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Resumo semanal: Governo espera déficit primário pior para 2024

Confira as principais notícias da semana (20/5-24/5), segundo a avaliação da equipe econômica do C6 Bank. Leia a íntegra do relatório.

Atualizado em

Claudia Moreno (Head Brasil), Felipe Salles (Head da equipe econômica) e Claudia Rodrigues (Head Internacional). Foto: Wanezza Soares.

Internacional

Estados Unidos: Fed não descarta alta de juros

A ata da reunião de maio do banco central americano (Federal Reserve – Fed) surpreendeu ao mostrar incerteza quanto ao grau de aperto da política monetária. Na ocasião, o Fed optou por uma pausa, a sexta consecutiva, mantendo os juros entre 5,25% e 5,5% ao ano – maior patamar em mais de 20 anos. Membros do FOMC comentaram que o processo de desinflação deve demorar mais tempo do que previam e, apesar de acreditarem que os juros estão em patamar restritivo, muitos estão incertos quanto ao nível atual ser suficiente para diminuir a inflação. Vários mencionaram a intenção de subir os juros se apropriado.

A atividade ganhou força em maio, segundo as prévias dos índices de gerentes de compras (PMIs, na sigla em inglês). O PMI composto, que inclui o setor de manufaturas e serviços, subiu 3,1 pontos para 54,4 pontos, maior nível desde meados de 2022. Houve aumento significativo no índice de serviços (54,8) e leve melhora em manufaturas (50,9). A produção aumentou em serviços e manufaturas, mas a demanda reduziu e as empresas contrataram menos no período. E os preços aceleraram.

As vendas de casas tiveram queda. As vendas de casas novas diminuíram 4,7% em abril em relação ao mês anterior, segundo dados divulgados pelo Departamento do Comércio. O nível de vendas de casas novas já voltou a média pré-pandemia, depois de forte aumento em meados de 2020-2021. As vendas de casas usadas contraíram 1,9% no mesmo mês, a segunda queda seguida, depois de forte alta no início do ano, segundo a Associação Nacional de Corretores de Imóveis (NAR, na sigla em inglês). Essas vendas, que representam mais de 80% das vendas do mercado imobiliário, diminuíram substancialmente no início de 2022 e permanecem em níveis baixos. O estoque de casas disponíveis para venda segue baixo, mantendo pressão sobre os preços. De modo geral, os preços e as taxas de hipoteca elevados mantêm as vendas do setor abaixo do nível pré-pandemia.

Os pedidos de bens duráveis e de bens de capital tiveram aumento moderado, mas acima do esperado, em abril. O núcleo dos pedidos de bens duráveis, que exclui o setor de transportes, subiu 0,4% em relação ao mês anterior, segundo relatório do Departamento do Comércio dos Estados Unidos. O núcleo dos pedidos de bens de capital, que exclui aeronaves e equipamentos de defesa, registrou alta 0,3%. Ambos os pedidos aceleraram levemente em relação ao mês anterior.

Em relatório semanal, os pedidos iniciais de seguro-desemprego ficaram de 222 mil na semana encerrada em 18 de maio. Os pedidos seguem baixos para padrões históricos.

Europa: atividade mantém melhora gradual

A guerra entre Rússia e Ucrânia está no terceiro ano e continua sem perspectiva de fim próximo.

A atividade continuou melhorando em maio, de acordo com as prévias dos índices de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês). O índice composto, que considera o setor de manufaturas e serviços, subiu 0,6 ponto para 51,7 no mês, apresentando melhora pelo quinto mês seguido, e se firmando em território expansionista, acima da marca dos 50 pontos, pelo terceiro mês consecutivo. O aumento do índice foi puxado por menor contração no setor de manufaturas (47,4) e firme expansão em serviços (53,3). A demanda por serviços segue crescente, mas a demanda por bens permanece frágil. O tempo de entrega de mercadorias continua diminuindo, depois de subir no início do ano quando houve interrupções no fluxo de navios pelo Mar Vermelho. A criação de emprego segue firme; os preços de insumos e de vendas desaceleraram, mas estão acima da média pré-pandemia. Entre as maiores economias do bloco, o PMI da Alemanha segue em expansão (52,2), com melhora em manufaturas (45,4) e serviços (53,9). O PMI da França apresentou leve redução (49,1), sinalizando estabilidade com melhora em manufaturas (apesar de ainda fracas) e menor expansão em serviços.

