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Resumo semanal: inflação segue alta nos EUA

Confira as principais notícias da semana (27/5-31/5), segundo a avaliação da equipe econômica do C6 Bank. Leia a íntegra do relatório.

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Felipe Salles, head da equipe econômica do C6 Bank, está em pé ao lado do corrimão de uma escada e olhando em direção à câmera
Felipe Salles, Head da Equipe Econômica do C6 Bank.

Internacional

Estados Unidos: inflação pressionada por serviços

O setor imobiliário apresentou dados fracos em abril. O indicador de vendas pendentes de casas contraiu 7,7% no mês, segundo a Associação Nacional de Corretores de Imóveis, sugerindo possível redução das vendas à frente. Na semana anterior, os indicadores de vendas também apresentaram queda. Apesar de vendas menores, o estoque de casas disponíveis para negociação segue baixo, mantendo pressão sobre os preços. De modo geral, os preços e as taxas de hipoteca elevados mantêm as vendas do setor abaixo do nível pré-pandemia.

A confiança do consumidor melhorou em maio comparada ao mês anterior, segundo o índice do Conference Board. Apesar do aumento, o indicador segue abaixo do nível pré-pandemia. Outro dado divulgado na pesquisa, a facilidade de conseguir emprego, também aumentou e segue apontando um mercado de trabalho aquecido.

Os preços de imóveis continuam subindo, apoiados nos baixos estoques de casas disponíveis para venda. Segundo dados divulgados pela Agência Federal de Financiamento da Habitação (FHFA, na sigla em inglês), os preços aumentaram 0,1% em março em relação ao mês anterior, mas a alta foi menor do que o esperado. Em doze meses, os preços acumulam alta de 6,7%.

A renda e o consumo das famílias permaneceram elevados em abril, a renda e os gastos do consumidor subiram 0,3% e 0,2%, respectivamente, frente a março, segundo dados do Departamento do Comércio. Os dados vieram em linha com o esperado. Gastos com serviços continuaram aumentando no período, enquanto gastos com bens recuaram.

A inflação segue persistente em serviçosEm abril, o índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês) aumentou 0,3% em relação ao mês anterior, segundo dados do Departamento do Comércio americano. O núcleo do indicador, que exclui alimentos e energia, aumentou 0,2%. Ambos os indicadores vieram conforme o esperado. Em doze meses, o núcleo do PCE continua acumulando alta de 2,8%, permanecendo acima da meta de 2% do banco central americano (Federal Reserve – Fed). Os preços de serviços mantêm pressão sobre o indicador e os preços de bens recentemente voltaram a subir. Em nossa visão, a inflação tem dado sinais de estar se estabilizando em torno de 3%.

Em relatório semanal, os pedidos iniciais de seguro-desemprego ficaram em 219 mil na semana encerrada em 25 de maio e seguem baixos para padrões históricos.

O PIB registrou expansão de 1,3% no 1T24 em relação ao trimestre anterior, anualizado e com ajuste sazonal, de acordo com a segunda estimativa do Departamento do Comércio americano. O dado veio abaixo da divulgação anterior, mas em linha com o esperado. A redução no índice ocorreu principalmente pela menor contribuição do consumo das famílias nos gastos com bens. Apesar da revisão para baixo, a indicação é de economia aquecida, com consumo e investimento fortes e em parte atendidos por aumento nas importações.

Europa: inflação mais persistente que o esperado

A guerra entre Rússia e Ucrânia está no terceiro ano e continua sem perspectiva de fim próximo.

O mercado de trabalho permanece robusto. A taxa de desemprego diminuiu para 6,4% em abril, mínimo da série histórica, o que pode manter pressão sobre salários. O índice divulgado pelo Eurostat mostra heterogeneidade entre as economias do bloco. O desemprego permanece baixo na Alemanha (3,2%), mas alto na Espanha (11,7%).

O índice de sentimento econômico, calculado pela Comissão Europeia, aumentou 1,6 ponto em maio para 96. Houve melhora na confiança de serviços e leve melhora na indústria. A confiança do consumidor tem melhorado nos últimos meses, mas segue abaixo da média pré-pandemia.

A inflação apresentou aumento moderado em maio. O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu 0,2% em relação ao mês anterior, segundo a prévia do Eurostat. No acumulado em 12 meses, o índice cheio acelerou 2,6%. O núcleo, que exclui energia, alimentos, álcool e tabaco, também acelerou de 2,7% para 2,9%. Na composição, os preços de bens continuam contribuindo para redução do núcleo da inflação, mas os preços de serviços seguem pressionando o índice. No 1T24, os salários negociados tiveram aumento significativo, puxados por acordos na Alemanha. Apesar do aumento, economistas do Banco Central Europeu (BCE) acreditam que haverá menor pressão salarial à frente. Embora o núcleo da inflação esteja acima da projeção do BCE para o 2T24 (2,5%), a expectativa é que a autoridade monetária comece a reduzir as taxas de juros na próxima decisão em junho, em razão da fraca atividade econômica na região.

China: atividade moderada

A atividade mostrou sinais de moderação, de acordo com os índices de gerentes de compras do mês de maio (PMIs, na sigla em inglês), calculados pelo Escritório Nacional de Estatísticas chinês (NBS, na sigla em inglês). O PMI composto, que considera o setor de manufaturas, construção e serviços, diminuiu 0,7 ponto para 51, com diminuição da atividade no setor de manufaturas (49,5) e crescimento frágil no setor de serviços (50,5).

