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Ata do Copom: nossa visão

Leia a íntegra da análise da equipe econômica do C6 Bank

Atualizado em

Leia a íntegra da análise da equipe econômica do C6 Bank, liderada pelo economista-chefe Felipe Salles, sobre a ata do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central divulgada nesta terça-feira (6).

felipe sales, head da equipe econômica do C6 Bank, em pé e com as mãos na cintura.

Copom sinaliza maior preocupação com a inflação de serviços

O Banco Central divulgou nesta terça-feira (6) a ata das reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) dos dias 30 e 31 de janeiro, apresentando mais detalhes sobre a decisão de política monetária. Acreditamos que a comunicação do Copom segue compatível com quedas adicionais de 0,5% na taxa Selic nas duas próximas reuniões. No texto, o Comitê adotou um tom mais preocupado em relação ao mercado de trabalho e seus possíveis impactos sobre a inflação. Essa mudança na mensagem sinaliza uma piora no balanço de riscos e torna menos provável uma aceleração do ritmo de cortes de juros e/ou uma extensão do ciclo para além dos 9% já neste ano.

Após um comunicado da decisão que manteve o texto praticamente igual ao da decisão anterior, chamou atenção o fato de a ata trazer algumas novidades na discussão sobre política monetária. Na nossa visão, os principais parágrafos foram os que descrevem a situação do mercado de trabalho, salários e inflação de serviços. O Comitê deu destaque à necessidade de se acompanhar a dinâmica dos rendimentos reais, que apresentaram alta nos últimos meses. O Comitê afirmou que alguns aspectos da dinâmica inflacionária “requerem maior escrutínio” e que um mercado de trabalho mais apertado pode “potencialmente retardar a convergência da inflação”. Esses trechos sinalizam uma preocupação maior com as perspectivas de desaceleração da inflação de serviços. Apesar do tom mais cauteloso, o Comitê avalia que não houve alteração para as perspectivas da inflação.

O texto segue afirmando que é unânime, entre os membros do Comitê, a visão de que os próximos cortes terão magnitude semelhante à atual (50 pontos-base). Na avaliação do órgão, “esse é o ritmo apropriado para manter a política monetária contracionista necessária para o processo desinflacionário”. Projetamos Selic em 9,25% ao final de 2024 e em 8,5% ao final de 2025. Na nossa visão, o texto da ata mantém o plano de voo original do Copom, mas introduz um tom adicional de cautela. Nesse contexto, acreditamos que a ata diminui a chance de uma aceleração do ritmo de corte de juros ou de uma taxa terminal abaixo de 9% em 2024.

Equipe Econômica C6 Bank

Felipe Salles Head
Claudia Moreno Head Brasil
Claudia Rodrigues Head Internacional
Felipe Mecchi Internacional
Heliezer Jacob Brasil

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