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Resumo semanal: Copom suaviza discurso, mas não sinaliza corte de juros

Confira as principais notícias da semana, segundo a avaliação da equipe econômica do C6 Bank

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Confira as principais notícias da semana (19/6-23/6), segundo a avaliação da equipe econômica do C6 Bank. Leia a íntegra do relatório.

Internacional

Estados Unidos: atividade desacelera

A atividade segue em ritmo lento. As prévias dos índices de gerentes de compras (PMIs, na sigla em inglês) do mês de junho sinalizaram expansão mais moderada. O PMI composto, que inclui o setor de manufaturas e serviços, diminuiu 1,3 ponto para 53. A queda no indicador ocorreu por maior contração no setor de manufaturas e desaceleração no setor de serviços. Na composição do índice, a criação de empregos continua em ritmo forte, mas diminuiu para o menor nível desde janeiro, os salários continuam pesando sobre custos das firmas.  Preços de bens e serviços diminuíram e chegaram ao menor nível em mais de 2 anos.

O setor imobiliário superou o pior momento e segue uma recuperação moderada. A venda de casas usadas ficou praticamente estável em maio em relação ao mês anterior, segundo a Associação Nacional de Corretores de Imóveis (NAR, na sigla em inglês). O índice, que teve queda por 12 meses consecutivos até janeiro deste ano, tem melhorado lentamente. Em nível, a venda de casas usadas segue abaixo da média de 2019 (pré-pandemia). O índice de construção de novas moradias subiu 21,7% no mesmo período, segundo o Departamento de Comércio, mas segue abaixo da tendência pré-pandemia. O índice de permissão para construir subiu 5,2%, depois de dois meses em queda, sinalizando mais construções à frente. Outro dado do setor, o índice de confiança das construtoras (NAHB Housing Market Index), melhorou em junho, o sexto aumento consecutivo, mas permanece abaixo do patamar pré-pandemia. A confiança das construtoras segue fraca, em função do aperto da política monetária do Fed, que tem impacto direto nas taxas de hipoteca.

Em relatório semanal, os pedidos iniciais de seguro-desemprego continuam em níveis baixos para padrões históricos, em 264 mil, com ajuste sazonal, na semana encerrada em 17 de junho, permanecendo no mesmo patamar da semana anterior. Apesar de baixo, os pedidos estão acima do patamar observado desde o início de 2022 e podem indicar um início de desaquecimento no mercado de trabalho, que permanece robusto.

O presidente do banco central americano (Federal Reserve – Fed), Jerome Powell, foi sabatinado pelo Congresso, conforme ocorre semestralmente. Powell reafirmou o compromisso com a meta de inflação, mas justificou a manutenção da taxa de juros na última reunião do comitê dizendo que a velocidade dos aumentos não é o que importa no momento, depois de 10 altas seguidas. Acrescentou que será apropriado subir juros este ano e possivelmente por mais duas vezes, se a economia tiver o desempenho esperado. Powell reforçou que próximos aumentos nos juros seguem dependentes dos dados.

Europa: Reino Unido reacelera ritmo de alta de juros

A guerra entre Rússia e Ucrânia está no segundo ano. Mísseis russos continuam sendo lançados principalmente no leste e sul ucraniano. A contraofensiva ucraniana continua sem muito progresso. O primeiro-ministro do Reino Unido, durante a Conferência para Reconstrução da Ucrânia em Londres, anunciou a criação de um arcabouço de seguro de risco de guerra, apoiado pelo G7, com objetivo de encorajar investimentos privados na Ucrânia. O conflito segue sem perspectiva de um fim próximo.

A atividade perdeu força em junho, de acordo com as prévias dos índices de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês). O índice composto, que inclui o setor de manufaturas e serviços, diminuiu para 50,3 pontos, sinalizando estabilidade, com menor expansão em serviços e contração em manufaturas. Na composição dos indicadores, a demanda perdeu força em ambos os setores, a produção caiu na indústria pelo terceiro mês seguido, o emprego desacelerou e a pressão inflacionária diminuiu. Entre as maiores economias do bloco, o PMI da Alemanha teve forte contração em manufaturas, mas resiliência em serviços, enquanto o PMI da França contraiu, com encolhimento em ambos os setores.

