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Resumo semanal: segue a indefinição sobre a PEC da Transição

Confira as principais notícias da semana, segundo a avaliação da equipe econômica do C6 Bank

Atualizado em

Confira as principais notícias da semana (21/11-25/11), segundo a avaliação da equipe econômica do C6 Bank. Leia a íntegra do relatório.

Internacional

Estados Unidos: ata do Fed sugere menor aumento de juros em dezembro

O Banco Central americano (Federal Reserve – Fed) divulgou a ata da última reunião realizada em novembro, quando houve decisão unânime por aumento de 75 pontos-base na taxa de juros, o quarto consecutivo desta magnitude. Segundo a ata, uma maioria substancial de membros do Comitê apontou que uma redução no ritmo de aumento de juros pode ser apropriada em breve. Além disso, vários participantes acreditam que a taxa de juros no fim do ciclo deve ser pouco maior do que esperavam anteriormente (as últimas projeções, apresentadas em setembro, previam taxa final de 4,6% em 2023). Membros também discutiram o efeito defasado da política monetária sobre a atividade e consideram que o impacto total ainda não foi observado. Todos estes pontos já tinham sido mencionados pelo presidente do Fed, Jerome Powell, logo após a reunião. Em nossa visão, a ata reforça as apostas de que o Fed aplicará um aumento de juros de 50 pontos-base na próxima reunião de dezembro e que os juros no fim do ciclo devem girar em torno de 5% ao ano ou um pouco mais. Acreditamos que o Fed deve manter os juros elevados por período prolongado para trazer a inflação para a meta de 2% ao ano.

A atividade segue desacelerando. As prévias dos índices de gerentes de compras (PMIs, na sigla em inglês) do mês de novembro indicaram contração e diminuíram em relação ao mês anterior. O PMI composto, que inclui o setor de manufaturas e serviços, caiu 1,9 ponto para 46,3, em razão de piora no setor de serviços e manufaturas. Houve queda na demanda em ambos os setores, o emprego teve melhora marginal, a pressão inflacionária continua, porém desacelerou. No detalhe, o PMI de serviços diminuiu 1,7 ponto para 46,1 e o PMI de manufaturas diminuiu 2,8 pontos para 47,6.

Os pedidos de bens duráveis e de bens de capital (excluindo aeronaves e equipamentos de defesa) subiram em outubro, segundo o Departamento do Comércio. Ambos os indicadores permanecem acima do nível pré-pandemia.

O mercado de trabalho continua forte. Em relatório semanal, os pedidos iniciais de seguro-desemprego subiram, mas continuam em níveis baixos para padrões históricos, em 240 mil na semana encerrada no dia 19 de novembro.

O setor imobiliário segue em forte retração. As vendas de moradias novas acumulam queda de 24,7% no ano até outubro. No mês, houve alta de 7,5%, que apenas reverteram parte da queda do mês anterior. As taxas de hipotecas mais elevadas têm pesado sobre a atividade imobiliária desde o início do ano.

Europa: ata do BCE indica decisões de juros a cada reunião

O Banco Central Europeu (BCE) divulgou a ata da reunião de outubro, quando foi decidido um aumento de 75 pontos-base nas taxas de juros, o segundo consecutivo dessa magnitude. Conforme a ata, o aumento foi aprovado por ampla maioria, poucos preferiam um ajuste menor de 50 pontos-base. Durante a reunião, foi lembrado que o nível de juros continua acomodativo e que após o aumento ficaria mais próximo do neutro. Membros reforçaram preocupação com núcleo da inflação, que ainda não se estabilizou, e definiram que a trajetória dos juros será decidida a cada reunião a depender das perspectivas para a inflação e economia.

O conflito entre Rússia e Ucrânia se estende e completou nove meses. Bombardeios russos continuam com mísseis de longo alcance direcionados principalmente para infraestruturas de energia, enquanto tropas russas têm dificuldades de avançar por terra. Várias regiões do país, inclusive a capital, enfrentam blackouts prolongados. A falta de energia com temperaturas abaixo de zero no país levou o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, a pedir ao Conselho de Segurança da ONU para chamar os bombardeios russos de crime contra humanidade.

Os ministros de energia dos países da União Europeia discutiram medidas para limitar preços de petróleo russo e de gás natural. Quanto ao gás natural, autoridades adiaram para meados de dezembro uma definição formal para o preço da commodity, depois que a proposta da Comissão Europeia, apresentada esta semana, foi bastante criticada por fixar um preço elevado e, portanto, tornar-se praticamente inócua. Quanto ao preço do petróleo, um impasse entre US$ 65 – US$ 70 por barril levou a decisão a ser adiada para que se busque um consenso. A partir de 5 de dezembro, países da União Europeia começam a impor sanções sobre o petróleo russo transportados por navio (o que exclui, portanto, volumes movimentados por gasodutos, pequena parte do total).

Os preços das commodities seguem com alta volatilidade. Entre os dias 18 e 24 de novembro, o preço do petróleo recuou, refletindo um cenário global de desaceleração da atividade econômica e piora do quadro de Covid-19 na China. O gás natural subiu 7%, apesar dos estoques elevados no continente europeu, com expectativas de temperatura mais baixa em breve.

A atividade contraiu pelo quinto mês consecutivo em novembro, de acordo com as prévias dos índices de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês). No entanto, o índice veio melhor que o esperado e acima do nível do mês anterior. Houve queda na demanda, mas os empregos permaneceram resilientes e a pressão de preços diminuiu. Tanto o PMI de manufaturas quanto o de serviços surpreenderam positivamente, mas continuam abaixo de 50 pontos. O PMI de serviços ficou estável em 48,6 e o de manufaturas subiu 0,9 ponto, para 47,3. O índice de manufaturas permaneceu em território contracionista pelo quinto mês consecutivo. Houve crescimento no índice composto reportado pela Alemanha (46,4 pontos), enquanto na França o índice diminuiu (48,8 pontos), com deterioração no setor de serviços.

