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Resumo semanal: PEC da Transição é aprovada no Senado

Confira as principais notícias da semana, segundo a avaliação da equipe econômica do C6 Bank

Atualizado em

C6 Bank Felipe Salles Foto: Germano Lüders 04/08/2021

Confira as principais notícias da semana (5/12-9/12), segundo a avaliação da equipe econômica do C6 Bank. Leia a íntegra do relatório.

Internacional

Estados Unidos: inflação ao produtor acima do esperado

A inflação ao produtor teve aumento moderado. O índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) subiu 0,3% em novembro frente ao mês anterior.  Houve queda no preço de energia e aumento em alimentos. O núcleo (excluindo alimentos e energia) acelerou para 0,4% no mês. Nos últimos 12 meses, o PPI continuou desacelerando e acumula alta de 7,4%.

A atividade no setor de serviços continuou robusta em novembro, segundo o índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) do Instituto ISM. O índice aumentou 2,1 pontos para 56,5, com forte expansão na atividade e no emprego. Os índices de preços diminuíram, mas permanecem elevados.

O mercado de trabalho segue forte. Em relatório semanal, os pedidos iniciais de seguro-desemprego continuam em níveis baixos para padrões históricos, em 230 mil na semana encerrada em 3 de dezembro, 4 mil acima da semana anterior.

Os pedidos à indústria aceleraram, sinalizando forte demanda. O índice divulgado pelo Departamento do Comércio americano subiu 1% em outubro em relação ao mês anterior. O núcleo, que exclui o setor de transportes, também expandiu 0,8%.

Europa: fim das importações de petróleo russo

O conflito entre Rússia e Ucrânia está no décimo mês. Bombardeios russos continuam com mísseis de longo alcance direcionados principalmente para infraestruturas de energia, enquanto tropas russas têm dificuldades de avançar por terra. Várias regiões da Ucrânia, inclusive a capital, enfrentam apagões prolongados em meio a baixas temperaturas.

Um nono pacote de sanções à Rússia foi aprovado pela União Européia, com o objetivo de restringir o acesso do país a tecnologias, produtos químicos e drones usados com propósito militar.

A partir desta semana, a União Europeia interrompeu a importação de petróleo russo enviado ao continente por navios, o que corresponde a 2/3 da demanda total da região, em razão de sanções impostas à Rússia em junho. Além disso, países do bloco, membros do G7 e Austrália, fixaram um limite de preço da commodity russa em US$ 60 por barril, impedindo que empresas que atuam junto às exportações russas de petróleo, como transportadoras, seguradoras e bancos, com sede nestes países aceitem negociar carga acima deste valor. As medidas não tiveram impacto significativo no preço do petróleo. A Europa, desde que foi anunciado o pacote em junho, vinha se preparando para a interrupção do fornecimento russo. Em fevereiro de 2023 começam as sanções aos refinados de petróleo.

Os preços das commodities seguem com alta volatilidade. Entre os dias 2 e 8 de dezembro, o preço do petróleo diminuiu, refletindo preocupações com crescimento global. O gás natural subiu com temperaturas mais baixas na Europa, apesar dos estoques elevados no continente.

O PIB do 3T22 cresceu 0,3% em relação ao trimestre anterior, segundo a última estimativa do Eurostat. Houve aceleração nos investimentos e aumento do consumo, enquanto exportações líquidas diminuíram.

As vendas no varejo contraíram 1,8% em outubro frente ao mês anterior, com possível impacto da inflação elevada, que diminui o poder de compra dos consumidores e pesa negativamente sobre as vendas. O índice diminuiu na Alemanha (-2,8%) e França (-2,7%).

China: flexibilização da política de Covid zero

Em evento anual do Politburo que define direções para o país no próximo ano, o órgão formado pela liderança máxima do partido comunista adotou uma postura mais pró-crescimento econômico para 2023, reforçou uma política fiscal expansionista e monetária acomodativa e citou ajustes para a política de controle de Covid-19. Na próxima semana, a Conferência Central de Trabalho Econômico, evento da liderança do partido, definirá a agenda econômica do país seguindo as diretrizes do Politburo. A meta de crescimento para 2023 deve ser revelada em março. A expectativa é de algo em torno de 5%.

