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Resumo semanal: China em ritmo (mais) lento

Confira as principais notícias da semana, segundo a avaliação da equipe econômica do C6 Bank

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Confira as principais notícias da semana (17/7-21/7), segundo a avaliação da equipe econômica do C6 Bank. Leia a íntegra do relatório.

Internacional

Estados Unidos: atividade moderada

A atividade segue em ritmo lento. A produção industrial teve retração de 0,5% no mês de junho ante o mês anterior, segundo dados do Federal Reserve (Fed, na sigla em inglês). Apesar da retração, a produção do setor permanece acima do patamar pré-pandemia. Outra pesquisa, divulgada pelo Departamento de Comércio americano, mostrou que as vendas no varejo tiveram expansão no mesmo período.

O setor imobiliário perdeu força depois de alta significativa. A venda de casas usadas teve retração de 3,3% em junho em relação ao mês anterior, segundo a Associação Nacional de Corretores de Imóveis (NAR, na sigla em inglês). Em nível, a venda de casas usadas segue abaixo da média de 2019 (pré-pandemia) e com tendência de queda desde março. O índice de construção de novas moradias diminuiu 8% no mesmo período e o índice de permissão para construir caiu 3,7%. Apesar das quedas, novas construções e permissões para construir mostram uma estabilização do setor, após uma forte e inesperada alta no mês anterior. Outro dado do setor imobiliário, o índice de confiança das construtoras (NAHB Housing Market Index), melhorou em julho e teve seu sétimo aumento consecutivo. A confiança das construtoras tem se recuperado desde dezembro do ano passado, mas segue fraca. O aperto da política monetária do Fed, que tem impacto direto nas taxas de hipoteca, tem dificultado a retomada do setor.

Em relatório semanal, os pedidos iniciais de seguro-desemprego tiveram leve queda e continuam em níveis baixos para padrões históricos, em 228 mil, com ajuste sazonal na semana encerrada em 15 de julho. Apesar de baixos, os pedidos estão acima do patamar observado desde o início de 2022, indicando um lento desaquecimento no mercado de trabalho.

Europa: inflação persistente

A guerra entre Rússia e Ucrânia se estende pelo segundo ano. A semana foi marcada por bombardeios russos em portos e terminais ucranianos de armazenamento de grãos no Mar Negro, depois que Moscou não renovou o acordo de exportação com a Ucrânia. Autoridades europeias têm buscado rotas alternativas para o escoamento das commodities por estradas e rio. Os Estados Unidos alertaram sobre explosivos russos possivelmente colocados em portos ucranianos. O Mar Negro é a principal rota de escoamento de commodities agrícolas tanto da Rússia quanto da Ucrânia. A crise atual coloca em risco o preço de alimentos.

A inflação está alta. A divulgação final do índice (CPI, na sigla em inglês) mostrou que o núcleo (que exclui alimentos, energia, álcool e tabaco) subiu 5,5% nos doze meses até junho, ficando levemente acima da prévia (5,4%), segundo o Eurostat. Em nossa visão, a persistência da inflação deve levar o Banco Central Europeu (BCE) a continuar subindo juros em 25 pontos-base na próxima semana e manter os juros elevados por um bom tempo.

A confiança do consumidor vem se recuperando desde o fim de 2022, segundo dados da Comissão Europeia. Apesar da melhora, o índice segue bem abaixo da média pré-pandemia.

A inflação ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) no Reino Unido desacelerou e veio abaixo do esperado. O índice cheio diminuiu para 0,1% em junho frente ao mês anterior e o núcleo, que exclui alimentos, energia, álcool e tabaco, diminuiu para 0,2%.  Em 12 meses, a inflação acumula alta de 7,9% e o núcleo de 6,9%, ambos ainda elevados, apesar da desaceleração. A persistência do núcleo do índice ocorre em razão do setor de serviços, que continua pressionado por um mercado de trabalho aquecido, com salários acima da produtividade. Portanto, mantemos nossa visão que o Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês) continuará subindo juros na próxima reunião em agosto, com uma alta de 25 pontos-base, elevando a taxa de juros para 5,25% ao ano. As vendas no varejo melhoraram em junho, mais que o esperado, apesar da inflação alta e juros elevados.

China: PIB desaponta no 2T23

O PIB cresceu 6,3% no 2T23 comparado ao mesmo período do ano passado, segundo o Departamento Nacional de Estatísticas da China (NBS, na sigla em inglês). Apesar do aumento, a expectativa era que fosse maior já que a base de comparação (2T22) era baixa refletindo a fraca atividade durante os confinamentos em diversas cidades chinesas, inclusive em Xangai, em razão do número expressivo de casos de Covid-19 e a política de Covid zero.

