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Resumo semanal: PIB americano tem forte expansão no terceiro trimestre

Confira as principais notícias da semana, segundo a avaliação da equipe econômica do C6 Bank

Atualizado em

Confira as principais notícias da semana (23/10-27/10), segundo a avaliação da equipe econômica do C6 Bank. Leia a íntegra do relatório.

C6 Bank Felipe Salles Foto: Germano Lüders 04/08/2021

Internacional

Estados Unidos: PIB acima do esperado

O PIB registrou expansão de 4,9% no 3T23 em relação ao trimestre anterior, anualizado e com ajuste sazonal, de acordo com a primeira estimativa do Departamento do Comércio americano. O resultado veio acima do esperado e acelerou frente ao trimestre anterior. Na composição do indicador, o consumo das famílias teve a maior contribuição para o crescimento do PIB no período, quase 3 pontos percentuais, refletindo um mercado de trabalho aquecido, com demanda maior que oferta de trabalhadores. A economia segue vigorosa nos EUA, mas deve desacelerar no quarto trimestre, em linha com a política monetária restritiva do Banco Central americano (Federal Reserve, Fed). Não vemos, por ora, nenhum sinal de recessão.

A atividade segue em expansão moderada, segundo as prévias dos índices de gerentes de compras (PMIs, na sigla em inglês) do mês de outubro. O PMI composto, que inclui o setor de manufaturas e serviços, subiu 0,8 ponto para 51. O aumento do indicador veio com leve melhora em manufaturas (50) e expansão de serviços (50,9), ambos melhores que o esperado. Na composição do índice, a produção e a demanda subiram. O emprego segue robusto no setor de serviços.

Os pedidos de bens duráveis e de bens de capital seguem elevados e acima do nível pré-pandemia. O núcleo dos pedidos de bens duráveis, que exclui o setor de transportes, continuou em expansão no mês de setembro em relação ao mês anterior (0,5%), segundo relatório do Departamento do Comércio dos Estados Unidos. O núcleo dos pedidos de bens de capital, que exclui aeronaves e equipamentos de defesa, registrou expansão (0,6%) no mês. Os dados sugerem que investimentos continuam sólidos.

O setor imobiliário continua fraco, apesar de dados melhores na semana. A venda de casas novas subiu 12,3% em setembro, mas depois de queda acentuada no mês anterior, segundo dados do Departamento do Comércio americano. A venda de casas novas representa aproximadamente 15% do total de vendas de casas, sendo o restante atribuído a casas usadas, que tiveram queda no mês. O aumento dos juros no país tem impacto direto sobre a taxa de hipoteca de financiamentos imobiliários, o que afeta o setor. As vendas pendentes de casas subiram 1,1% em setembro frente ao mês anterior, depois de queda de 7% em agosto, segundo a Associação Nacional de Corretores de Imóveis (NAR, na sigla em inglês). Vendas pendentes costumam antecipar vendas de casas existentes.

Em relatório semanal, os pedidos iniciais de seguro-desemprego continuam em níveis baixos para padrões históricos, em 210 mil na semana encerrada em 21 de outubro, pouco acima da semana anterior revisada levemente para cima.

A renda e o consumo das famílias permanecem altos. A renda subiu 0,3% e os gastos 0,7% em setembro frente ao mês anterior, segundo dados do Departamento do Comércio.

A inflação segue pressionada. O índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês) subiu 0,4% em setembro em relação ao mês anterior, segundo dados do Departamento do Comércio americano. O núcleo do indicador, que exclui alimentos e energia, acelerou de 0,1% para 0,3%. No acumulado em doze meses, o PCE e o núcleo acumulam alta de 3,4% e 3,7%, respectivamente, bem acima da meta de 2% do banco central americano. A composição do índice mostra que o preço de bens já não é um problema, mas o preço de serviços continua pressionando o indicador, com salários acima da produtividade puxando o índice para cima.

Em nossa visão, a inflação deve desacelerar lentamente, com uma gradual desaceleração do mercado de trabalho em meio aos juros elevados. Mantemos nossa previsão de mais uma alta na taxa de juros este ano e acreditamos que os juros devem permanecer altos por um longo período. Os cortes devem começar de forma gradual e somente no fim de 2024.