Os salários negociados na zona do euro subiram 4,7% no primeiro trimestre comparado ao mesmo período do ano anterior, segundo o índice do Banco Central Europeu (BCE). Apesar do forte aumento, o índice foi puxado por acordos salariais atrasados e pontuais na Alemanha, enquanto em outros países houve moderação. Economistas do BCE preveem crescimento elevado dos salários este ano, mas acreditam em menor pressão salarial à frente.

O índice de confiança do consumidor segue fraco. O índice calculado pela Comissão Europeia teve aumento modesto de 0,4 ponto em maio, mas segue abaixo da média pré-pandemia.

A presidente do BCE, Christine Lagarde, voltou a afirmar que um corte de juros em junho é bastante provável, dado o menor crescimento da inflação nos últimos meses. Lagarde se mostrou confiante na convergência da inflação à meta, que segundo projeções do BCE deve ocorrer em meados de 2025. Em nossa visão, o BCE deve cortar juros em junho em razão de um esfriamento da atividade econômica e da desaceleração da inflação em curso.

No Reino Unido, o indicador de atividade segue apontando expansão, porém mais moderada. A prévia do PMI registrou 52,8 pontos, 1,3 ponto abaixo de abril, permanecendo em expansão pelo sexto mês seguido, com melhora contínua do setor de serviços (52,9) e crescimento em manufaturas (51,3). Houve sólido aumento na demanda, mas dificuldades em contratações levaram a moderação na criação de emprego; os preços de insumos, como mão de obra, recuaram depois de forte alta em abril com o novo salário mínimo. Preços de venda desaceleraram.

O volume de vendas no varejo teve queda em abril em relação ao mês anterior, segundo dados divulgados pelo Escritório Nacional de Estatísticas (ONS, na sigla em inglês) britânico. No geral, vendas seguem fracas.

A inflação ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) veio novamente acima do esperado para os britânicos. O índice cheio subiu 0,3% em abril em relação ao mês anterior e o núcleo, que exclui alimentos, energia, álcool e tabaco, acelerou de 0,6% para 0,9% no mesmo período, segundo o Escritório Nacional de Estatísticas (ONS, na sigla em inglês). O setor de serviços continua sendo o principal responsável pela inflação. Em 12 meses, o núcleo subiu 3,9%, permanecendo elevado.

Mantemos nossa visão de que os juros devem permanecer em pausa no Reino Unido, em razão da persistência da inflação de serviços, no entanto, um corte de juros deve ocorrer no segundo semestre.

China: juros estáveis

O Banco do Povo da China (PBoC, na sigla em inglês) manteve as taxas de juros de curto prazo (LPR 1 ano) e de longo prazo (LPR 5 anos) inalteradas, conforme esperado. A LPR 1 ano permaneceu em 3,45% e a LPR 5 anos em 3,95% na decisão de maio. Com a inflação baixa no país e dados de atividade mais fracos que o esperado, existe uma expectativa de redução dos juros à frente. Tal medida, no entanto, tenderia a desvalorizar o yuan frente ao dólar, ao ampliar o diferencial de juros entre China e EUA. Até o momento, o governo chinês tem sinalizado que pretende manter o yuan estável.

Commodities: preços de grãos continuam em alta

O conflito entre Israel e o Hamas completou sete meses. A crise geopolítica pode demorar algum tempo. Até o momento não houve uma escalada do conflito na região, que é a maior exportadora mundial de petróleo.