A atividade apresentou sinais mistos em junho, depois de dois meses fracos, quando houve perda de impulso da recuperação com a reabertura no 1T23. A produção industrial surpreendeu e acelerou 4,4% no mês comparado ao mesmo período de 2022, com apoio de políticas para investimentos em infraestrutura e manufaturas que aumentaram a demanda. Os investimentos cresceram mais que o esperado, 3,8% no acumulado do ano até junho, em razão de uma expansão maior nos investimentos em infraestrutura e manufaturas. Por outro lado, os investimentos no setor imobiliário continuaram contraindo. A venda de casas e a construção de novas moradias ficaram mais fracas em junho comparado ao mesmo período de 2022. Já as vendas no varejo desaceleraram para 3,1%. A taxa de desemprego urbano no país permaneceu em 5,2%, mas alcançou novo recorde entre jovens (16-24 anos), em 21,3%, refletindo um descompasso estrutural no mercado de trabalho e uma recuperação desigual pós-pandemia entre setores. A criação de emprego tem ocorrido principalmente no setor de manufaturas, construção e serviços de baixo custo – estimulados pela reabertura e por políticas para recuperação da economia.

O governo continuou dando sinais de apoio à economia com medidas pontuais, mas sem um estímulo forte. Durante a semana foi divulgado um novo plano para incentivar gastos dos consumidores, principalmente com eletrodomésticos e mobília. Foi incentivada também a venda de veículos, principalmente elétricos. Foram anunciadas medidas para melhorar as condições dos negócios e de empresas do setor privado. Há especulações que autoridades chinesas estariam considerando aliviar restrições sobre a compra de imóveis também em grandes centros urbanos, como Xangai e Pequim. Um evento do Politburo, cúpula do partido comunista, que ocorre no fim deste mês deve anunciar medidas mais amplas de estímulo, mas a expectativa é que as medidas sejam apenas suficientes para que o país alcance a meta de crescimento de “em torno de 5%”.

O Banco do Povo da China (PBoC, na sigla em inglês) manteve as taxas de juros de curto prazo (LPR 1 ano) e de longo prazo (LPR 5 anos) inalteradas, conforme esperado. A LPR 1 ano continuou em 3,55% e a LPR 5 anos em 4,2%, depois de um corte de 10 pontos-base no mês anterior.

Commodities: exportações ucranianas ameaçadas

Os preços das commodities energéticas seguem baixos. Entre os dias 13 e 20 de julho, o preço futuro do petróleo (Brent) ficou praticamente estável, girando em torno de 80 dólares por barril, com expectativa de um menor crescimento global pressionando menos o produto. O preço futuro do gás natural na Europa subiu 5% com preocupações quanto a continuidade de fornecimento russo e em meio a onda de calor na região. A Agência Internacional de Energia disse que o preço do gás natural no mercado europeu ainda tem risco de volatilidade alta durante o inverno, mas que o pior da crise de energia parece ter passado. O preço da commodity continua bem abaixo (menos da metade) da média de janeiro de 2022 (pré-guerra).

Mercado de grãos segue em atenção. Com o fim do acordo de exportação entre Rússia e Ucrânia, o preço do trigo subiu 15% na bolsa de Chicago entre os dias 13 e 20 de julho. Apesar do aumento, o preço segue bem abaixo do pico no início do ano passado. A Ucrânia é um dos maiores produtores e exportadores da commodity. O preço do milho diminuiu 9% e da soja ficou praticamente estável no mesmo período, com o clima mais favorável nos Estados Unidos.

Brasil

Focus: projeções de Selic estáveis

As projeções para o IPCA ficaram estáveis para 2023 (4,95%), para 2024 (3,92%) e para 2026 (3,5%), porém apresentaram leve queda para 2025 (de 3,6% para 3,55%). Os números esperados para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) tiveram uma pequena alta para 2023 (de 2,19% para 2,24%) e para 2024 (de 1,28% para 1,3%). A taxa Selic não teve alterações e está em 12% para 2023, em 9,5% para 2024, em 9% para 2025 e em 8,75% para 2026. As projeções estão no Boletim Focus, relatório do Banco Central que reúne a expectativa das instituições financeiras em relação aos principais indicadores econômicos do país.

Inflação: índice de preços ao produtor amplo em deflação recorde

A inflação medida pelo IGP-10 caiu 1,10% em julho, abaixo da mediana das projeções do mercado de -1,02%. Em 12 meses, o índice está em -7,9%, o menor valor da série histórica. A composição dos índices de atacado mostrou o IPA agrícola com queda de 3,4% frente à contração de 4,2% no mês anterior. O núcleo do IPA industrial – que inclui apenas os itens relacionados à inflação de bens industriais do IPCA, excluindo alimentos, combustíveis e minério de ferro – caiu 0,5%. Em 12 meses, o IPA agrícola está em -16,3% e o núcleo do IPA industrial em -2,8%.

Equipe Econômica C6 Bank

Felipe Salles Head
Claudia Moreno Head Brasil
Claudia Rodrigues Head Internacional
Felipe Mecchi Internacional
Heliezer Jacob Brasil

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