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Resumo semanal: inflação moderada

Confira as principais notícias da semana, segundo a avaliação da equipe econômica do C6 Bank

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Confira as principais notícias da semana (27/11-1/12), segundo a avaliação da equipe econômica do C6 Bank. Leia a íntegra do relatório.

Internacional

Estados Unidos: inflação em linha com o esperado

A inflação desacelerou. O índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês) ficou estável em outubro em relação ao mês anterior, segundo dados do Departamento do Comércio americano. O núcleo do indicador, que exclui alimentos e energia, desacelerou de 0,3% para 0,2%. No acumulado em doze meses, o PCE e o núcleo acumulam alta de 3% e 3,5%, respectivamente, acima da meta de 2% do banco central americano, mas cedendo em relação ao período anterior. A composição do índice mostra que o preço de bens não é um problema, mas o preço de serviços continua pressionando o indicador, com salários acima da produtividade puxando o índice para cima.

O setor imobiliário continua fraco. A venda de casas novas diminuiu 5,6% em outubro frente ao mês anterior, segundo o Departamento do Comércio americano, e houve revisão para baixo do dado divulgado no mês anterior. A venda de casas novas representa aproximadamente 15% do total de vendas de casas, sendo o restante atribuído a casas existentes, que também tiveram queda no mês. O aumento dos juros no país tem impacto direto sobre a taxa de hipoteca de financiamentos imobiliários, o que afeta o setor. As vendas pendentes de casas caíram 1,5% no mesmo período, segundo a Associação Nacional de Corretores de Imóveis (NAR, na sigla em inglês). Vendas pendentes costumam antecipar vendas de casas existentes, que representam a maior parte das vendas no mercado imobiliário.

Preços de imóveis continuam subindo. Estoques baixos de casas disponíveis para venda pressionam preços, que subiram 0,6% em setembro em relação ao mês anterior, segundo dados da Agência Federal de Financiamento da Habitação (FHFA, na sigla em inglês). Em 12 meses, o indicador acumula alta de 6,1%.

A renda e o consumo das famílias permaneceram elevados. Ambos os índices subiram 0,2% em outubro frente ao mês anterior, segundo dados do Departamento do Comércio. Houve corte nos gastos com bens, mais que o compensado por aumento de gastos com serviços.

Em relatório semanal, os pedidos iniciais de seguro-desemprego continuam em níveis baixos para padrões históricos, em 218 mil na semana encerrada no dia 25 de novembro, 7 mil acima da semana anterior revisada.

Europa: inflação desacelera

A guerra entre Rússia e Ucrânia se estende pelo segundo ano. A contraofensiva ucraniana está praticamente estagnada nos últimos meses, sem conseguir ultrapassar linhas de defesa (campos minados e trincheiras) russas. A preocupação do presidente ucraniano é que combates comecem a acontecer para além do leste e sul do país. A Rússia mantém pressão militar. O conflito segue sem perspectiva de fim próximo.

A confiança na economia segue baixa. O índice de sentimento econômico, calculado pela Comissão Europeia, subiu 0,3 ponto na prévia de novembro para 93,8. A confiança segue fraca entre consumidores e nos setores de manufaturas e serviços.

A inflação ao consumidor continuou desacelerando. O índice (CPI, na sigla em inglês) subiu 2,4% nos últimos doze meses até novembro, segundo a prévia do Eurostat, com queda forte no preço de energia pela segunda vez consecutiva e desaceleração de alimentos. O núcleo da inflação, que exclui alimentos, energia, álcool e tabaco, também desacelerou de 4,2% para 3,6% no período, com redução na inflação de bens e serviços. Apesar da desaceleração, os preços de serviços seguem elevados, subindo 4% no período. A inflação diminuiu nas quatro maiores economias do bloco: Alemanha (2,3%), França (3,8%), Itália (0,7%) e Espanha (3,2%). 

O mercado de trabalho continua robusto. A taxa de desemprego permaneceu em 6,5% em outubro, próximo do mínimo histórico, o que deve manter pressão sobre salários. O índice divulgado pelo Eurostat mostra heterogeneidade entre as economias do bloco. O desemprego permanece baixo na Alemanha (3,1%), mas alto na Espanha (12%).

China: atividade fraca

A atividade voltou a perder força em novembro, segundo os índices de gerentes de compras (PMIs, na sigla em inglês), calculados pelo Escritório Nacional de Estatísticas chinês (NBS, na sigla em inglês). O PMI composto, que considera o setor de manufaturas, construção e serviços, diminuiu para 50,4 pontos, menor nível do ano, sinalizando expansão fraca. Houve piora no indicador de serviços e de manufaturas, ambos sinalizando contração, e melhora no indicador de construção em meio a maiores investimentos em infraestrutura.

O lucro da indústria subiu 2,7% em outubro comparado ao mesmo mês do ano anterior, de acordo com o Departamento Nacional de Estatísticas da China (NBS, na sigla em inglês). O aumento é o terceiro consecutivo desde meados de 2022, em razão de uma expansão da atividade industrial depois de medidas de suporte do governo.

Commodities: decisão da OPEP+ não pressiona petróleo

O conflito entre Israel e o Hamas está no segundo mês. A trégua durou uma semana. Ambos os lados cumpriram o acordo – o Hamas libertou alguns reféns enquanto Israel soltou prisioneiros palestinos. Houve entrada de ajuda humanitária em Gaza. Bombardeios foram retomados por Israel, depois que o Hamas atacou território israelense mais cedo. A crise geopolítica pode demorar algum tempo. Não houve impacto relevante nos mercados globais por enquanto, mas a atenção continua quanto a uma possível escalada do conflito na região, que é a maior exportadora de petróleo.

