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Resumo semanal: inflação americana desacelera, mas segue elevada

Confira as principais notícias da semana, segundo a avaliação da equipe econômica do C6 Bank

Atualizado em

Confira as principais notícias da semana (19/12-23/12), segundo a avaliação da equipe econômica do C6 Bank. Leia a íntegra do relatório.

Internacional

Estados Unidos: inflação menor, mas ainda pressionada por serviços

O índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês) aumentou 0,1% em novembro em relação ao mês anterior, segundo dados do Departamento do Comércio americano. Preços de bens contraíram 0,4%, enquanto preços de serviços seguem subindo (+0,4%). A inflação de bens tem cedido com a normalização da cadeia de produção e a volta do consumo por serviços. Já a inflação de serviços continua subindo em razão de um mercado de trabalho aquecido (excesso de demanda por trabalhador) que impulsiona salários. O índice PCE acumula alta de 5,5% nos últimos doze meses. O núcleo do indicador, que exclui alimentos e energia, também desacelerou para 0,2% no mês e em doze meses acumula alta de 4,7%, permanecendo bem acima da meta de 2% do Banco Central americano (Fed, Federal Reserve). A desaceleração da inflação ocorre em razão do aumento de juros iniciado pelo Fed no início do ano. Em nossa visão, mais aumentos serão necessários para esfriar o mercado de trabalho. Acreditamos que a taxa de juros chegue ao intervalo de 5% a 5,25% em 2023, e só comece a cair em 2024.

A renda das famílias segue em alta. Houve aumento de 0,4% em novembro frente ao mês anterior, em razão de aumentos de salários do setor privado e benefícios sociais do governo. Os gastos com consumo subiram 0,1%. Houve queda nos gastos com bens (-1%) e aumento com serviços (0,7%), segundo dados do Departamento do Comércio. Em termos reais, a renda disponível subiu 0,3% e os gastos ficaram estáveis.

O setor imobiliário segue em queda livre. Os índices de construção de novas moradias e de permissão para construir tiveram retração de 0,5% e 11,2%, respectivamente, em novembro frente ao mês anterior, segundo o Departamento de Comércio. A venda de casas usadas diminuiu 7,7% no mesmo período, segundo a Associação Nacional de Corretores de Imóveis (NAR, na sigla em inglês), completando dez meses consecutivos de queda e levando o nível de vendas ao menor patamar desde 2010, excluindo o início da pandemia. Os estoques de casas disponíveis para venda têm aumentado na margem e preços estão com tendência de queda. O índice de confiança das construtoras (NAHB Housing Market Index) também diminuiu 2 pontos em dezembro. Taxas de hipotecas mais elevadas, em razão do aperto da política monetária do Banco Central americano, têm pesado sobre o setor.

A confiança do consumidor aumentou em dezembro. O dado do índice do Conference Board subiu 6,9 pontos para 108,3, depois de 2 meses seguidos de queda. O aumento do índice ocorre em razão de uma melhora na avaliação dos consumidores sobre as condições do mercado de trabalho e dos negócios. A expectativa para a inflação de um ano recuou, mas permanece elevada, em 6,7% em dezembro. A percepção quanto à facilidade de conseguir emprego subiu 4,3 pontos e permanece elevada, sinal que o mercado de trabalho segue aquecido.

O mercado de trabalho segue firme. Em relatório semanal, os pedidos iniciais de seguro-desemprego continuam em níveis baixos para padrões históricos, em 216 mil na semana encerrada em 17 de dezembro, 2 mil acima da semana anterior.

Europa: preço do gás em queda

O conflito entre Rússia e Ucrânia completou dez meses. Bombardeios russos continuam com mísseis de longo alcance direcionados principalmente para infraestruturas de energia. Várias regiões da Ucrânia, inclusive a capital, enfrentam apagões prolongados em meio a baixas temperaturas. O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, foi a Washington, em sua primeira viagem internacional desde o início da guerra, para reforçar pedidos de apoio ao novo Congresso americano. Ministros de Energia da União Europeia definiram um limite superior para o preço do gás natural, medida que deve entrar em vigor em fevereiro de 2023, com o objetivo de evitar uma escalada de preços domésticos, como aconteceu no verão deste ano, mas sem interferir no preço internacional, o que poderia afastar vendedores da commodity.

Os preços das commodities seguem com alta volatilidade. Entre os dias 16 e 22 de dezembro, o preço do petróleo permaneceu praticamente estável em torno de US$ 80 por barril, refletindo preocupações com crescimento global. O gás natural segue tendência de queda e contraiu mais de 20% no período, com estoques elevados no continente, importações de gás natural liquefeito próximas ao recorde e temperatura amena em várias regiões. No momento, contratos de gás negociados na Europa estão apenas 8% acima da média de janeiro 2022 (pré-guerra). A maior disponibilidade de gás no continente tem diminuído os riscos de uma recessão profunda ou duradoura.

A confiança do consumidor (índice de sentimento econômico, calculado pela Comissão Europeia) aumentou 1,7 ponto em dezembro, maior nível dos últimos seis meses, sinalizando alguma resiliência das famílias. Apesar da melhora, o índice continua em nível baixo, próximo da mínima histórica alcançada em setembro.

