mês anterior, acompanhando aumento do preço de energia.

A balança comercial teve superávit de 77,7 bilhões de dólares em setembro, superando o mês anterior e as expectativas. Houve contração menor das exportações (-6,2%) e das importações (-6,2%) comparadas ao mesmo mês do ano anterior.  Em setembro, as exportações foram puxadas pela melhora do setor de tecnologia. Os principais destinos de produtos chineses foram União Europeia, Japão e Ásia Emergente. Houve aumento moderado para os Estados Unidos.

Commodities: preços de energia mais voláteis

Depois de sofrer um ataque terrorista em seu território, Israel declarou guerra ao Hamas. Milhares de pessoas, entre civis e militares, foram mortas até o momento. A crise geopolítica pode demorar algum tempo. Não houve impacto relevante nos mercados globais por enquanto, mas o preço de algumas commodities apresentou maior volatilidade. Uma possível escalada do conflito causa preocupações já que o Oriente Médio é o maior exportador de petróleo.

Os preços das commodities voltaram a subir na semana. Entre os dias 5 e 12 de outubro, o preço futuro do petróleo (Brent) subiu 2%, terminando o período em 86 dólares por barril. O preço futuro do gás natural na Europa aumentou 46% no mesmo período. A forte alta do preço do gás natural reflete a guerra envolvendo Israel, importante produtor e fornecedor de gás natural para Europa; a proximidade do inverno europeu também pesa sobre o preço. Apesar do aumento, o preço futuro do gás natural segue menor que a média de janeiro de 2022 (pré-guerra Rússia-Ucrânia).

Os preços das commodities agrícolas ficaram praticamente estáveis na semana. A variação do preço futuro negociado do trigo, milho e soja foi de -1,2%, -0,3%, 0,7%, respectivamente, na bolsa de Chicago.

Brasil

Focus: projeções inalteradas

As projeções para o IPCA ficaram estáveis para 2023 (4,86%), para 2024 (de 3,87% para 3,88%), para 2025 (3,5%) e para 2026 (3,5%). O número esperado para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) não teve alterações para 2023 (2,92%) e 2024 (1,5%). A taxa Selic está em 11,75% para 2023, em 9% para 2024 e em 8,5% para 2025 e 2026. As projeções estão no Boletim Focus, relatório do Banco Central que reúne a expectativa das instituições financeiras em relação aos principais indicadores econômicos do país.

Inflação: IPCA abaixo do esperado

O IPCA de agosto registrou alta de 0,26% – abaixo do que nós (0,35%) e o mercado esperávamos (0,33%). O IPCA acumula alta em 12 meses de 5,2% e deve se manter elevado à frente. A inflação de serviços veio mais baixa do que o projetado, mas segue elevada (5,5% em 12 meses) e deve continuar em patamar alto devido ao mercado de trabalho aquecido. A inflação de bens industriais mostra clara tendência de queda nos últimos meses e deve seguir recuando à frente. A média dos núcleos do Banco Central segue pressionada, em 5% em 12 meses. Projetamos IPCA de 5,2% para 2023 e de 5,5% para 2024.

Equipe Econômica C6 Bank

Felipe Salles Head
Claudia Moreno Head Brasil
Claudia Rodrigues Head Internacional
Felipe Mecchi Internacional
Heliezer Jacob Brasil

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