O preço do ouro subiu na semana e está 11% acima do registrado antes do início do conflito entre Israel e Hamas (6/10). Dados mostrando desaceleração da economia americana aumentaram apostas que o Fed cortará juros no início do próximo ano. Tal expectativa levou a uma desvalorização do dólar, o que também acaba provocando aumento em preços de produtos cotados na moeda americana, como o ouro e o petróleo.

O preço futuro do petróleo (Brent) terminou a semana (23-30/nov) em 83 dólares por barril, pouco acima da semana anterior. Houve decisão da Organização de Países Exportadores de Petróleo e aliados (OPEP+) por cortes voluntários na produção de alguns países no próximo ano para estabilizar preços. A decisão da OPEP+ teve pouco impacto por não deixar claro quanto do volume produzido será diminuído. A Arábia Saudita estendeu seu corte de 1 milhão de barris por dia para o 1T24. Angola disse que não cumprirá cortes. O preço do petróleo vem recuando desde meados de outubro – quando alcançou 96 dólares por barril – em razão de uma produção maior que a esperada, principalmente dos Estados Unidos, e ausência de impactos do conflito nas exportações do Golfo Pérsico.

O preço futuro do gás natural na Europa segue baixo com estoques elevados da commodity no continente europeu. Desde o início do conflito entre Rússia e Ucrânia, o preço do gás natural já recuou e está abaixo da média de janeiro de 2022 (pré-guerra).

O preço futuro do trigo na Bolsa de Chicago teve alta expressiva de 4% na semana (23-30 novembro), com preocupações quanto a embarques e fluxo de navios na região do Mar Negro em meio a guerra entre Rússia e Ucrânia. Os preços do milho e da soja permaneceram estáveis no mesmo período.

Brasil

Focus: projeções estáveis

As projeções para o IPCA ficaram estáveis para 2023 (de 4,55% para 4,53%), para 2024 (3,91%), para 2025 (3,5%) e para 2026 (3,5%). Os números esperados para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) não tiveram mudanças para 2023 (de 2,85% para 2,84%) e para 2024 (1,5%). A taxa Selic permaneceu em 11,75% para 2023, em 9,25% para 2024, em 8,75% para 2025 e em 8,5% para 2026. As projeções estão no Boletim Focus, relatório do Banco Central que reúne a expectativa das instituições financeiras em relação aos principais indicadores econômicos do país.

Atividade: produção industrial de outubro corrobora cenário de estagnação

A produção industrial de outubro registrou leve alta de 0,1% frente ao mês anterior. O resultado veio abaixo das projeções do mercado. A indústria de transformação e a indústria extrativa registraram variações de 0% e -1,1%, respectivamente. Bens de capital – categoria ligada a investimentos em máquinas e equipamentos – registraram queda de 1,1% e acumulam contração de 10,3% em relação a outubro de 2022. À frente, nossa expectativa é que a indústria feche o ano próxima da estabilidade. A política monetária apertada e a desaceleração global contribuem para esta tendência. Projetamos crescimento do PIB de 3% neste ano, com leve viés de queda, e de 1,5% para 2024.

A taxa de desemprego da PNAD Contínua no trimestre terminado em outubro veio em 7,6%, em linha com a nossa projeção e a do mercado. Na série com nosso ajuste sazonal, o indicador está em 7,8%, estável frente ao trimestre encerrado em setembro. A composição do dado mostrou crescimento tanto da PEA (população economicamente ativa) quanto da ocupação. A renda real habitual do trabalhador registrou expansão de 0,3% no mês e acumulou alta de 3,8% em relação ao mesmo período de 2022. O crescimento da economia até agora foi suficiente para levar a taxa de desemprego para níveis abaixo do neutro, o que reforça o cenário de queda lenta da inflação.

Para 2023, a taxa de desemprego deve encerrar o ano um pouco abaixo de 8%. Nossa expectativa é que a taxa de desemprego (ajustada sazonalmente) registre apenas leve alta em 2024.

Inflação: IPCA-15 de novembro desacelera, mas inflação de serviços segue resiliente

O IPCA-15 de novembro registrou alta de 0,33%, em linha com a nossa projeção (0,31%) e com o consenso de mercado (0,30%). O índice acumula alta de 4,84% na variação em 12 meses, número menor que o mês anterior (5,05%). A composição mostrou uma abertura positiva: houve surpresa para baixo em alguns itens de serviços, apesar da alta acima do previsto em passagem aérea. A média dos núcleos da inflação calculada pelo Banco Central, uma medida mais limpa da tendência dos preços, mostra desaceleração. O índice está em 4,6% em 12 meses. Nesta mesma métrica, serviços estão em 6% e bens industriais em 2%. A inflação de serviços deve permanecer pressionada em função do mercado de trabalho apertado. Nas nossas projeções, o IPCA acumulado em 12 meses deve encerrar 2023 em 4,8%. Para 2024, nossa previsão é que a inflação fique em 5,5%.

A inflação medida pelo IGP-M registrou alta de 0,59% em novembro, em linha com a mediana das projeções do mercado (0,6%). Em 12 meses, o índice está em -3,5%, acima do mês anterior (-4,6%). A composição dos índices de atacado mostrou o IPA agrícola com expansão de 0,7% frente à contração de 0,3% no mês anterior. O núcleo do IPA industrial – que inclui apenas os itens relacionados à inflação de bens industriais do IPCA, excluindo alimentos, combustíveis e minério de ferro – registrou leve alta de 0,25%. Em 12 meses, o IPA agrícola está em -15,2% e o núcleo do IPA industrial em -2,4%.

Equipe Econômica C6 Bank

Felipe Salles Head
Claudia Moreno Head Brasil
Claudia Rodrigues Head Internacional
Felipe Mecchi Internacional
Heliezer Jacob Brasil

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