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Resumo semanal: PIB do Brasil forte no 1T24

Confira as principais notícias da semana (3/6 -7/6), segundo a avaliação da equipe econômica do C6 Bank. Leia a íntegra do relatório.

Atualizado em

Equipe econômica do C6 Bank.
Imagem: Wanezza Soares.

Internacional

Estados Unidos: mercado de trabalho aquecido

O mercado de trabalho acelerou e segue sólido. O Departamento de Trabalho publicou dados referentes ao mês de maio. De acordo com o Establishment Survey, houve criação de 272 mil empregos no período, um número maior do que no mês anterior e bem acima do esperado. O ganho médio por hora trabalhada subiu no mês e acumula alta de 4,1% nos 12 meses até maio. O Household Survey mostrou que a taxa de desemprego aumentou para 4%, apesar de uma redução na força de trabalho – é importante ressaltar que dados desta pesquisa apresentam maior volatilidade e, portanto, os resultados do Establishment Survey recebem maior atenção. Outro relatório do Departamento de Trabalho, o Jolts, mostrou redução do número de vagas de emprego em aberto no mês de abril. A proporção de vagas disponíveis por desempregado diminuiu para 1,2, um patamar ainda elevado e que mantém uma pressão sobre salários. A taxa de pedidos de demissão (saídas voluntárias) segue alta consistente com o mercado de trabalho aquecido. Em relatório semanal, os pedidos iniciais de seguro-desemprego continuam em níveis baixos para padrões históricos, em 229 mil na semana encerrada em 1 de junho. Diante deste cenário, mantemos nossa visão que é provável que o banco central americano não corte juros este ano.

O setor de serviços registrou forte expansão. O índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) do Instituto ISM registrou aumento de 4,4 pontos, alcançando 53,8 em maio. O subíndice de demanda subiu, permanecendo elevado, o indicador de emprego segue em contração. Preços pagos recuaram, mas continuam indicando pressão inflacionária.

A atividade na indústria continuou em contração. O indicador de gerentes de compras do setor de manufaturas (PMI, na sigla em inglês) do Instituto ISM diminuiu 0,5 ponto em maio frente ao mês anterior, diminuindo para 48,7. Desde o fim de 2022, o índice está em território contracionista, exceto em março deste ano. Na composição, houve queda na demanda e leve desaceleração da produção. O emprego cresceu. Os preços pagos permanecem elevados.

Europa: BCE corta juros

A guerra entre Rússia e Ucrânia está no terceiro ano e continua sem perspectiva de fim próximo.

O Banco Central Europeu (BCE) cortou as taxas de juros em 25 pontos-base, conforme esperado. Esta foi a primeira redução nos juros desde que o aperto monetário começou, em julho de 2022. A taxa de depósito foi para 3,75% ao ano. Em comunicado, o Banco justificou que o corte aconteceu em razão do progresso alcançado em direção à meta de inflação. Apesar da decisão, a autoridade monetária reconhece que a pressão inflacionária segue forte e adiou a expectativa de alcançar a meta de inflação para 2026. As próximas decisões seguem dependentes de dados. A presidente do BCE, Christine Lagarde, disse que a confiança do comitê de política monetária em relação a trajetória de desinflação aumentou, mas que o caminho até a meta não está livre de turbulências. Segundo Lagarde, apesar da diminuição das taxas, a política monetária segue restritiva e continuará ajudando a conter a inflação. Apenas um membro do comitê de política monetária votou contra a decisão. Em nossa visão, o BCE deve esperar mais algum tempo antes de um novo corte de juros para ganhar mais confiança na trajetória de desinflação.

Os preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) diminuíram 1% em abril frente ao mês anterior, sexta queda consecutiva, de acordo com dados do Eurostat. Em 12 meses, o PPI apresenta deflação de 5,7%, o que deve continuar ajudando a diminuir a pressão sobre os preços ao consumidor.

As vendas no varejo diminuíram em abril, o índice caiu 0,5% frente ao mês anterior depois de uma melhora em março, segundo o Eurostat. O dado veio pior que esperado, e segue abaixo da tendência pré-pandemia.

China: balança comercial robusta

A balança comercial teve superávit de 82,6 bilhões de dólares em maio, mais que o esperado e acima do mês anterior. Houve crescimento forte das exportações, 7,6%, comparado ao mesmo mês do ano anterior, e um aumento moderado de 1,8% das importações. Por região, as exportações para emergentes, como Rússia e países na América Latina, tiveram forte crescimento, mas contraíram para os Estados Unidos e a Europa. A exportação tem sido diversificada: de produtos de baixo custo (calçados, vestuário, brinquedos) a eletrônicos e produtos mais sofisticados. Exportações de veículos elétricos contraíram no mês. A participação da China nas exportações globais deu um salto em 2020 e segue elevada, em torno de 14%. A China tem movido parte da cadeia de produção para países do sudeste asiático e México. As importações chinesas da Ásia emergente cresceram, mas as dos Estados Unidos e da Europa recuaram. O aumento das tarifas nos Estados Unidos tem freado o comércio entre ambos.