A confiança do consumidor (índice de sentimento econômico, calculado pela Comissão Europeia) aumentou 3,6 pontos em novembro, maior nível dos últimos cinco meses, sinalizando alguma resiliência das famílias. Apesar da melhora, o índice continua em nível baixo, próximo da mínima histórica alcançada em setembro.

A prévia do PMI inglês sinalizou contração pelo quarto mês consecutivo, com manufaturas e serviços se mantendo abaixo de 50 em novembro, mas permanecendo estáveis em relação ao mês anterior. O PMI de manufaturas permaneceu em 46,2 e o PMI de serviços em 48,8. A demanda caiu no ritmo mais rápido dos últimos dois anos, afetando manufaturas e serviços. O emprego subiu moderadamente.

China: casos de Covid-19 superam surto anterior

O número de casos de Covid-19 continuou subindo e superou o pico alcançado em março deste ano durante o lockdown de Xangai, chegando a mais de 30.000. O número de áreas de alto risco também subiu fortemente, o que significa que restrições à mobilidade aumentaram nesses locais. Os casos estão mais concentrados em duas províncias, Guangdong e Chongqing, mas já aparecem em grandes cidades. Pequim, por exemplo, fechou alguns distritos, aulas foram suspensas, escritórios, shoppings e centros de entretenimento foram fechados. Governos locais têm adotado o confinamento por áreas menores, como quarteirões e distritos, evitando um confinamento mais abrangente a nível de cidade, mas a disseminação dos casos tem desafiado autoridades.

Em reunião semanal, o Conselho de Estado sinalizou apoio ao crescimento da economia, indicando, entre outras medidas, possível corte do compulsório bancário para manter a liquidez em nível apropriado. Autoridades também irão encorajar empréstimos bancários direcionados à entrega pontual de imóveis pré-vendidos e estimular a construção de grandes projetos.

Após indicação do Conselho de Estado, o Banco Central da China (PBOC, na sigla em inglês) anunciou corte de 25 pontos-base no compulsório bancário, o segundo no ano. A medida aumentará a liquidez em RMB 500 bilhões (US$ 70 bilhões).

Em decisão no início da semana, o PBOC manteve inalteradas as taxas de juros de curto prazo (LPR 1 ano) e de longo prazo (LPR 5 anos), conforme esperado. A LPR 1 ano permaneceu em 3,65% e a LPR 5 anos em 4,30%. Na semana anterior, o Banco Central já tinha deixado inalterada a taxa de médio prazo em meio a pressão sobre a moeda chinesa que tem se desvalorizado com a desaceleração da economia e aumento de juros nos Estados Unidos.

Brasil

Focus: expectativa de inflação para 2024 permanece estável

A projeção para o IPCA apresentou alta tanto para 2022 (de 5,82% para 5,88%) quanto para 2023 (de 4,94% para 5,01%) e ficou estável para 2024 (em 3,5%). O número esperado para o Produto Interno Bruto (PIB) registrou leve alta para 2022 (passou de 2,77% para 2,80%) e ficou estável para 2023 (em 0,70%). A taxa Selic ficou estável em 13,75% para o final deste ano, passou de 11,25% para 11,50% para 2023 e ficou estável em 8% para 2024. As projeções estão no Boletim Focus, relatório do Banco Central que reúne a expectativa das instituições financeiras em relação aos principais indicadores econômicos do país.

Inflação: IPCA-15 de novembro registra alta no mês

O IPCA-15 de novembro registrou alta de 0,53%, praticamente em linha com o esperado pelo mercado (0,55%) e por nós (0,48%). O índice acumula alta de 6,17% na variação em 12 meses e continua mostrando desaceleração. A média dos núcleos da inflação calculada pelo Banco Central, uma medida mais limpa da tendência dos preços, também mostra desaceleração, mas segue em patamar elevado, acumula alta de 9,4% em 12 meses. A inflação de serviços acumula alta de 8,0% e a de bens industriais de 10,1%. Ambos os segmentos devem desacelerar a passos lentos. A inflação de serviços sofre com os efeitos da inércia inflacionária e, por isso, demora mais a ceder. Projetamos que o IPCA deve terminar 2022 em 5,6%, com leve viés de alta. Para 2023, nossa previsão é que a inflação se mantenha estável, em 5,7%.

Fiscal: apresentação do novo texto da PEC da Transição é adiado

O governo eleito precisou adiar a entrega do novo texto da PEC da Transição para a semana que vem por falta de consenso. Expectativa agora é que o projeto seja protocolado no Senado na próxima terça-feira. A proposta deve deixar de fora do teto de gastos as despesas relacionadas ao Auxílio Brasil, no valor total de R$ 175 bilhões em 2023. O principal impasse é o período da excepcionalidade. O prazo para aprovação no Senado e, em seguida, na Câmara é apertado. Lembrando que após a aprovação da PEC é necessário aprovar também o orçamento de 2023 antes do recesso parlamentar. Diante disso, a equipe de transição já considera como alternativa manter o Auxílio Brasil no valor de R$ 600 através de crédito extraordinário via medida provisória.

Equipe Econômica C6 Bank

Felipe Salles Head
Claudia Moreno Head Brasil
Claudia Rodrigues Head Internacional
Felipe Mecchi Internacional
Heliezer Jacob Brasil

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