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Resumo semanal: núcleos da inflação desaceleram lentamente

Confira as principais notícias da semana, segundo a avaliação da equipe econômica do C6 Bank

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Confira as principais notícias da semana (7/8-11/8), segundo a avaliação da equipe econômica do C6 Bank. Leia a íntegra do relatório.

Internacional

Estados Unidos: inflação segue alta

A inflação continua resiliente. O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) registrou aumento de 0,2% em julho frente ao mês anterior, de acordo com o Departamento do Trabalho. O núcleo do índice (exclui alimentos e energia) também teve a mesma variação (0,2%). Ambos em linha com o esperado. Na composição do índice, a inflação de bens já não preocupa. No entanto, a inflação de serviços, que representa mais de 73% do núcleo, segue pressionada pelo mercado de trabalho aquecido que eleva custos de produção. Em 12 meses, o núcleo do CPI acumula alta de 4,7%, ainda elevado. Outro relatório do Departamento do Trabalho mostrou aumento moderado do índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês), que subiu 0,3% em julho. Nos últimos 12 meses, o PPI acumula alta de 0,8% e o núcleo 2,4%.

Nossa expectativa é que a inflação continue desacelerando em razão da política monetária mais restritiva do Fed, mas a desaceleração deve ser lenta. Acreditamos que o banco central americano promoverá uma pausa em setembro para monitorar os efeitos defasados da política monetária implementada até aqui. No entanto, mantemos nossa visão de que o banco central americano optará por mais uma alta de juros esse ano e irá manter os juros elevados por um longo tempo. Não prevemos cortes de juros nos EUA antes de meados de 2024.

O índice de otimismo das pequenas empresas, medido pela Federação Nacional de Empresas Independentes (NFIB, na sigla em inglês), teve leve alta de 0,9 ponto para 91,9 em julho, mas permanece abaixo do nível pré-pandemia.

Em relatório semanal, os pedidos iniciais de seguro-desemprego continuam em níveis baixos para padrões históricos, em 248 mil na semana encerrada em 5 de agosto, 21 mil acima da semana anterior, sinalizando desaquecimento lento do mercado de trabalho.

Europa: Reino Unido cresce mais que o esperado no 2T23

No Reino Unido, a economia teve crescimento de 0,2% no 2T23, em relação ao trimestre anterior, com ajuste sazonal, de acordo com a primeira estimativa do Escritório Nacional de Estatísticas (ONS, na sigla em inglês). Foi o maior crescimento em mais de 1 ano, puxado por consumo. No mês de junho, a atividade cresceu 0,5% frente ao mês anterior, também melhor que o esperado, com melhora da indústria de manufaturas (2,4%) e construção (1,6%) e crescimento moderado em serviços (0,2%).

A guerra entre Rússia e Ucrânia se estende pelo segundo ano. O conflito tem se concentrado principalmente na região do Mar Negro. A Marinha da Ucrânia estabeleceu rotas temporárias para passagem de navios comerciais. O conflito segue sem perspectiva de fim próximo.

China: crédito fraco

O fluxo de crédito agregado diminuiu e veio bem abaixo do esperado em julho. O volume foi de 528 bilhões de yuan, segundo o Banco Central da China (PBOC, na sigla em inglês), bem menor que no mês anterior. Houve forte queda no empréstimo às famílias e redução dos empréstimos às empresas.

A balança comercial teve superávit de 80,6 bilhões de dólares em julho, melhor que no mês anterior, mas com forte queda nas exportações e importações, que diminuíram mais que o esperado em diversas categorias, sinalizando desaceleração na atividade econômica do país. No mês, as exportações diminuíram para os principais destinos, como Estados Unidos, Europa e Ásia Emergente, e foram mais fracas para uma ampla variedade de produtos, exceto automóveis. As importações de petróleo diminuíram em volume, mas foram mistas para metais industriais, com aumento das importações de cobre e redução de minério de ferro.

Deflação para consumidor e produtor. O índice de preços ao consumidor (CPI) teve queda de 0,3% em julho frente ao mesmo mês do ano anterior, segundo o Escritório Nacional de Estatísticas chinês (NBS, na sigla em inglês), com queda no preço de alimentos (-1,7%). O núcleo do índice subiu 0,8%, acelerando em relação ao período anterior, com aumento da demanda por serviços relacionados a viagens durante as férias. A deflação do CPI reflete principalmente problemas domésticos como a fraca recuperação da demanda, o alto desemprego, as fragilidades do setor imobiliário, o corte no preço de veículos e a queda de alimentos. O índice de preços ao produtor (PPI) continuou contraindo (-4,4%), a décima consecutiva, apesar do aumento do preço de energia no mercado internacional.

Commodities: petróleo alcança recorde de consumo global

Os preços das commodities energéticas seguem estáveis. Entre os dias 3 e 10 de agosto, o preço futuro do petróleo (Brent) ficou praticamente inalterado, girando em torno de 85 dólares por barril. Em relatório divulgado essa semana, a Agência Internacional de Energia disse que o consumo global alcançou novo recorde de 103 milhões de barris por dia em média no mês de junho e prevê que o consumo pode subir ainda mais em agosto, o que deve manter o mercado de petróleo apertado em meio a menor oferta da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados. Já o preço futuro do gás natural na Europa subiu 22% no mesmo período, com ameaça de greve de produtores de gás natural liquefeito na Austrália, o que coloca em risco 10% da oferta global. Apesar do aumento, o preço da commodity continua bem abaixo (menos da metade) da média de janeiro de 2022 (pré-guerra).