No Reino Unido, a atividade também desacelerou em junho. A prévia do PMI da região diminuiu 1,2 ponto para 52,8, com serviços em expansão mais moderada e contração em manufaturas. O índice de manufaturas recuou para 46,2 e de serviços para 53,7. Por dentro dos indicadores, o emprego continua em expansão, com pressão de salários no setor de serviços. A demanda para indústria permanece fraca, mas sólida para serviços.

A inflação ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) no Reino Unido surpreendeu expectativas e veio acima do esperado. O índice subiu 0,7% em maio frente ao mês anterior e o núcleo, que exclui alimentos, energia, álcool e tabaco, subiu 0,8%.  Em 12 meses, a inflação acumula alta de 8,7%, e o núcleo de 7,1%, reacelerando em relação ao período anterior e alcançando maior aumento em mais de 30 anos.

O Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês) voltou a subir a taxa de juros em 50 pontos-base, surpreendendo as expectativas que eram de aumento de 25 pontos-base, levando a taxa para 5% ao ano – maior nível em 15 anos. O aumento foi o décimo-terceiro consecutivo. O BoE justificou a alta em razão da inflação persistente, que continua bem acima da meta de 2%, e do mercado de trabalho aquecido. Na ata da reunião, o Banco manteve que mais aperto na política monetária pode ser necessário se existirem evidências de continuidade na pressão inflacionária. A expectativa do Comitê de Política Monetária (MPC, na sigla em inglês), no entanto, é que a inflação diminua significativamente ao longo do ano em razão de um menor preço de energia.

China: PBoC corta juros

O Banco do Povo da China (PBoC, na sigla em inglês) diminuiu as taxas de juros de curto prazo (LPR 1 ano) e de longo prazo (LPR 5 anos) em 10 pontos-base, mesma magnitude de reduções de juros anunciadas em outras taxas na semana passada. A LPR 1 ano passou para 3,55% e a de LPR 5 anos para 4,2%, depois de 9 meses sem alteração. A decisão ocorre depois de uma desaceleração maior da economia no 2T23, indicando uma perda de fôlego da recuperação econômica após o impulso da reabertura.

Commodities: preços de grãos em alta

Os preços das commodities energéticas seguem baixos, mas movimentos divergiram na semana. Entre os dias 15 e 22 de junho, o preço futuro do petróleo (Brent) ficou praticamente estável em torno de 75 dólares por barril. Em nossa visão, a atividade fraca, em razão de juros elevados, e a manutenção de um dólar em patamar forte, que tende a reduzir o preço em dólar de produtos cotados na moeda americana, devem evitar pressões adicionais no preço do petróleo. O preço futuro do gás natural na Europa continuou com alta volatilidade, caiu quase 20% na semana, depois de forte aumento na semana anterior em razão de temperaturas mais altas na Europa e interrupções prolongadas no fornecimento da Noruega. O preço do gás natural continua abaixo (menos da metade) da média de janeiro de 2022 (pré-guerra). A menor pressão de preços de energia favorece as perspectivas de melhor crescimento econômico na Europa.

O preço de grãos subiu em meio a seca nos Estados Unidos, maior produtor mundial de milho e segundo maior de soja. Ambos os grãos são usados para alimentar aves e suínos e, portanto, um aumento relevante em seus preços tem impacto na cadeia alimentar. Além da seca atual nos Estados Unidos, o fenômeno El Nino pode ganhar força gradualmente nos próximos seis a nove meses, com possível impacto maior sobre a agricultura.