Europa: BCE prevê juros elevados por muito tempo

A guerra entre Rússia e Ucrânia se estende pelo segundo ano. O conflito segue sem perspectiva de fim próximo.

O Banco Central Europeu (BCE) manteve as taxas de juros inalteradas, conforme esperado. Depois de dez aumentos consecutivos, o BCE, em decisão unânime, interrompeu o ciclo de alta. A taxa de depósito permaneceu em 4% ao ano – pico da série histórica. Em comunicado, o Banco justificou a manutenção com base nos dados recentes, que confirmam a avaliação anterior da instituição de que os juros mantidos nos níveis atuais por longo tempo terão contribuição significativa para levar a inflação à meta no médio prazo. O comunicado manteve que decisões futuras continuam dependentes de dados. A presidente do Banco, Christine Lagarde, durante a coletiva de imprensa, disse que não foram discutidos cortes de juros, pois seria prematuro. Em nossa visão, os juros devem permanecer elevados por um período prolongado.

A atividade segue em retração no início do 4T23, de acordo com as prévias dos índices de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês). O índice composto, que considera o setor de manufaturas e serviços, diminuiu 0,7 ponto para 46,5 em outubro, ficando menor que o esperado e permanecendo abaixo da marca dos 50 pontos pelo quinto mês consecutivo. Houve queda forte na demanda e contração na produção. O emprego também diminuiu acompanhando o menor ritmo de atividade e a inflação moderou levemente, apesar do aumento do preço do petróleo. Entre as maiores economias do bloco, os PMIs da Alemanha (45,8) e da França (45,3) seguem em contração. Em nossa visão, a região deve passar por uma recessão no fim do ano.

Na área do euro, a confiança do consumidor continuou fraca em outubro, segundo dados da Comissão Europeia. O indicador apresentava uma tendência de recuperação no fim de 2022, mas perdeu força nos três últimos meses. O índice segue bem abaixo da média pré-pandemia.

No Reino Unido, a atividade também encolheu em outubro. A prévia do PMI da região permaneceu praticamente estável em 48,6 pontos, 0,1 acima do mês anterior. Houve leve melhora em manufaturas (45,2), que segue em contração. Por dentro dos indicadores, a demanda e produção diminuíram. As contratações caíram e a pressão inflacionária de custos continuou reduzindo.

China: governo aumenta apoio à economia

Em evento bimestral do Comitê Permanente do Politburo do Partido Comunista (órgão constituído por 6 membros e liderado pelo presidente Xi Jinping), autoridades aprovaram aumento da quota de emissão de títulos do governo central, em RMB 1 trilhão, permitindo déficit maior no ano, de 3% para 3,8% do PIB. Os proventos serão usados para apoiar investimentos em infraestrutura e ajudar governos locais. O movimento evidencia uma preocupação do governo central com o crescimento da economia – que deve alcançar a meta de 5% este ano – e com a situação fiscal de várias províncias. Tal medida deve apertar as condições de liquidez no curto prazo, o que pode levar o Banco do Povo da China (PBoC, na sigla em inglês) a agir cortando o compulsório bancário e/ou diminuindo a taxa de juros da economia.

O lucro da indústria subiu 11,9% em setembro comparado ao mesmo mês do ano anterior, de acordo com o Departamento Nacional de Estatísticas da China (NBS, na sigla em inglês). O aumento é o segundo consecutivo desde meados de 2022, em razão de uma expansão da atividade industrial depois de medidas de suporte do governo.

Commodities: conflito no Oriente Médio mantém foco em ouro e petróleo

O conflito entre Israel e o Hamas se estende pela terceira semana. Israel diz estar preparando uma entrada por terra em Gaza – algumas incursões de curta duração foram iniciadas. Ajuda humanitária para população em Gaza começou esta semana, mas segue insuficiente e a entrada de suprimentos tem sido lenta. A crise geopolítica pode demorar algum tempo. Não houve impacto relevante nos mercados globais por enquanto, mas a volatilidade dos preços de algumas commodities aumentou, dadas as preocupações quanto a uma escalada do conflito na região, que é a maior exportadora de petróleo.

