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Resumo semanal: reforma tributária é promulgada

Confira as principais notícias da semana, segundo a avaliação da equipe econômica do C6 Bank

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Confira as principais notícias da semana (18/12-22/12), segundo a avaliação da equipe econômica do C6 Bank. Leia a íntegra do relatório.

Internacional

Estados Unidos: inflação desacelera

A inflação segue diminuindo lentamente. O índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês) diminuiu 0,1% em novembro em relação ao mês anterior, segundo dados do Departamento do Comércio americano. O núcleo do indicador, que exclui alimentos e energia, teve leve aumento (0,1%). No acumulado em doze meses, o núcleo do PCE acumula alta de 3,2%, permanecendo acima da meta de 2% do banco central americano, mas cedendo em relação ao período anterior. A composição do índice mostra que o preço de bens não é um problema, mas o preço de serviços continua elevado, pressionando o indicador. Com o desaquecimento gradual do mercado de trabalho, nossa expectativa é que a inflação continue desacelerando lentamente. No entanto, acreditamos que cortes de juros só devem ocorrer no segundo semestre de 2024, com algum risco de ocorrer antes depois de mensagens do banco central americano (Federal Reserve – Fed).

O setor imobiliário continua fraco. A venda de casas usadas teve leve aumento de 0,8% em novembro em relação ao mês anterior, segundo a Associação Nacional de Corretores de Imóveis (NAR, na sigla em inglês). As vendas de casas usadas, que representam mais de 80% das vendas do mercado imobiliário, começaram a diminuir no início de 2022 e estão no menor patamar dos últimos dez anos. O estoque de casas disponíveis para venda segue baixo, mantendo pressão sobre os preços. Outros dados, divulgados pelo Departamento do Comércio, mostram que os núcleos dos indicadores de permissões para construir e de construções iniciadas aumentaram no mês de novembro, sugerindo alguma melhora do setor. Em outra pesquisa, o índice de confiança das construtoras (NAHB Housing Market Index) registrou aumento no mês de dezembro, após quatro meses consecutivos em queda. O índice segue bem abaixo do nível pré-pandemia. De modo geral, os preços e as taxas de hipoteca elevados diminuem a atividade do setor. 

Em relatório semanal, os pedidos iniciais de seguro-desemprego continuam em níveis baixos para padrões históricos, em 205 mil na semana encerrada em 16 de dezembro, 2 mil acima da semana anterior revisada.

A renda e o consumo das famílias permaneceram elevados. A renda e os gastos subiram 0,4% e 0,2%, respectivamente, em novembro frente ao mês anterior, segundo dados do Departamento do Comércio. Houve corte nos gastos com bens pelo segundo mês seguido e aumento no gastos com serviços.

Os pedidos de bens duráveis e de bens de capital seguem elevados. O núcleo dos pedidos de bens duráveis, que exclui o setor de transportes, cresceu no mês de novembro em relação ao mês anterior (0,5%), segundo relatório do Departamento do Comércio dos Estados Unidos. O núcleo dos pedidos de bens de capital, que exclui aeronaves e equipamentos de defesa, registrou expansão (0,8%) no mês. Os dados sugerem que os investimentos continuam sólidos.

Europa: membros do BCE indicam fim do ciclo de alta

A guerra entre Rússia e Ucrânia se estende e está próxima de completar dois anos. O conflito segue sem perspectiva de fim próximo.

Na área do euro, a confiança do consumidor melhorou nos últimos dois meses, mas continuou fraca em dezembro, segundo dados da Comissão Europeia. O índice segue bem abaixo da média pré-pandemia.

Membros do Banco Central Europeu (BCE) falam que é bem provável que os juros tenham alcançado o pico, mas cortes não devem acontecer tão cedo. O presidente do Banco da França falou que os juros devem permanecer parados por tempo suficiente para garantir que a inflação está controlada e acredita que uma redução pode acontecer em algum momento em 2024. O presidente do banco central da Alemanha alerta que cortes não são iminentes, mas a probabilidade é alta de juros terem alcançado o pico. O vice-presidente do BCE, Luis de Guindos, disse que uma redução dos juros só deve ocorrer depois de verem a inflação convergindo claramente e de forma estável para a meta de 2%. Segundo Guindos, ainda é cedo para vermos isso e alertou para pressão de custos de salários e de margens de lucros de empresas. Em nossa visão, os juros devem permanecer elevados por mais algum tempo.