Brasil

Focus: projeções de inflação seguem em queda

As projeções para o IPCA caíram para 2023 (de 5,42% para 5,12%), para 2024 (de 4,04% para 4%), para 2025 (de 3,9% para 3,8%) e para 2026 (de 3,88% para 3,8%). Os números esperados para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) subiram para 2023 (de 1,84% para 2,14%), porém contraíram para 2024 (de 1,27% para 1,2%). A taxa Selic caiu para 2023 (de 12,5% para 12,25%) e para 2024 (de 10% para 9,5%), porém ficou estável para 2025 (9%) e para 2026 (8,75%). As projeções estão no Boletim Focus, relatório do Banco Central que reúne a expectativa das instituições financeiras em relação aos principais indicadores econômicos do país.

Política monetária: Copom muda discurso, mas não sinaliza corte de juros

O Banco Central do Brasil (BCB) confirmou as expectativas e manteve a taxa Selic em 13,75% nesta quarta-feira (21). O Comitê afirmou que a conjuntura atual “segue demandando cautela e parcimônia”.

A projeção de inflação do BCB no cenário de referência passou de 5,8% para 5% para 2023 e de 3,6% para 3,4% para 2024. Este cenário supõe trajetória de juros que diminui de 13,75% para 12,25% até o final de 2023, para 9,5% ao final de 2024 e para 9% ao final de 2025. Ou seja, as projeções de inflação do Banco Central registraram queda, mas seguem acima da meta de inflação para o ano de 2024, horizonte para o qual o Comitê dá ênfase nesta reunião. Vale notar que o Comitê não divulgou as projeções em seu cenário alternativo, aquele que considerava taxa Selic estável em todo horizonte relevante. Na nossa visão, essa retirada busca sinalizar que este não é mais um cenário considerado pertinente na decisão de política monetária.

O Comitê afirmou que “avalia que a estratégia de manutenção da taxa básica de juros por período prolongado tem se mostrado adequada para assegurar a convergência da inflação”. O comunicado segue reiterando que “irá perseverar até que se consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas.”  De fato, as projeções da Pesquisa Focus encontram-se acima das metas em 2023 (5% versus 3,25%), 2024 (4% versus 3%) e 2025 (3,8% versus 3%).

A comunicação do Banco Central e o cenário prospectivo para a inflação sugerem, por ora, manutenção da taxa Selic nos patamares atuais. Na nossa visão, o Banco Central quer ver melhoras adicionais nas expectativas de inflação e em seus próprios modelos de projeção de inflação.

Na próxima semana haverá reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN) para decidir a meta de inflação de 2026. Nessa ocasião, o conselho pode alterar também a meta de 2025 de maneira a suavizar a atuação da política monetária ou alongar o horizonte relevante de política monetária. Uma mudança nesse sentido poderia abrir espaço para uma queda da Selic já na reunião de agosto.

Por ora, mantemos nosso cenário de início de ciclo de corte de juros em setembro. Projetamos Selic em 12,5% ao final de 2023 e 11% ao final de 2024. Aguardamos a ata da reunião, que será divulgada na próxima terça-feira (27), para termos mais detalhes sobre os rumos futuros da política monetária.

Fiscal: relatório preliminar da reforma tributária é divulgado

O texto preliminar da reforma tributária foi apresentado nesta quinta-feira (22) pelo relator Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) na Câmara dos Deputados. A proposta inclui dois fundos de compensação para os estados (o Fundo de Desenvolvimento Regional e o Fundo de Compensação de Benefícios) e prevê alíquotas reduzidas para saúde, educação e alimentação e “cashback” para pessoas de baixa renda. O texto prevê também a criação de dois impostos: a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) que substituirá o IPI, PIS e Cofins e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) que irá unificar o ICMS e ISS. A transição dos tributos se iniciará em 2026 e durará oito anos. A proposta ainda poderá sofrer alterações e o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), afirmou que ela deve ser analisada no início de julho pelo plenário.

Equipe Econômica C6 Bank

Felipe Salles Head
Claudia Moreno Head Brasil
Claudia Rodrigues Head Internacional
Felipe Mecchi Internacional
Heliezer Jacob Brasil

Este relatório foi preparado pelo Banco C6 S.A.

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