O número de casos de Covid-19 segue elevado, em torno de 15.000, mas bem abaixo do pico recente alcançado na semana anterior, possivelmente pela redução de testagens. O número de áreas de risco alto continua elevado, o que significa que restrições à mobilidade existem em vários locais. Um novo pacote com mais 10 medidas de flexibilização às restrições foi anunciado pela Comissão Nacional de Saúde. Entre as medidas estão uma melhor precisão na definição dos limites de áreas de risco alto (áreas de confinamento devem ser limitadas a prédios e não complexos, bairros ou cidades), redução de testagens frequentes, permissão de isolamento em casa para casos leves ou assintomáticos, além de medidas de prevenção como ampliação da vacinação de idosos e preparação de hospitais. Um aumento de casos é esperado no inverno.

A balança comercial registrou superávit bem menor do que o esperado, ficando em US$ 69,8 bilhões em novembro, com queda nas exportações e importações. Exportações encolheram 8,7% frente ao mesmo mês do ano anterior, com menor fluxo comercial para vários destinos e produtos em meio a desaceleração das economias. Problemas operacionais em portos chineses em razão de surtos de Covid-19 também pesaram sobre o fluxo de mercadorias. As importações contraíram 10,6% no mesmo período.

A inflação continuou cedendo. O índice de preços ao consumidor (CPI) desacelerou para 1,6% em novembro frente ao mesmo mês do ano anterior, segundo o Escritório Nacional de Estatísticas chinês (NBS, na sigla em inglês), refletindo desaceleração no preço de alimentos. O núcleo do índice (que exclui alimentos e energia) continuou baixo com fraca demanda doméstica em meio ao surto recente de Covid-19. O índice de preços ao produtor (PPI) teve queda de 1,3% no mesmo período, a segunda consecutiva.

Brasil

Focus: menos cortes de juros à frente

A projeção para o IPCA apresentou leve alta para 2022 (de 5,91% para 5,92%), alta para 2023 (de 5,02% para 5,08%) e permaneceu inalterada para 2024 (em 3,5%). O número esperado para o Produto Interno Bruto (PIB) registrou alta tanto para 2022 (passou de 2,81% para 3,05%) quanto para 2023 (de 0,70% para 0,75%). A taxa Selic ficou estável em 13,75% para o final deste ano, passou de 11,50% para 11,75% para 2023 e de 8,25% para 8,50% para 2024. As projeções estão no Boletim Focus, relatório do Banco Central que reúne a expectativa das instituições financeiras em relação aos principais indicadores econômicos do país.

Atividade: varejo registrou alta modesta em outubro

A Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) de outubro mostrou expansão de 0,5% frente ao mês anterior no volume de vendas no comércio varejista ampliado, resultado em linha com o mercado e abaixo do que nós projetávamos. A composição do indicador mostra que os segmentos sensíveis ao crédito registraram contração de 1,4%, enquanto aqueles mais sensíveis à renda registraram leve alta (0,1%). O aumento da massa salarial e a deflação dos últimos meses podem justificar a resiliência desse grupo. Já os segmentos sensíveis a crédito já sentem mais fortemente o impacto negativo do juro alto. Esse é o caso do segmento de materiais de construção, que caiu 3,5% no mês. Projetamos alta de 2,8% para o PIB de 2022 e de zero para 2023.

Inflação: IPCA surpreende em novembro

O IPCA de novembro registrou alta de 0,41% – abaixo do que nós (0,56%) e o mercado (0,53%) esperávamos. A maior surpresa em relação à nossa projeção foi concentrada em bens industriais, como higiene pessoal. O índice acumula alta de 5,9% na variação em 12 meses e mostra desaceleração. Nessa mesma métrica, a inflação de serviços está em 7,9% e já dá sinais incipientes de moderação. A inflação de bens industriais apresenta clara tendência de queda. Seguimos projetando IPCA de 5,6%, com leve viés de baixa em 2022, e de 5,9% para 2023. A inflação de preços livres deve continuar desacelerando a passos lentos.