Commodities: menor pressão sobre os preços

O conflito entre Israel e o Hamas completou sete meses. A crise geopolítica pode demorar algum tempo. Até o momento não houve uma escalada do conflito na região, que é a maior exportadora mundial de petróleo.

O preço futuro do petróleo (Brent) permaneceu estável na semana (entre 23/5 e 30/5), fechando o período em torno de 82 dólares por barril. O preço reflete uma redução das preocupações com o Oriente Médio e com a produção de países fora da Organização de Países Exportadores de Petróleo e aliados (OPEP+). A aliança decidirá, neste fim de semana, se mantém os cortes da produção para além do 2T24. A expectativa é que os cortes sejam mantidos.

O preço futuro do gás natural na Europa também ficou estável na semana e segue em patamar baixo. Os estoques continuam elevados na região depois de um inverno ameno. O preço está baixo, menos de 40% do que era antes do início da guerra entre Rússia e Ucrânia.

Os preços futuros das commodities agrícolas na Bolsa de Chicago diminuíram depois de altas sucessivas. Entre os dias 23 e 30 de maio, o preço do trigo caiu 2,5%, com expectativa de melhora do clima em grandes exportadores (Austrália, EUA, Ucrânia). Os preços do milho e da soja também recuaram na semana, 3% e 2,3%, respectivamente. O preço da soja diminuiu com melhor expectativa na produção dos EUA, apesar das inundações no sul do Brasil – o país é o maior produtor e exportador da commodity e o estado do Rio Grande do Sul representa 8% da produção nacional.

Brasil

Focus: alta nas projeções de IPCA para 2026

As projeções para o IPCA subiram para 2024 (de 3,80% para 3,86%) e ficaram praticamente estáveis para 2025 (de 3,74% para 3,75%). O destaque do boletim desta semana foram as projeções de inflação para 2026, que subiram após quase onze meses estáveis (de 3,50% para 3,58%). O número esperado para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) não teve alterações para 2024 (2,05%) e nem para 2025 (2%). A taxa Selic segue em 10% para 2024 e em 9% para 2025 e 2026. As projeções estão no Boletim Focus, relatório do Banco Central que reúne a expectativa das instituições financeiras em relação aos principais indicadores econômicos do país.

Gráfico de linhas sobre projeções focus do IPCA porcentagem ano a ano. Analise das medianas de 2026 e 2025, no comparativo com a meta de inflação 2025/2026, de janeiro de 2022 a maio de 2024

Atividade: mercado de trabalho aquecido

A taxa de desemprego da PNAD Contínua no trimestre terminado em abril veio em 7,5%, abaixo da nossa projeção e do mercado (7,7%). O indicador está em 7,2% na série com nosso ajuste sazonal, abaixo do trimestre encerrado em março. A composição do dado mostrou crescimento no ano de 2,8% da ocupação, assim como da renda real habitual, que subiu 4,8%. A taxa de desemprego está em nível significativamente abaixo do neutro, o que reforça o cenário de inflação pressionada. Nossa expectativa é que a taxa de desemprego (ajustada sazonalmente) permaneça estável ao longo do ano, encerrando 2024 próxima de 7%.

Gráfico de linhas sobre taxa de desemprego que considera o PME SA mm3m e PNAD

Inflação: segmento de serviços ainda resiliente

A inflação medida pelo IGP-M apontou alta de 0,89% em maio, acima da mediana das projeções do mercado (0,82%). A composição dos índices de atacado mostrou o IPA agrícola com expansão de 0,1%. O núcleo do IPA industrial – que inclui apenas os itens relacionados à inflação de bens industriais do IPCA, excluindo alimentos, combustíveis e minério de ferro – subiu 0,4%. No acumulado em 12 meses, o índice contraiu 0,3% – uma deflação menor do que a registrada no mês anterior (3%). O IPA agrícola, em 12 meses, está no patamar de -4,8% e o núcleo do IPA industrial em -0,9%.

O IPCA-15 de maio registrou alta de 0,44%, levemente abaixo da nossa projeção (0,48%) e do consenso de mercado (0,47%). Em 12 meses, o índice está em 3,7%. A principal surpresa veio dos grupos de serviços e bens industriais. Apesar do dado melhor no mês, a inflação de serviços subjacentes, categoria que exclui os itens mais voláteis e é a mais olhada pelo Banco Central, segue pressionada pelo mercado de trabalho aquecido. A média dos núcleos da inflação calculada pelo Banco Central, uma medida mais limpa da tendência dos preços, mostra desaceleração e acumula alta de 3,5% em 12 meses. Nesta mesma métrica, serviços estão em 5,1% e bens industriais em 0,1%, este último contribuindo para puxar a inflação para baixo. Nas nossas projeções, o IPCA acumulado em 12 meses deve encerrar 2024 em 4,7%. Para 2025, nossa previsão é que a inflação fique em 5%.

Gráfico de linhas sobre IPCA-15 acumulado em 12 meses

Fiscal: déficit do setor público ainda elevado

O setor público consolidado apresentou um superávit primário de R$ 6,7 bilhões em abril. No acumulado em 12 meses, o resultado consolidado está negativo em R$ 266,5 bilhões, o equivalente a 2,4% do PIB. A dívida líquida passou de 61,1% para 61,2% e a dívida bruta de 75,7% para 76%. Projetamos, por ora, déficit do setor público consolidado de 0,7% do PIB para 2024 e de 0,9% para 2025.

Equipe Econômica C6 Bank

Felipe Salles Head
Claudia Moreno Head Brasil
Claudia Rodrigues Head Internacional
Felipe Mecchi Internacional
Heliezer Jacob Brasil

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