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Resumo semanal – IPCA-15 de janeiro: forte surpresa para baixo

Confira as principais notícias da semana, segundo a avaliação da equipe econômica do C6 Bank

Atualizado em

Confira as principais notícias da semana (22/1-26/1), segundo a avaliação da equipe econômica do C6 Bank. Leia a íntegra do relatório.

Felipe Salles, head da equipe econômica do C6 Bank, ele está pé com as mãos na cintura, veste uma camisa preta.
Felipe Salles, Head da Equipe Econômica do C6 Bank.

Internacional

Estados Unidos: inflação mais benigna, mas ainda pressionada por serviços

A inflação teve leve aumento conforme esperado. O índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês) subiu 0,2% em dezembro em relação ao mês anterior, segundo dados do Departamento do Comércio americano. O núcleo do indicador, que exclui alimentos e energia, também aumentou 0,2%. Em doze meses, o núcleo do PCE acumula alta de 2,9%, permanecendo acima da meta de 2% do banco central americano, mas cedendo em relação ao período anterior. A composição do índice mostra que o preço de bens não é um problema, mas o preço de serviços continua elevado, pressionando o indicador. Com o desaquecimento gradual do mercado de trabalho, nossa expectativa é que a inflação continue desacelerando lentamente. No entanto, acreditamos que cortes de juros só devem ocorrer no segundo semestre de 2024, com algum risco de acontecer antes.

O PIB registrou expansão de 3,3% no 4T23 em relação ao trimestre anterior, anualizado e com ajuste sazonal, de acordo com a primeira estimativa do Departamento do Comércio americano. O crescimento desacelerou no 4T, mas veio acima do esperado. Na composição do indicador, o consumo das famílias teve a maior contribuição para o crescimento da economia no período, quase 2 pontos percentuais, refletindo um mercado de trabalho aquecido, com a demanda maior que a oferta de trabalhadores. A economia segue vigorosa nos EUA, mas deve desacelerar neste ano, em linha com a política monetária restritiva do Fed. Não vemos, por ora, nenhum sinal de recessão.

A atividade segue em expansão, segundo as prévias dos índices de gerentes de compras (PMIs, na sigla em inglês) do mês de janeiro. O PMI composto, que inclui o setor de manufaturas e serviços, subiu 1,4 ponto para 52,3 pontos, com recuperação no índice de manufaturas (50,3) e contínua expansão em serviços (52,9). Na composição do índice, houve melhora na demanda, aumento moderado de preços e crescimento do emprego.

Os pedidos de bens duráveis e de bens de capital seguem elevados. O núcleo dos pedidos de bens duráveis, que exclui o setor de transportes, acelerou no mês de dezembro em relação ao mês anterior (0,6%), segundo relatório do Departamento do Comércio dos Estados Unidos. O núcleo dos pedidos de bens de capital, que exclui aeronaves e equipamentos de defesa, registrou expansão de 0,3% no mês. Os dados sugerem que os investimentos continuam sólidos.

O setor imobiliário tem dado sinais de melhora. O indicador de venda de casas novas cresceu 8% em dezembro em relação ao mês anterior, segundo dados divulgados pelo Departamento do Comércio. O aumento veio abaixo do esperado depois de uma forte queda em novembro. As vendas de casas novas seguem abaixo da tendência desde meados de 2022. De modo geral, os preços e as taxas de hipoteca elevados esfriam a atividade do setor. 

Em relatório semanal, os pedidos iniciais de seguro-desemprego continuam em níveis baixos para padrões históricos, em 214 mil na semana encerrada em 20 de janeiro, 25 mil acima da semana anterior revisada.

Europa: BCE mantém indicação de juros altos por algum tempo

A guerra entre Rússia e Ucrânia se estende e está próxima de completar dois anos. O conflito segue sem perspectiva de fim próximo.