O IGP-DI registrou deflação de 0,18% em novembro e acumula alta de 6,02% em 12 meses – trajetória de desaceleração. A composição dos índices de atacado mostrou o IPA agrícola com queda de 0,96% frente à queda de 1,81% no mês anterior. O núcleo do IPA industrial – que inclui apenas os itens relacionados à inflação de bens industriais do IPCA, excluindo alimentos, combustíveis e minério de ferro – registrou queda de 0,59% ante queda de 0,27% em outubro. No acumulado em 12 meses, este núcleo de bens industriais acumula alta de 5,38% e já mostra forte desaceleração. O IPA agrícola acumula alta de 5,1% em 12 meses. À frente, o IPA agrícola deve cair e o núcleo dos bens industriais deve seguir desacelerando no acumulado em 12 meses.

PEC da Transição foi aprovada no plenário do Senado

O Senado aprovou no plenário na quarta-feira (7/12), em dois turnos, o texto da PEC da Transição. A proposta amplia o teto de gastos em R$ 145 bilhões para 2023 e 2024 e exclui do teto até R$ 23 bilhões em investimentos no caso de excesso de arrecadação já a partir deste ano. A proposta também inclui recursos do PIS/Pasep para investimentos fora do teto no valor potencial de cerca de R$ 20 bi, além de outras medidas que também excluem gastos do teto. O espaço fiscal total liberado pela PEC pode superar R$ 200 bi de acordo com alguns cálculos. O período da excepcionalidade dos gastos ficou limitado a dois anos. Além disso, uma mudança relevante do texto é que o excesso de gastos não está “carimbado”, ou seja, não há um destino específico para os gastos extras, como havia na proposta inicial. Projeto segue para aprovação na Câmara.

Política monetária: Copom mantém Selic em 13,75% e dá ênfase aos riscos fiscais

O Banco Central do Brasil (BCB) confirmou as expectativas e manteve a taxa Selic em 13,75% na reunião de dezembro. O Comitê afirmou que se “manterá vigilante, avaliando se a estratégia de manutenção da taxa básica de juros por período suficientemente prolongado será capaz de assegurar a convergência da inflação”.

A projeção de inflação do BCB no cenário de referência passou de 5,8% para 6% em 2022, subiu de 4,8% para 5% para 2023 e de 2,9% para 3% para 2024. Este cenário supõe trajetória de juros que permanece em 13,75% até o final de 2022, reduz-se para 11,75% ao final de 2023 e para 8,50% ao final de 2024. O Comitê “optou novamente por dar ênfase ao horizonte de seis trimestres à frente, que reflete o horizonte relevante, suaviza os efeitos diretos decorrentes das mudanças tributárias, mas incorpora os seus impactos secundários”. A projeção para este período no modelo do BCB passou de 3,2% para 3,3%.

O destaque deste comunicado foi a ênfase dada ao fiscal. O Copom indicou que “acompanhará com especial atenção os desenvolvimentos futuros da política fiscal e, em particular, seus efeitos nos preços de ativos e expectativas de inflação, com potenciais impactos sobre a dinâmica da inflação prospectiva.”

A Selic está em patamar suficientemente alto para desacelerar a economia. Na nossa visão, após um período de manutenção dos juros no nível atual, o passo seguinte deve ser de flexibilização da política monetária. Entretanto, a maior incerteza sobre os gastos públicos pode sim afetar o plano de voo do Copom. O que vemos como mais provável é que o Banco Central mantenha por mais tempo a Selic em 13,75% ao ano, adiando, portanto, o ciclo de redução de juros. Aguardamos a ata da reunião, que será divulgada na próxima terça-feira (13), para termos mais detalhes sobre os rumos futuros da política monetária.

Equipe Econômica C6 Bank

Felipe Salles Head
Claudia Moreno Head Brasil
Claudia Rodrigues Head Internacional
Felipe Mecchi Internacional
Heliezer Jacob Brasil

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