Commodities: OPEP+ pode manter cortes de produção

O conflito entre Israel e o Hamas completou oito meses. A crise geopolítica pode demorar algum tempo. Até o momento não houve uma escalada do conflito na região, que é a maior exportadora mundial de petróleo.

O preço futuro do petróleo (Brent) diminuiu no início da semana, ficando abaixo de 80 dólares por barril pela primeira vez desde fevereiro, depois do anúncio da Organização de Países Exportadores de Petróleo e aliados (OPEP+) que, a partir de outubro, voltaria gradualmente com parte da produção cortada.  Mais no fim da semana, o preço voltou ao patamar de 80 dólares por barril, depois que alguns membros da OPEP+ afirmaram que o aumento da produção é condicional as condições do mercado.

O preço futuro do gás natural na Europa reduziu 4% na semana (30/5 a 6/6) e segue em patamar baixo. Os estoques continuam elevados na região depois de um inverno ameno. O preço está baixo, menos de 40% do que era antes do início da guerra entre Rússia e Ucrânia.

Os preços futuros das commodities agrícolas na Bolsa de Chicago diminuíram depois de altas sucessivas. Entre os dias 30 de maio e 6 de junho, o preço do trigo recuou 6%, com progresso da produção nos Estados Unidos, depois de forte alta em maio com o clima extremo afetando a produção da Rússia, maior exportador global. O preço do milho e da soja permaneceram praticamente estáveis.

Brasil

Focus: alta nas projeções de Selic para 2024 e 2025

As projeções para o IPCA apresentaram leve alta para 2024 (de 3,86% para 3,88%), para 2025 (de 3,75% para 3,77%) e para 2026 (de 3,58% para 3,60%). O número esperado para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) não teve alterações para 2024 (2,05%) e nem para 2025 (2%). A taxa Selic subiu de 10% para 10,25% para 2024 e de 9% para 9,18% para 2025. Para 2026, as estimativas seguem em 9%. As projeções estão no Boletim Focus, relatório do Banco Central que reúne a expectativa das instituições financeiras em relação aos principais indicadores econômicos do país.

Atividade: PIB positivo no 1T24

O PIB do 1T24 subiu 0,8% na comparação com o 4T23, levemente acima do esperado pelo mercado (+0,7%) e abaixo da nossa projeção (+1%). Do lado da oferta, a indústria registrou queda de 0,1%, o setor de serviços cresceu 1,4% e o setor de agropecuária expandiu 11,3%. Do lado da demanda, houve expansão na formação bruta de capital fixo (4,1%) e no consumo das famílias (1,5%). O crescimento da massa salarial, os estímulos fiscais (reajuste real do salário mínimo e pagamento de precatórios, em especial) e a alta na colheita de grãos contribuíram para alavancar o PIB no primeiro trimestre de 2024. Na nossa visão, a expansão do PIB ficará concentrada na primeira metade do ano. Projetamos crescimento de 2,2% para a economia brasileira em 2024. É preciso considerar, no entanto, que o impacto das chuvas no Rio Grande do Sul sobre o PIB nacional ainda é incerto. Por ora, acreditamos que os auxílios concedidos e os investimentos que serão feitos para a reconstrução do estado poderão compensar a possível baixa na atividade econômica no segundo trimestre.

A produção industrial de abril registrou queda de 0,5% frente ao mês anterior. O resultado veio um pouco pior do que as projeções do mercado. A queda foi impulsionada pela indústria extrativa, que contraiu 3,4%, enquanto a indústria de transformação subiu 0,3%. O segmento de bens de capital – categoria ligada a investimentos em máquinas e equipamentos – expandiu 3,5%. Para 2024, nossa expectativa é que a indústria feche o ano com leve expansão. Na nossa visão, a indústria deve contribuir pouco com o crescimento de 2,2% que projetamos para o PIB em 2024.

Inflação: IGP-DI volta ao patamar positivo após 14 meses

A inflação medida pelo IGP-DI apontou alta de 0,87% em maio, acima da mediana das projeções do mercado (+0,69%). Em 12 meses, o índice está em 0,88%, o primeiro número positivo após 14 meses em deflação. O IPA agrícola acumula queda de 3% e o núcleo do IPA industrial retração de 0,1%. No mês, a composição dos índices de atacado mostrou o IPA agrícola com alta de 0,4%. O núcleo do IPA industrial – que inclui apenas os itens relacionados à inflação de bens industriais do IPCA, excluindo alimentos, combustíveis e minério de ferro – subiu 0,6%.

Equipe Econômica C6 Bank

Felipe Salles Head
Claudia Moreno Head Brasil
Claudia Rodrigues Head Internacional
Felipe Mecchi Internacional
Heliezer Jacob Brasil

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