O Banco Central Europeu (BCE) manteve as taxas de juros inalteradas, conforme esperado. Esta foi a terceira pausa seguida, depois de dez aumentos de juros desde meados de 2022. A taxa de depósito permaneceu em 4% ao ano – pico da série histórica. Em comunicado, o Banco reafirmou que a política monetária deve continuar restritiva por tempo suficientemente longo para continuar contribuindo com o objetivo de levar a inflação à meta. O comunicado manteve que decisões futuras continuam dependentes de dados, frase reforçada pela presidente do Banco, Christine Lagarde, durante a coletiva de imprensa. Lagarde também acrescentou que existe consenso no comitê de política monetária que as discussões sobre cortes de juros são prematuras. A inflação de serviços tem se mostrado persistente e por isso o comitê segue atento às negociações de salários que devem ocorrer neste início de ano. Em nossa visão, os juros permanecerão elevados por algum tempo.

Na área do euro, a confiança do consumidor voltou a diminuir, decepcionando expectativas de contínua e gradual melhora. O índice caiu 1 ponto em janeiro, segundo dados da Comissão Europeia, permanecendo fraco e bem abaixo da média pré-pandemia.

A atividade teve leve melhora em janeiro, de acordo com as prévias dos índices de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês). O índice composto, que considera o setor de manufaturas e serviços, subiu 0,3 ponto para 47,9 em janeiro, ficando pouco abaixo do esperado, mas ainda permanecendo em território contracionista (abaixo da marca dos 50 pontos) pelo oitavo mês consecutivo. O aumento do índice veio da melhora do setor de manufaturas, enquanto o setor de serviços perdeu força. Na composição, houve melhora na demanda e no emprego, mas leve piora no tempo de entrega de mercadorias, o que pode ser um reflexo das interrupções no fluxo de navios pelo Mar Vermelho. Os preços no setor de manufaturas permaneceram estáveis, mas subiram no setor de serviços, pressionados por salários. Entre as maiores economias do bloco, o PMI da Alemanha (47,1) e da França (44,2) decepcionaram e continuam em contração. Em nossa visão, a região deve ter passado por uma recessão no fim de 2023.

No Reino Unido, o indicador coincidente da atividade também subiu e aponta expansão. A prévia do PMI alcançou 52,5 pontos, 0,4 ponto acima do mês anterior, puxada por melhora em manufaturas (47,3), que segue em contração, porém mais moderada, e leve aumento em serviços (53,8). A inflação deve continuar pressionada: preços de serviços seguem elevados e de manufaturas subiram. O emprego voltou a crescer no período.

Japão: BoJ sinaliza possível aumento de juros à frente

O Banco do Japão (BoJ, na sigla em inglês) manteve a taxa de juros de referência em -0,1% e a meta dos rendimentos de títulos públicos de longo prazo em 0%, conforme esperado. O presidente do Banco, Kazuo Ueda, no entanto, sinalizou um aumento de juros à frente. Disse que as certezas estão aumentando, gradualmente, quanto à inflação alcançar a meta da instituição. Ueda acrescentou que mesmo um aumento nos juros terá por objetivo manter uma política de apoio à economia. A expectativa de economistas é de um aumento dos juros no primeiro semestre deste ano.

Em dezembro, o núcleo da inflação, que exclui alimentos frescos e energia, cresceu 3,7% no acumulado em 12 meses. O país tem histórico de deflação.

China: meta do PIB em 2024 deve ser a mesma de 2023

Algumas províncias na China já anunciaram suas metas de crescimento em 2024. Os números regionais sugerem que a meta para o país, a ser anunciada em março, deve continuar sendo a mesma de 2023, em torno de 5%. Em nossa visão, a China continuará tendo dificuldades de crescer em razão de problemas estruturais, como envelhecimento da população, endividamento elevado de governos locais e enfraquecimento do setor imobiliário. O governo deve continuar com medidas de apoio à economia, mas sem grandes estímulos.

O Banco do Povo da China (PBoC, na sigla em inglês) manteve as taxas de juros de curto prazo (LPR 1 ano) e de longo prazo (LPR 5 anos) inalteradas, conforme esperado. A LPR 1 ano permaneceu em 3,45% e a LPR 5 anos em 4,2% na decisão de janeiro. No entanto, o PBoC surpreendeu diminuindo a taxa de compulsório bancário em 50 pontos-base, o que aumenta a liquidez no sistema financeiro. O corte veio antes do esperado. O Banco tem preferido injetar liquidez no sistema financeiro para apoiar a economia e estabilizar o crédito, já que tem pouca margem de manobra com as taxas de juros. Um diferencial muito grande com os juros americanos pode levar a uma pressão maior sobre a moeda doméstica e aumentar a saída de capital.

