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Resumo semanal: sinais de melhora na economia global

Confira as principais notícias da semana, segundo a avaliação da equipe econômica do C6 Bank

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C6 Bank Felipe Salles. Foto: Germano Lüders

Confira as principais notícias da semana (23/1-27/1), segundo a avaliação da equipe econômica do C6 Bank. Leia a íntegra do relatório.

Internacional

Estados Unidos: PIB termina 2022 com crescimento de 2,1%

O PIB cresceu 2,9% no 4T22 em relação ao trimestre anterior, anualizado e com ajuste sazonal, de acordo com a primeira estimativa do Departamento do Comércio americano. No ano, o crescimento ficou em 2,1%. A expansão veio acima do esperado.

A atividade segue desacelerando, mas existe alguma melhora. As prévias dos índices de gerentes de compras (PMIs, na sigla em inglês) do mês de janeiro vieram acima das expectativas de mercado. Apesar da melhora, seguem mostrando a economia em retração. O PMI composto, que inclui o setor de manufaturas e serviços, subiu 1,6 ponto para 46,6, com melhora nos setores de serviços e manufaturas. Houve queda na demanda em ambos os setores, aumento da pressão inflacionária via custos para as empresas e aumento moderado de contratações, principalmente no setor de serviços. No detalhe, o PMI de serviços subiu 1,9 ponto para 46,6 e o PMI de manufaturas aumentou 0,6 ponto para 46,8.

Os indicadores regionais de atividade industrial do Federal Reserve (Fed) de Kansas e de Richmond sinalizam que a atividade está desacelerando, com demanda e produção mostrando retração em janeiro em ambas as regiões. Dados de emprego indicam sinais mistos, houve aumento nas contratações em Kansas e diminuição em Richmond. Dados de preços também mostram tendência clara de desaceleração quando comparados ao pico pós-pandemia, alcançado no segundo semestre de 2021.

Apesar da desaceleração da atividade, o mercado de trabalho continua aquecido. Os pedidos iniciais de seguro-desemprego continuam em níveis baixos para padrões históricos, em 186 mil na semana encerrada em 21 de janeiro, 6 mil abaixo da semana anterior.

Os pedidos de bens duráveis e de bens de capital (excluindo aeronaves e equipamentos de defesa) continuam em patamar elevado em dezembro, mesmo com a leve retração observada nos núcleos de novos pedidos. Ambos os indicadores permanecem bem acima do nível pré-pandemia.

O setor imobiliário segue em retração. As vendas de moradias novas acumulam queda de 26,6% no ano até dezembro. No mês, houve alta de 2,3%, que apenas reverteu parte da queda observada. As taxas de hipotecas, que tiveram forte aumento ao longo de 2022, permanecem elevadas e têm pesado sobre a atividade imobiliária desde o início do ano.

A renda das famílias segue em alta. Houve aumento de 0,2% em dezembro frente ao mês anterior, em razão de aumentos de salários do setor privado tanto no setor de bens quanto de serviços. Os gastos com consumo diminuíram 0,2% e houve revisão para baixo no mês anterior. Houve queda nos gastos com bens (-1,6%) e aumento com serviços (0,5%), segundo dados do Departamento do Comércio. Em termos reais, a renda disponível subiu 0,2% e os gastos tiveram retração de 0,3%.

O índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês) aumentou 0,1% em dezembro em relação ao mês anterior, segundo dados do Departamento do Comércio americano. Preços de bens contraíram 0,7%, enquanto preços de serviços seguem subindo, com aumento de 0,5% no mês. A inflação de bens tem cedido com a normalização da cadeia de produção e o alívio nos preços de commodities. Já a inflação de serviços continua subindo em razão de um mercado de trabalho aquecido (excesso de demanda por trabalhador) que impulsiona salários. O índice PCE acumula alta de 5% nos últimos doze meses. O núcleo do indicador, que exclui alimentos e energia, acelerou para 0,3% no mês e em doze meses acumula alta de 4,4%, permanecendo bem acima da meta de 2% do Banco Central americano. A desaceleração do núcleo da inflação ocorre em razão do aumento de juros iniciado pelo Fed no início do ano. Em nossa visão, mais aumentos serão necessários para esfriar o mercado de trabalho. Acreditamos que a taxa de juros chegue ao intervalo de 5% a 5,25% em 2023, e só comece a cair em 2024.

Europa: recuperação incipiente da atividade

O conflito entre Rússia e Ucrânia está no décimo primeiro mês. Tropas russas continuam executando bombardeios focados em infraestrutura crítica em diversas cidades, principalmente no leste e no sul da Ucrânia. Na quinta-feira, os ataques causaram a morte de 11 civis ucranianos. Os Estados Unidos e a Alemanha entraram em consenso e irão enviar tanques de guerra de última geração para a Ucrânia. Após pressão internacional, principalmente de membros da União Europeia, a decisão da Alemanha de enviar tanques Leopard 2, com entrega esperada para o período entre o fim de março e início de abril, também dá aval para que outras nações possam enviar seus tanques para o país – trata-se de uma condição contratual que os proprietários dos tanques de fabricação alemã só podem enviá-los após autorização do governo alemão. Entre os países que anunciaram o envio dos tanques para a Ucrânia estão Polônia, Espanha e Canadá.

