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Resumo semanal: criação de empregos forte nos EUA

Confira as principais notícias da semana, segundo a avaliação da equipe econômica do C6 Bank

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C6 Bank Felipe Salles. Foto: Germano Lüders

Confira as principais notícias da semana (6/3-10/3), segundo a avaliação da equipe econômica do C6 Bank. Leia a íntegra do relatório.

Internacional

Estados Unidos: mercado de trabalho segue aquecido

O mercado de trabalho continua robusto. O Departamento de Trabalho publicou dados referentes ao mês de fevereiro. De acordo com o Establishment Survey, houve criação de 311 mil empregos no período, abaixo do mês anterior, mas acima da expectativa de mercado. Nos últimos 12 meses, a média de contratações está em 361,6 mil, continuando bem acima da média pré-pandemia de 164 mil em 2019. O ganho médio por hora trabalhada desacelerou para 0,2% em relação ao mês anterior, mas nos últimos doze meses o índice acumulou alta de 4,6%, indicando pressão de salários. Segundo o Household Survey, a taxa de desemprego subiu para 3,6%. A taxa de participação da força de trabalho aumentou levemente de 62,4% para 62,5%. Outro relatório do Departamento de Trabalho, o Jolts, mostrou diminuição do número de vagas de emprego em aberto, com total de 10,8 milhões em janeiro; apesar da redução, o número é elevado e mantém as vagas em aberto por desempregado em 1,9, bastante forte. Em relatório semanal, os pedidos iniciais de seguro-desemprego continuam em níveis baixos para padrões históricos, em 211 mil na semana encerrada em 4 de março, 21 mil acima da semana anterior. Todos os indicadores sugerem que o mercado de trabalho segue robusto. Em nossa visão, um desaquecimento do mercado de trabalho deve ser lento, o que deve manter a inflação pressionada por algum tempo.

O presidente do Banco Central americano (Federal Reserve – Fed), Jerome Powell, em audiência semestral no Congresso adotou um tom mais duro ao dizer que o pico dos juros pode ser maior do que era previsto pelo Comitê de Política Monetária em dezembro, em razão dos dados mais fortes do que o esperado. Acrescentou que uma volta a um ritmo maior de elevação de juros pode ocorrer se os dados indicarem a necessidade de maior aperto, deixando o caminho aberto para uma possível volta a aumentos de 50 pontos-base. Por ora, mantemos nossa visão de que o aumento deve ser de 25 pontos-base. De qualquer modo, acreditamos que o Fed possa estender o ciclo de alta de juros para o intervalo de 5,25% e 5,5% no final do ano. Esse nível de juros nos parece suficiente para esfriar o mercado de trabalho lentamente à frente e com isso reduzir a inflação a passos lentos. Acreditamos que o juro fique em patamar elevado por um bom tempo. Não esperamos cortes de juros antes de meados de 2024.

Os pedidos à indústria seguem elevados, sinalizando forte demanda. O índice divulgado pelo Departamento do Comércio americano caiu 1,6% em janeiro em relação ao mês anterior. O núcleo, que exclui o setor de transportes, teve expansão de 1,2%.

Europa: PIB do Reino Unido tem expansão moderada em janeiro

O conflito entre Rússia e Ucrânia está no segundo ano. Mísseis russos foram lançados intensamente sobre várias cidades, mirando principalmente infraestrutura de energia. A Ucrânia tem tido dificuldade em abater os mísseis mais sofisticados por escaparem do sistema de defesa aéreo. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse que os bombardeios causaram a interrupção temporária no fornecimento de energia e água em diversas regiões, inclusive na capital Kiev. A presidente da Comissão Europeia condenou o que chamou de ataque de mísseis indiscriminados a alvos civis e acrescentou que ataques desse tipo são crime de guerra.

Preços das commodities energéticas seguem baixos. Entre os dias 3 e 9 de março, o preço do petróleo teve leve queda e está girando em torno de 82 dólares por barril (Brent). O preço do gás natural caiu 3% no mesmo período e está quase 50% abaixo da média de janeiro de 2022 (pré-guerra), com aumento de importações de gás natural liquefeito e estoque de gás elevado no continente. Uma greve nos últimos dias na França, contra a reforma da previdência, tem atrapalhado o funcionamento de terminais de gás natural liquefeito no país, com impactos no fornecimento para o continente. O frio mais intenso no norte europeu nos últimos dias também tem pressionado a demanda pela commodity. Apesar disso, os estoques de gás seguem acima da média para esse período do ano. No fechamento de quinta-feira, o preço do gás natural estava mais de 85% abaixo do pico de preços em agosto, o que continua sinalizando perspectivas melhores de crescimento na região.

As vendas no varejo tiveram aumento moderado. O índice subiu 0,3% em janeiro frente ao mês anterior, depois de queda em dezembro, segundo o Eurostat. Houve aumento na venda de alimentos e leve aumento excluindo alimentos. Apesar do aumento modesto, a tendência tem sido de queda nas vendas no varejo desde meados de 2022, com a pressão inflacionária reduzindo o poder de compra.

No Reino Unido, a atividade teve expansão melhor que o esperado. O crescimento foi modesto, de 0,3% em janeiro frente ao mês anterior, mas impulsionado por uma melhora no setor de serviços (0,5%), enquanto manufaturas e construção tiveram contração. Dentro do setor de serviços a melhora ocorreu em diversas categorias, como educação, transportes, alimentos e varejo.