Commodities: frete marítimo segue em alta

O conflito entre Israel e o Hamas entrou no quarto mês. Não houve impacto relevante nos mercados globais por enquanto, mas a atenção continua quanto a uma escalada do conflito na região, que é a maior exportadora de petróleo. A crise geopolítica pode demorar algum tempo.

Ainda no Oriente Médio, os militantes Houthis do Iêmen, contra Israel, seguem bombardeando navios no Mar Vermelho. Os Estados Unidos, com apoio de aliados, continuam com contra-ataques. O preço do frete marítimo, principalmente nas rotas entre China e Europa, segue em alta. Uma intensificação ou continuidade prolongada dos bombardeios pode ter impacto nas cadeias globais de produção, causando pressões inflacionárias em diversas regiões.

O preço do ouro ficou estável na semana, mas segue mais de 10% acima do registrado antes do início do conflito entre Israel e Hamas (6/10).

O preço futuro do petróleo (Brent) teve aumento de 3% na semana de 18 a 25 de janeiro, fechando o período em 82 dólares por barril. Menores estoques da commodity nos Estados Unidos e a contínua tensão no Oriente Médio contribuem para o aumento do preço.

O preço futuro do gás natural na Europa ficou estável na semana e segue baixo. Os estoques da commodity no continente europeu seguem elevados, dando alívio aos preços. Desde o início do conflito entre Rússia e Ucrânia, o preço do gás natural recuou e está em menos da metade do preço de janeiro de 2022 (pré-guerra).

Os preços futuros das commodities agrícolas na Bolsa de Chicago subiram. Entre os dias 18 e 25 de janeiro, o preço do trigo subiu 4,5%, impactado pelo desvio de navios da rota pelo Mar Vermelho. Os preços do milho e da soja subiram 1,7% e 0,8%, respectivamente.

Brasil

Focus: projeções de inflação estáveis

As projeções para o IPCA ficaram estáveis para 2024 (de 3,87% para 3,86%), 2025 (3,5%) e 2026 (3,5%). Os números esperados para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) não tiveram alterações para 2024 (de 1,59% para 1,6%) e nem para 2025 (2%). A taxa Selic permaneceu em 9% para 2024 e em 8,5% para 2025 e 2026. As projeções estão no Boletim Focus, relatório do Banco Central que reúne a expectativa das instituições financeiras em relação aos principais indicadores econômicos do país.

projeções focus ipca

Inflação: com alívio em passagens aéreas, IPCA-15 surpreende em janeiro

O IPCA-15 de janeiro registrou alta de 0,31%, abaixo da nossa projeção (0,48%) e do consenso de mercado (0,47%). Em 12 meses, o índice está em 4,47%. A principal surpresa vem dos preços das passagens aéreas, que caíram 15% – muito inferior à nossa projeção (-2%). Entretanto, houve surpresa para cima em alguns itens de bens industriais e de serviços subjacentes. A média dos núcleos da inflação calculada pelo Banco Central, uma medida mais limpa da tendência dos preços, mostra desaceleração e acumula alta de 4,2% em 12 meses. Nesta mesma métrica, serviços estão em 5,6% e bens industriais em 1%. A inflação de serviços deve permanecer pressionada em função do mercado de trabalho apertado. Nas nossas projeções, o IPCA acumulado em 12 meses deve encerrar 2024 em 5,3%, agora com forte viés de baixa. Para 2024, nossa previsão é que a inflação fique em 5%.

ipca 15 acumulado 12 meses

Equipe Econômica C6 Bank

Felipe Salles Head
Claudia Moreno Head Brasil
Claudia Rodrigues Head Internacional
Felipe Mecchi Internacional
Heliezer Jacob Brasil

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