Preços do petróleo estão estáveis. Entre os dias 20 e 26 de janeiro, o preço do petróleo teve uma leve retração de 0,2%, com os preços da commodity sob influências opostas da recuperação chinesa e a desaceleração da economia global. O preço do gás natural apresentou queda de 18,1% no mesmo período, com atualizações de projeções sobre o clima na próxima semana na Europa mostrando temperaturas ainda mais quentes do que o previsto anteriormente. No fechamento de quinta-feira, o preço da commodity está 35,7% abaixo da média de janeiro de 2022 (pré-guerra). Os riscos de recessão na Europa continuam sendo aliviados por importações de gás natural liquefeito e estoques, que permanecem elevados.

A atividade deu indícios de recuperação em janeiro, de acordo com as prévias dos índices de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês). Na quebra do índice, tanto o setor de manufaturas quanto o de serviços vieram melhores que o esperado na Área do Euro. O destaque foi o PMI de serviços, que subiu 0,9 ponto para 50,7, voltando a ter expansão após 5 meses consecutivos de contração. O PMI de manufaturas aumentou 1 ponto, mas permanece em território contracionista em 48,8.

A prévia do PMI do Reino Unido sinalizou contração pelo sexto mês consecutivo, com manufaturas e serviços se mantendo abaixo de 50 em janeiro. O PMI de manufaturas subiu 1,4 ponto para 46,7. O PMI de serviços caiu 1,9 ponto para 48. O relatório cita as altas taxas de juros e a confiança do consumidor em baixa como principais responsáveis pela contração da atividade no mês.

A inflação ao produtor (PPI, na sigla em inglês) também mostrou redução nos preços em dezembro, sugerindo alívio nos preços de bens à frente.

China: menor preocupação com a Covid-19

Nesta semana, ocorreu o feriado oficial do Ano Novo Lunar. Temores de que a intensa circulação de pessoas ao longo do feriado pudesse levar a altas no número de infecções de Covid-19 foram amenizados ao longo da semana com a publicação de novos dados: comparando a primeira semana de janeiro com dados do início desta semana, o número de mortes diárias e de casos severos tiveram queda de 79% e 72%, respectivamente. O Ministério da Saúde da China também publicou dados de que mais de 1,1 bilhão de pessoas foram infectadas desde o relaxamento das medidas de restrição à circulação no fim do ano passado, aproximadamente 80% da população. Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças da China, como grande parte da população já foi infectada recentemente, é pouco provável um novo pico de casos nos próximos 2 a 3 meses, devido à resistência adquirida após a infecção.

Brasil

Focus: expectativas de inflação subindo no longo prazo

A projeção para o IPCA apresentou alta para 2023 (de 5,39% para 5,48%) e 2024 (de 3,7% para 3,84%) e permaneceu estável para 2025 (em 3,5%). Destaque para a alta na projeção de 2026, que foi de 3,22% para 3,47%. Os números esperados para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) permaneceram praticamente inalterados para 2023 (de 0,77% para 0,79%) e ficaram estáveis para 2024 (em 1,5%). A taxa Selic permaneceu em 12,5% para 2023 e subiu tanto para 2024 quanto para 2025, indo de 9,25% para 9,5% e de 8,25% para 8,5%, respectivamente. As projeções estão no Boletim Focus, relatório do Banco Central que reúne a expectativa das instituições financeiras em relação aos principais indicadores econômicos do país.

Setor externo: saldo negativo na conta corrente em 2022

A conta corrente registrou déficit de US$ 10,9 bilhões no mês de dezembro. Considerando o dado com nosso ajuste sazonal, houve déficit de US$ 6,9 bilhões. O saldo foi positivo na balança comercial, porém negativo em serviços e rendas. Em 2022, o saldo de transações correntes acumulou déficit de 2,9% do PIB. O Investimento Estrangeiro Direto (IED) veio em US$ 5,6 bilhões no mês de dezembro, em linha com o consenso. Em 2022, o IED acumulou um saldo de 4,8% do PIB. Para 2023 e 2024, projetamos déficit de US$ 51 bi e US$ 41 bi para as transações correntes, respectivamente.

Inflação: IPCA-15 de janeiro corrobora cenário de queda lenta da inflação

O IPCA-15 de janeiro registrou alta de 0,55%, abaixo do que nós projetávamos (0,58%) e acima do consenso de mercado (0,51%). O índice acumula alta de 5,9% na variação em 12 meses, número estável em relação ao mês anterior. A média dos núcleos da inflação calculada pelo Banco Central, uma medida mais limpa da tendência dos preços, já mostra desaceleração, mas segue em patamar elevado. O indicador acumula alta de 8,7% em 12 meses. A inflação de serviços, na mesma métrica, está em 7,7% e a de bens industriais em 8,9%. A inflação de serviços sofre com os efeitos da inércia inflacionária e, por isso, deve demorar mais a ceder. Projetamos que o IPCA termine 2023 em 5,8%. Para 2024, nossa previsão é que a inflação fique em 4,5%.

Equipe Econômica C6 Bank

Felipe Salles Head
Claudia Moreno Head Brasil
Claudia Rodrigues Head Internacional
Felipe Mecchi Internacional
Heliezer Jacob Brasil

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