O preço do trigo continua sensível aos acontecimentos da guerra. O preço futuro da commodity negociada na bolsa de Chicago subiu no início da semana com preocupações quanto a uma escalada do conflito no Mar Negro. Ao longo da semana, o preço recuou e fechou com leve alta. A Ucrânia é um dos maiores produtores e exportadores da commodity. Os preços do milho e da soja permaneceram praticamente estáveis no período.

Brasil

Focus: projeções de Selic registram leve queda

As projeções para o IPCA permaneceram estáveis para 2023 (4,84%), para 2024 (de 3,89% para 3,88%), para 2025 (3,5%) e para 2026 (3,5%). Os números esperados para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) não tiveram alterações para 2023 (de 2,24% para 2,26%) e nem para 2024 (1,3%). A taxa Selic caiu para 2023 (de 12% para 11,75%), para 2024 (9,25% para 9%), para 2025 (de 8,75% para 8,5%), porém permaneceu em 8,5% para 2026. As projeções estão no Boletim Focus, relatório do Banco Central que reúne a expectativa das instituições financeiras em relação aos principais indicadores econômicos do país.

Inflação: IPCA de julho reforça visão de desinflação lenta

A inflação medida pelo IGP-DI caiu 0,4% em julho, em linha com a mediana das projeções do mercado. Em 12 meses, o índice está em -7,5%, o menor nível da série histórica. A composição dos índices de atacado mostrou o IPA agrícola com queda de 0,9% frente à contração de 3,8% no mês anterior. O núcleo do IPA industrial – que inclui apenas os itens relacionados à inflação de bens industriais do IPCA, excluindo alimentos, combustíveis e minério de ferro – registrou contração de 0,5%. Em 12 meses, o IPA agrícola está em -16% e o núcleo do IPA industrial em -3,3%.

O IPCA de julho registrou alta de 0,12% – levemente acima do que nós esperávamos (0,09%). O IPCA acumula alta em 12 meses de 4%, contra o menor valor de 3,2% em junho. A inflação de serviços registrou leve queda na margem, mas segue elevada, registrou alta de 5,6% em 12 meses e deve continuar em patamar alto devido ao mercado de trabalho aquecido. A inflação de bens industriais mostra clara tendência de queda nos últimos meses e deve seguir recuando à frente. A média dos núcleos do Banco Central segue pressionada, em 5,6% em 12 meses. Projetamos IPCA de 5,4% para 2023 e de 5,5% para 2024.

Atividade: dados positivos em junho, porém com perspectivas fracas à frente

A Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) de junho mostrou alta de 1,2% frente ao mês anterior no volume de vendas no comércio varejista ampliado, resultado melhor do que nós projetávamos. A maior surpresa foi no segmento de atacado de produtos alimentícios, bebida e fumo, que foi introduzido na pesquisa neste ano. Outra surpresa relevante foi o segmento de veículos, impulsionado no mês pelo programa de incentivo do governo federal para aquisição de automóvel novo. As perspectivas para o setor não são favoráveis à frente, principalmente para os segmentos sensíveis a crédito, devido ao impacto dos juros elevados e da desaceleração da economia.

A Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) de junho mostrou que o volume de serviços expandiu 0,2% na comparação mensal, após crescer 1,4% em maio. O dado veio abaixo das expectativas do mercado e acima da nossa projeção. O segmento de serviços prestados às famílias, que tem um peso relevante no PIB, registrou crescimento de 1,9% no mês. Entretanto, o setor de serviços deve rodar em ritmo fraco ao longo de 2023. Projetamos crescimento do PIB de 2,5% para 2023 e de 1% para 2024.

Política monetária: Copom reforça sinalização de cortes moderados de juros

O Banco Central divulgou nesta terça-feira (8) a ata das reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) dos dias 1 e 2 de agosto, apresentando mais detalhes sobre os rumos da política monetária. Em linhas gerais, acreditamos que a comunicação do Copom é compatível com quedas adicionais de 0,5% na taxa Selic nas próximas reuniões.

Sobre a decisão dividida da última reunião, a ata afirmou que o grupo que votou por uma redução de juros mais parcimoniosa considerou que “a própria sinalização do Comitê já enfatizava a cautela e a parcimônia em tal conjuntura e, na opinião desses membros, não se observaram alterações relevantes no cenário ou projeções do Comitê que justificassem uma reavaliação dessa sinalização”.

A ata destacou que “julga como pouco provável uma intensificação adicional do ritmo de ajustes, já que isso exigiria surpresas positivas substanciais que elevassem ainda mais a confiança na dinâmica desinflacionária prospectiva”. Na nossa visão, a sinalização é de que os cortes de juros devem ser de 50 pontos-base à frente. Reconhecemos, no entanto, que podem ocorrer cortes mais intensos de juros.

Esperamos cortes de 50 pontos-base para as reuniões restantes do ano. Projetamos agora Selic em 11,75% ao final de 2023 e 9,25% ao final de 2024.

Equipe Econômica C6 Bank

Felipe Salles Head
Claudia Moreno Head Brasil
Claudia Rodrigues Head Internacional
Felipe Mecchi Internacional
Heliezer Jacob Brasil

Este relatório foi preparado pelo Banco C6 S.A.

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