No Reino Unido, a economia encolheu no 3T23, em relação ao trimestre anterior, com ajuste sazonal, de acordo com a divulgação final do Escritório Nacional de Estatísticas (ONS, na sigla em inglês). A prévia indicava estabilidade e, portanto, a medida veio pior que o esperado, com contração maior do consumo e das exportações.  No último mês do trimestre, o crescimento foi levemente positivo, o que pode ajudar a um melhor resultado no 4T.

Japão: BoJ mantém juros negativos

O Banco do Japão (BoJ, na sigla em inglês) manteve a taxa de juros de referência em -0,1% e a meta dos rendimentos de títulos públicos de longo prazo em 0%, conforme esperado. O presidente do Banco, Kazuo Ueda, disse ser difícil elaborar um plano para deixar a política de juros negativos. No entanto, Ueda não eliminou chances de uma normalização nos próximos meses, mas acrescentou que a probabilidade de acontecer em janeiro é baixa. Seria necessário terem mais evidências que o objetivo da instituição, de estabilidade de preços, está encaminhado antes de alterarem a política.

Em outubro, o núcleo da inflação, que exclui alimentos frescos e energia, cresceu 4% no acumulado em 12 meses. O país tem histórico de deflação.

China: juros parados

O Banco do Povo da China (PBoC, na sigla em inglês) manteve as taxas de juros de curto prazo (LPR 1 ano) e de longo prazo (LPR 5 anos) inalteradas, conforme esperado. A LPR 1 ano permaneceu em 3,45% e a LPR 5 anos em 4,2%. O PBoC tem optado por medidas mais direcionadas a certos setores ao invés de medidas mais amplas. O Banco também tem preferido injetar liquidez no sistema financeiro para apoiar a economia e estabilizar crédito, já que tem pouca margem de manobra com as taxas de juros. Um diferencial muito grande com os juros americanos pode levar a pressão maior sobre a moeda doméstica e aumentar a saída de capital.

Commodities: petróleo sobe com ataques a navios no Canal de Suez

O conflito entre Israel e o Hamas está no terceiro mês. Não houve impacto relevante nos mercados globais por enquanto, mas a atenção continua quanto a uma possível escalada do conflito na região, que é a maior exportadora de petróleo. A crise geopolítica pode demorar algum tempo.

O dólar permaneceu estável, depois de perder força na semana anterior em meio a comunicação do Fed, que reforçou expectativas de juros menores à frente. A trajetória da moeda americana, que era de valorização desde meados de julho frente às principais moedas, começou a inverter a partir de novembro com sinais de que o ciclo de alta de juros do Fed terminou. A desvalorização do dólar mais recentemente dá suporte aos preços de commodities que usam como referência a moeda americana.

O preço do ouro ficou praticamente estável na semana, permanecendo 11% acima do registrado antes do início do conflito entre Israel e Hamas (6/10).

O preço futuro do petróleo (Brent) subiu 3,5% na semana de 14 a 21 de dezembro, fechando o período em 80 dólares por barril. O aumento no preço ocorreu depois de interrupções no fluxo de navios pelo Canal de Suez e no Mar Vermelho, em razão de ataques de militantes houthis do Iêmen, apoiados pelo Irã e contra Israel. Navios cargueiros têm optado por rotas mais longas. Além disso, Angola anunciou sua saída da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) por não aceitar o limite de produção imposto pelo líder do grupo, Arábia Saudita. A saída do país não deve ter impacto relevante sobre o preço do petróleo, em razão de sua baixa produção, mas pode aumentar o poder de barganha de outros países do grupo, como Emirados Árabes, sobre suas quotas de produção.

O preço futuro do gás natural na Europa segue baixo e ficou praticamente estável na semana, com estoques elevados da commodity no continente europeu e temperatura amena, diminuindo a demanda por aquecimento. Desde o início do conflito entre Rússia e Ucrânia, o preço do gás natural já recuou e está menos da metade do preço de janeiro de 2022 (pré-guerra).