O preço futuro do petróleo (Brent) recuou 2% na semana (entre 16 e 23/5) fechando o período em torno de 81 dólares por barril. O preço reflete uma redução das preocupações com o Oriente Médio e um aumento da produção de países fora da Organização de Países Exportadores de Petróleo e aliados (OPEP+). A aliança decidirá, no início de junho, se mantém os cortes da produção para além do 2T24. Uma manutenção dos cortes é esperada.

O preço futuro do gás natural na Europa subiu 16% na semana, mas segue em patamar baixo. Os estoques continuam elevados na região depois de um inverno ameno. O preço está baixo, menos de 40% do que era antes do início da guerra entre Rússia e Ucrânia.

Os preços futuros das commodities agrícolas na Bolsa de Chicago continuam subindo. Entre os dias 16 e 23 de maio, o preço do trigo subiu (5%), alcançando o maior nível em 10 meses, devido às geadas e o frio intenso que afetam a produção da Rússia, grande exportadora global. O clima adverso também causa preocupação na produção de outros grandes exportadores (EUA, Europa Ocidental e Austrália). A produção da Ucrânia também segue com dificuldades em meio a guerra contra a Rússia e a seca na região do Mar Negro. Os preços do milho e da soja subiram 1,5% e 1,8%, respectivamente na semana. O preço da soja tem apresentado uma tendência de alta desde o início de maio. As inundações que afetaram o sul do Brasil não ajudam – o país é o maior produtor e exportador da commodity e o estado do Rio Grande do Sul representa 8% da produção nacional.

Brasil

Focus: alta nas projeções de IPCA para 2025

As projeções para o IPCA subiram para 2024 (de 3,76% para 3,80%) e para 2025 (de 3,66% para 3,74%) mas não tiveram mudanças para 2026 (3,5%). O número esperado para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) teve leve queda para 2024 (de 2,09% para 2,05%) e ficou estável para 2025 (2%). A taxa Selic passou de 9,75% para 10% para 2024 e permaneceu em 9% para 2025 e 2026. As projeções estão no Boletim Focus, relatório do Banco Central que reúne a expectativa das instituições financeiras em relação aos principais indicadores econômicos do país.

Gráfico de linhas sobre projeções focus IPCA porcentagem ano ano. Análise ds medianas desde janeiro de 2022 até maio de 2024, evidenciando projeções que se distanciam da meta.

Setor externo: conta corrente apresenta piora

A conta corrente registrou déficit de US$ 2,5 bilhões no mês de abril. Considerando o dado com nosso ajuste sazonal, houve déficit de US$ 5,8 bilhões. O saldo foi positivo na balança comercial, porém negativo em serviços e rendas. No acumulado em 12 meses, o saldo de transações correntes está em -1,6% do PIB (US$ -35,3 bi), um déficit maior do que o mês anterior (-1,5% do PIB). O Investimento Estrangeiro Direto (IED) veio positivo em US$ 3,9 bilhões. Para 2024, projetamos déficit de US$ 18 bilhões e para 2025 um déficit de US$ 10 bilhões para as transações correntes.

Fiscal: governo revisa projeção de déficit primário de 2024

O governo federal divulgou na quarta-feira (22) o relatório de avaliação de receitas e despesas primárias do 2º bimestre. A projeção de déficit primário de 2024 passou de R$ 9,3 bilhões para R$ 14,5 bilhões, sendo R$ 6,3 bilhões de aumento de receitas líquidas e R$ 24,4 bilhões de despesas primárias (com R$ 13 bilhões de créditos extraordinários para o auxílio do Rio  Grande do Sul, que são desconsiderados da meta de resultado primário). O bloqueio preliminar de R$ 2,9 bilhões nas despesas foi retirado após a aprovação no aumento do limite de gastos em R$ 15,8 bilhões.

Equipe Econômica C6 Bank

Felipe Salles Head
Claudia Moreno Head Brasil
Claudia Rodrigues Head Internacional
Felipe Mecchi Internacional
Heliezer Jacob Brasil

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