Japão: política monetária inalterada

O Banco do Japão manteve a política monetária inalterada na última reunião presidida por Haruhiko Kuroda. A taxa de juros permaneceu negativa (0,1%) e o intervalo de flutuação de juros de títulos de 10 anos do governo continuou centrado em 0% com amplitude de 0,5%.

O parlamento japonês aprovou formalmente Kazuo Ueda como sucessor de Kuroda a partir de 9 de abril. O novo presidente já tinha sido apontado pelo primeiro-ministro japonês. Dados econômicos mais fracos do que o esperado, como PIB e gastos com consumo, sugerem que o BoJ não terá pressa em retirar os estímulos no curto prazo.

China: Xi Jinping consolida seu poder

O Congresso Nacional do Povo, evento político chinês mais importante do ano, elegeu em votação unânime o presidente Xi Jinping para um terceiro mandato de cinco anos, tornando Xi o líder chinês por mais tempo à frente do país desde sua fundação em 1949. No fim de semana passado, quando iniciou o evento, foram definidos os objetivos para economia em 2023. A meta para o crescimento do PIB ficou “em torno de” 5%, abaixo das expectativas, que eram de “acima de 5%”. Importante destacar que esse objetivo não é uma restrição ao crescimento, mas sinaliza que o governo pretende deixar a economia crescer sem dar novos estímulos. Um crescimento acima de 5% é esperado por boa parte dos analistas, já que houve uma melhora significativa da atividade com a reabertura e normalização do quadro de Covid-19 antes do previsto. Durante o Congresso, também foi citada a estratégia de superar a América, com foco em ciências e tecnologia. Neste fim de semana, novas lideranças do governo devem ser apontadas. O primeiro-ministro deve ser Li Qiang, escolhido por Xi Jinping como liderança do partido durante o Congresso quinquenal realizado no fim do ano passado. Li é aliado de Xi e considerado leal ao partido.

O fluxo de crédito agregado expandiu mais que o esperado em fevereiro. O volume foi de RMB 3,1 trilhões de yuans em fevereiro, segundo o Banco Central da China (PBOC, na sigla em inglês), ficando abaixo de janeiro que costuma ser um mês forte. O crédito aumentou com emissão de títulos públicos e corporativos e mais empréstimos para empresas e famílias. Com a recuperação da economia, o PBOC tem diminuído mensagens de estímulo a crédito, preferindo mais cautela. O vice-presidente do Banco em discurso durante o Congresso Nacional do Povo falou em crescimento econômico equilibrado evitando riscos financeiros, segundo mídia local.

A inflação desacelerou e segue baixa. O índice de preços ao consumidor (CPI) subiu 1% em fevereiro frente ao mesmo mês do ano anterior, segundo o Escritório Nacional de Estatísticas chinês (NBS, na sigla em inglês), refletindo desaceleração nos preços de alimentos. O núcleo do índice (que exclui alimentos e energia) continuou baixo em meio a reabertura. O índice de preços ao produtor (PPI) teve queda de 1,4% no mesmo período, a quinta consecutiva, refletindo menor preço de energia no mercado internacional.

A balança comercial teve superávit de 116,9 bilhões de dólares em janeiro e fevereiro, maior que o esperado. Apesar do superávit, houve queda nas exportações e nas importações, ambas afetadas por um efeito de ano base forte. As exportações mostraram resiliência para Europa e cresceram para a Ásia Emergente, enquanto ficaram mais fracas para os Estados Unidos.

Brasil

Focus: projeções estáveis na semana

A projeção para o IPCA ficou estável para 2023 (5,9%), para 2024 (4,02%), para 2025 (3,8%) e para 2026 (de 3,75% para 3,77%). Os números esperados para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) permaneceram praticamente inalterados para 2023 (de 0,84% para 0,85%) e ficaram estáveis para 2024 (em 1,5%). A taxa Selic não foi alterada para 2023 (12,75%), para 2024 (10%) e nem para 2025 (9%). Já para 2026, houve leve alta (de 8,5% para 8,75%). As projeções estão no Boletim Focus, relatório do Banco Central que reúne a expectativa das instituições financeiras em relação aos principais indicadores econômicos do país.

Inflação: IPCA surpreende com abertura negativa

O IPCA de fevereiro registrou alta de 0,84% – acima do que nós (0,77%) e o mercado (0,78%) esperávamos. A maior surpresa veio no segmento de serviços, mas alguns itens de bens industriais também surpreenderam, como higiene pessoal. O IPCA acumula alta em 12 meses de 5,6% e mostra desaceleração nessa métrica. A inflação de serviços ficou em 7,8% em 12 meses. A inflação de bens industriais registrou alta no mês, mas mostra clara tendência de queda nos últimos meses e deve seguir recuando à frente. Projetamos IPCA de 5,8% para 2023 e de 5% para 2024. A inflação de preços livres deve continuar desacelerando a passos lentos.

A inflação medida pelo IGP-DI subiu 0,04% em fevereiro, levemente acima da mediana das projeções do mercado de 0,02%. A composição dos índices de atacado mostrou o IPA agrícola com expansão de 0,26% frente à queda de 0,56% no mês anterior. O núcleo do IPA industrial – que inclui apenas os itens relacionados à inflação de bens industriais do IPCA, excluindo alimentos, combustíveis e minério de ferro – registrou leve alta de 0,03%. Em 12 meses, o IPA agrícola está em -3,7% e o núcleo do IPA industrial em 2,9%.

Equipe Econômica C6 Bank

Felipe Salles Head
Claudia Moreno Head Brasil
Claudia Rodrigues Head Internacional
Felipe Mecchi Internacional
Heliezer Jacob Brasil

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