O preço do ouro alcançou maior patamar em 12 semanas e desde o início do conflito (6/10) subiu 8,5%, refletindo maior busca por ativos seguros em meio à crise.

Os preços das commodities energéticas continuaram com volatilidade alta na semana. O preço futuro do petróleo (Brent) recuou 5% entre os dias 19 e 26 de outubro, terminando o período em 88 dólares por barril. Desde o início do conflito, o preço do petróleo acumula alta de 4%. O preço futuro do gás natural na Europa ficou praticamente estável no mesmo período, com previsão de temperatura mais amena no continente europeu. Apesar da alta do preço do gás natural em razão da guerra entre Rússia e Ucrânia, o preço já recuou e está abaixo da média de janeiro de 2022 (pré-guerra).

Os preços futuros das commodities agrícolas na Bolsa de Chicago recuaram na semana. A variação do preço futuro negociado do trigo, milho e soja foi de -2%, -5%, -3% respectivamente. Expectativas de melhores colheitas e mais oferta no mercado global contribuíram para redução dos preços.

Brasil

Focus: projeções de inflação dentro do limite superior da meta em 2023

As projeções para o IPCA caíram para 2023 (de 4,75% para 4,65%) e ficaram estáveis para 2024 (de 3,88% para 3,87%), para 2025 (3,5%) e para 2026 (3,5%). O número esperado para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) não teve alterações para 2023 (de 2,92% para 2,9%) e 2024 (1,5%). A taxa Selic está em 11,75% para 2023, em 9% para 2024 e em 8,5% para 2025 e 2026. As projeções estão no Boletim Focus, relatório do Banco Central que reúne a expectativa das instituições financeiras em relação aos principais indicadores econômicos do país.

Inflação: IPCA-15 de outubro apresenta composição mais benigna

O IPCA-15 de outubro registrou alta de 0,21%, em linha com a nossa projeção (0,21%) e com o consenso de mercado (0,20%). O índice acumula alta de 5,05% na variação em 12 meses, número praticamente estável em relação ao mês anterior. A composição mostrou uma abertura positiva: houve surpresa para baixo em diversos itens de serviços, apesar da alta acima do previsto em passagem aérea. A média dos núcleos da inflação calculada pelo Banco Central, uma medida mais limpa da tendência dos preços, mostra desaceleração, mas segue em patamar elevado. O índice está em 4,8% em 12 meses. Nesta mesma métrica, serviços estão em 5,4% e bens industriais em 3,1%. A inflação de serviços deve permanecer pressionada em função do mercado de trabalho apertado. Nas nossas projeções, o IPCA acumulado em 12 meses deve encerrar 2023 em 5,2%. Para 2024, nossa previsão é que a inflação fique em 5,5%.

Congresso: relatório da Reforma Tributária é apresentado

O relator da Reforma Tributária no Senado, Eduardo Braga (MDB-AM), apresentou nesta semana o relatório da Proposta de Emenda à Constituição (PEC). O parecer institui um aumento do Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional (FNDR), um limite para a carga tributária sobre o consumo e restrição do número de itens da cesta básica com alíquota zero. A votação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) deve ser no dia 7 de novembro e no plenário na mesma semana.

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (25) o PL 4.173/23, que regulamenta a tributação dos fundos exclusivos e offshores. O texto estabelece uma alíquota de 8% para o estoque dos fundos e uma de 15% para o fluxo. O governo espera arrecadar R$ 20 bi com a medida em 2024. No mesmo dia, no Senado, foi aprovado o projeto de lei que estende até 2027 a desoneração da folha de pagamentos de 17 setores da economia. O projeto de lei prevê também que municípios com menos de 142,6 mil habitantes terão redução na alíquota da contribuição previdenciária patronal. A renúncia fiscal pode chegar a R$20 bi por ano.

Equipe Econômica C6 Bank

Felipe Salles Head
Claudia Moreno Head Brasil
Claudia Rodrigues Head Internacional
Felipe Mecchi Internacional
Heliezer Jacob Brasil

Este relatório foi preparado pelo Banco C6 S.A.

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