O preço futuro das commodities agrícolas na Bolsa de Chicago segue com volatilidade normal. Na semana de 14 a 21 de dezembro, os preços do trigo e do milho subiram 3,5% e o preço da soja ficou praticamente estável.

Brasil

Focus: projeções estáveis

As projeções para o IPCA ficaram estáveis para 2023 (de 4,51% para 4,49%), para 2024 (3,93%), para 2025 (3,5%) e para 2026 (3,5%). Os números esperados para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) não tiveram alterações para 2023 (2,92%) e nem para 2024 (1,51%). A taxa Selic permaneceu em 11,75% para 2023, em 9,25% para 2024 e em 8,5% para 2025 e 2026. As projeções estão no Boletim Focus, relatório do Banco Central que reúne a expectativa das instituições financeiras em relação aos principais indicadores econômicos do país.

Fiscal: LOA é aprovada na Comissão Mista de Orçamento

A Comissão Mista de Orçamento aprovou na quinta-feira (21) o projeto da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2024. O texto prevê um pequeno superávit de R$ 3,5 bilhões, tendo um limite de R$ 2 trilhões em despesas devido ao novo regime fiscal.  O fundo eleitoral receberá aproximadamente R$5 bilhões, um aumento de 96% em relação às eleições de 2020, já descontada a inflação. O texto deve ser votado hoje (22) – o último dia de sessão legislativa deste ano – em sessão conjunta no Congresso Nacional.

Reforma tributária é promulgada no Congresso Nacional

O Congresso Nacional promulgou nesta quarta-feira (20) a Emenda Constitucional 132, que promove uma reforma da tributação sobre o consumo. O texto propõe a adoção de um imposto único sobre o consumo de bens e serviços, com recolhimento em duas frentes diferentes (razão pela qual o termo IVA Dual tem sido empregado). A emenda define também, entre outros pontos, que o novo sistema tributário deixe de cobrar impostos no local onde o bem é produzido e passe a cobrar no local onde é consumido.

Política monetária: Copom mantém cautela na condução de política monetária

O Banco Central divulgou nesta terça-feira (19) a ata das reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) dos dias 12 e 13 de dezembro. Acreditamos que a comunicação do Copom é compatível com quedas adicionais de 0,5% na taxa Selic nas duas próximas reuniões. Não houve nenhuma sinalização que abra espaço para uma aceleração do ritmo de cortes de juros.

A ata manteve os parágrafos que fazem referência ao fiscal, sinalizando que a preocupação com o assunto permanece. Em um trecho que fala sobre a desancoragem das expectativas de inflação, continuou afirmando que “o Comitê avalia que a redução das expectativas requer uma atuação firme da autoridade monetária, bem como o contínuo fortalecimento da credibilidade e da reputação tanto das instituições como dos arcabouços fiscal e monetário que compõem a política econômica brasileira.”

Sobre o cenário externo, o Comitê avaliou que “a conjuntura internacional se mostra menos adversa”. No entanto, o texto afirmou que “manteve a avaliação que, diante da volatilidade recente e da incerteza à frente no cenário internacional, de que é apropriado adotar uma postura de cautela, principalmente em países emergentes”.

Sobre a discussão de condução de política monetária, o Comitê adicionou uma frase afirmando que “a incorporação de cenários e variáveis exógenas, como a dinâmica fiscal ou o cenário externo, se dá por meio de seus impactos na dinâmica prospectiva de inflação, sem relação mecânica com a determinação da taxa de juros”. Esse trecho, na nossa visão, enfatiza que não há efeito direto de uma mudança na política monetária internacional sobre a doméstica.

Não houve alteração quanto às indicações dos rumos da política monetária. O texto segue indicando que “os membros do Comitê concordaram unanimemente com a expectativa de cortes de 0,50 ponto percentual nas próximas reuniões e avaliaram que esse é o ritmo apropriado para manter a política monetária contracionista necessária para o processo desinflacionário.”

Esperamos cortes de 50 pontos-base para as reuniões de janeiro e de março do ano que vem. Projetamos Selic em 9,25% ao final de 2024.

Equipe Econômica C6 Bank

Felipe Salles Head
Claudia Moreno Head Brasil
Claudia Rodrigues Head Internacional
Felipe Mecchi Internacional
Heliezer Jacob Brasil

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