No Reino Unido, a economia contraiu 0,3% no 3T22 em relação ao trimestre anterior, com ajuste sazonal, de acordo com a estimativa final do Escritório Nacional de Estatísticas (ONS, na sigla em inglês). Houve queda no consumo privado e desaceleração de investimentos e gastos públicos no período. O 3T22 foi o primeiro trimestre de retração da economia desde o início da recuperação pós-Covid em meados de 2020.

Japão: surpresa monetária

O Banco Central do Japão (BoJ, na sigla em inglês) anunciou um aumento no intervalo de flutuação dos rendimentos dos títulos públicos japoneses de 10 anos. O novo intervalo passa de mais ou menos 0,25% para mais ou menos 0,5%. Tal medida foi justificada pela necessidade de melhorar a funcionalidade do mercado que vinha mantendo os rendimentos no limite superior da faixa, exigindo intervenções frequentes do BoJ. A mudança de política monetária não era esperada antes da saída do atual presidente do Banco em abril de 2023. A taxa básica de juros não foi alterada e permanece em -0,10% ao ano. Em comunicado, o BoJ enfatizou sua intenção de continuar com uma política monetária de alívio. Economistas, no entanto, entenderam a medida como um primeiro passo para a normalização. O BoJ é o único Banco Central entre as grandes economias a manter taxa de juros inalterada desde 2016.

A inflação do Japão está acelerando no ritmo mais rápido desde 1981. Em 12 meses, o índice de preços ao consumidor acelerou para 3,8% em novembro frente ao mesmo mês do ano anterior, segundo o Ministério de Assuntos Internacionais e Comunicação. O núcleo do indicador, que exclui alimentos frescos e energia, acumula alta de 2,8% no mesmo período. O aumento na inflação, que está acima da meta de 2% do BoJ, reforça expectativas de aumento dos juros no início do próximo ano.

China: reabertura tumultuada

O número de casos diários confirmados de Covid-19 está próximo de 4 mil, com tendência de alta, enquanto o número de casos assintomáticos parou de ser reportado há uma semana, em razão do fim da obrigatoriedade da testagem. Dados de alta frequência, como congestionamentos no trânsito, viagens de metrô e avião, mostram queda na mobilidade em grandes centros urbanos como Xangai, Pequim, Shenzhen, em razão do aumento de casos e preocupação da população. Apesar disso, em várias regiões do país, trabalhadores que testarem positivo podem voltar ao trabalho se apresentarem sintomas leves ou forem assintomáticos. Epidemiologistas locais preveem pico de casos em 1 ou 2 meses, seguido por gradual declínio nos próximos 6 meses. Notícias de hospitais sobrecarregados e falta de medicamentos em várias regiões são frequentes. A saída abrupta da política de Covid zero tem pesado sobre a população e a economia. A expectativa é de atividade fraca no curto prazo.

Em decisão no início da semana, o PBOC manteve inalteradas as taxas de juros de curto prazo (LPR 1 ano) e de longo prazo (LPR 5 anos), conforme esperado. A LPR 1 ano permaneceu em 3,65% e a LPR 5 anos em 4,30%. Na semana anterior, o Banco Central já tinha deixado inalterada a taxa de médio prazo. A moeda chinesa ganhou força no fim de novembro e está praticamente estável, com expectativas positivas quanto a reabertura do país e mensagens de líderes do partido comunista de apoio à economia em 2023.

Brasil

Focus: alta para o IPCA de 2023 e elevação nos juros para 2024

A projeção para o IPCA apresentou leve queda para 2022 (de 5,79% para 5,76%), alta para 2023 (de 5,08% para 5,17%) e estável para 2024 (em 3,5%). O número esperado para o Produto Interno Bruto (PIB) permaneceu inalterado para 2022 (em 3,05%), teve leva alta para 2023 (de 0,75% para 0,79%) e leve queda para 2024 (de 1,70% para 1,67%). A taxa Selic ficou estável em 11,75% para 2023 e passou de 8,50% para 9% para 2024. As projeções estão no Boletim Focus, relatório do Banco Central que reúne a expectativa das instituições financeiras em relação aos principais indicadores econômicos do país.

Inflação: IPCA-15 fecha o ano 2022 com alta de 5,9%

O IPCA-15 de dezembro registrou alta de 0,52%, em linha com o esperado pelo mercado (0,54%) e por nós (0,54%). O índice acumula alta de 5,9% na variação em 12 meses e continua mostrando desaceleração. A média dos núcleos da inflação calculada pelo Banco Central, uma medida mais limpa da tendência dos preços, já mostra sinais claros de desaceleração, mas segue em patamar elevado, acumula alta de 9,1% em 12 meses. A inflação de serviços acumula alta de 7,6% e a de bens industriais de 9,7%. A inflação de serviços sofre com os efeitos da inércia inflacionária e, por isso, deve demorar mais a ceder. Projetamos que o IPCA termine 2022 em 5,6%. Para 2023 nossa previsão é que a inflação fique em 5,9%.

Equipe Econômica C6 Bank

Felipe Salles Head
Claudia Moreno Head Brasil
Claudia Rodrigues Head Internacional
Felipe Mecchi Internacional
Heliezer Jacob Brasil

Este relatório foi preparado pelo Banco C6 S.A.

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