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Ata do Copom: nossa visão

Leia a íntegra da análise da equipe econômica do C6 Bank

Atualizado em

Leia a íntegra da análise da equipe econômica do C6 Bank, liderada pelo economista-chefe Felipe Salles, Bank, sobre a ata do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central divulgada nesta terça-feira (14).

Na imagem, a equipe econômica do C6 Bank está sentada em uma pequena arquibancada, Claudia Rodrigues (Head Internacional), Felipe Salles (Head) e Heliezer (Brasil) estão na primeira fileira. Claudia Moreno (Head Brasil) e Felipe Mecchi (Internacional) na segunda fileira, acima. A equipe sorri para foto e veste roupa neutras. Ao fundo, vista para prédios e árvores.
Equipe econômica do C6 Bank. Foto: Wanezza Soares.

Ata reforça proximidade do fim do ciclo de corte de juros

O Banco Central divulgou nesta terça-feira (14) a ata das reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) dos dias 7 e 8 de maio, apresentando mais detalhes sobre a decisão de política monetária.

No comunicado em que anunciou a decisão, o Copom optou por um corte menor do que o previamente sinalizado de 50 pontos-base. Houve, portanto, uma mudança no rumo da política monetária. A decisão não foi unânime. Dos nove membros votantes, cinco votaram a favor de uma redução de 25 pontos-base, inclusive o presidente Roberto Campos Neto. Os demais –todos indicados pelo governo atual- votaram a favor de uma redução mais intensa, de 50 pontos-base.

No texto divulgado hoje, o Comitê traz os motivos da dissidência. O grupo que votou pelo corte menor de juros considerou que houve uma alteração no cenário por quatro motivos: 1) desancoragem adicional das expectativas; 2) elevação das projeções de inflação; 3) cenário internacional mais adverso e 4) atividade econômica mais dinâmica do que esperado. Os membros do Comitê que votaram pela redução maior de juros também compartilharam da percepção de aumento das incertezas, mas defenderam que o custo reputacional de não seguir o guidance poderia levar a uma “redução do poder das comunicações formais do Comitê”.  Esse mesmo grupo sugeriu também que o mais importante seria a taxa terminal de juros.

No âmbito doméstico, o Comitê se mostrou preocupado com o impacto do mercado de trabalho sobre a desinflação de serviços à frente. Como evidência preliminar dessa dinâmica, a autoridade monetária citou “a inflação nos serviços intensivos em trabalho, que tem se mostrado persistentemente acima do nível compatível com o cumprimento da meta”.

Por fim, a ata deu ênfase ao aumento do risco fiscal, observando que houve “um aumento do prêmio de risco e uma percepção de piora da situação fiscal”, segundo os agentes que respondem ao questionário Pré-Copom. Em seguida, o texto analisa os possíveis motivos para a recente desancoragem das expectativas de inflação, que poderiam estar associados à piora do cenário externo, à política fiscal ou a uma perda de credibilidade da autoridade monetária. Esse trecho mostra o incômodo do Comitê com a alta da expectativa de inflação de 2025 do Boletim Focus.

Projetamos, por ora, Selic em 10,25% ao final de 2024, com mais um corte de 25 pontos-base na próxima reunião. No entanto, diante da contínua piora das expectativas de inflação, acreditamos que a chance de não haver mais cortes de juros aumentou.

Equipe Econômica C6 Bank

Felipe Salles Head
Claudia Moreno Head Brasil
Claudia Rodrigues Head Internacional
Felipe Mecchi Internacional
Heliezer Jacob Brasil

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