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O que é CDI e como funciona nos investimentos?  

Do cálculo do índice à sua importância no mercado financeiro, conheça um dos indicadores mais populares da renda fixa.

Atualizado em

Natália Maruyama

Tempo de leitura · 11 min

Publicado em

27 de outubro de 2022

Se você está pensando em investir em renda fixa, provavelmente se deparou com a sigla CDI. Ela aparece com frequência em CDBs, LCIs, LCAs e outras aplicações, quase sempre acompanhada de expressões como “100% do CDI”, ou até mesmo “200% do CDI”

O CDI funciona como uma das principais referências de rentabilidade. Por isso, entender esse indicador ajuda o investidor a comparar produtos, estimar retornos e avaliar se uma aplicação faz sentido para seus objetivos financeiros 

Para ajudar você a entender esse conceito, o C6 Bank preparou este conteúdo. Aqui, explicamos o que é o CDI, como ele funciona e por que ele é tão importante para quem investe. 

Quer conhecer outros conteúdos relacionados ao tema de investimentos? Confira estes posts: 

O que é CDI? 

CDI é a sigla para Certificado de Depósito Interbancário (CDI), um título utilizado por instituições financeiras em operações de empréstimo de curtíssimo prazo entre bancos. 

Essas operações existem para ajudar a manter o equilíbrio do sistema financeiro. Ao final de cada dia, os bancos precisam atender às exigências regulatórias do Banco Central relacionadas à disponibilidade de recursos. Quando uma instituição precisa reforçar sua liquidez, ela pode recorrer a empréstimos de outras instituições que possuem recursos excedentes.  

É justamente dessas operações que surge a taxa DI, também conhecida como taxa CDI. Como ela reflete os juros praticados nos empréstimos entre bancos, tornou-se um importante indicador para o mercado financeiro. 

Apesar de ser conhecido principalmente como referência para investimentos, o CDI nasceu para garantir o equilíbrio do sistema financeiro. É justamente essa dinâmica diária entre os bancos que faz dele um indicador tão importante." — Filipe B., Gerente do Time de Produtos de Investimentos do C6 Bank 

Como o CDI funciona nos investimentos? 

Embora tenha surgido para atender às necessidades do sistema bancário, o CDI ganhou um papel importante no universo dos investimentos. Hoje, ele é considerado um dos principais benchmarks da renda fixa, servindo como referência para avaliar o desempenho de diversos produtos financeiros. 

Investimentos como CDBs, LCIs, LCAs e alguns fundos de renda fixa podem ter sua rentabilidade atrelada ao CDI. Nesses casos, o retorno da aplicação acompanha total ou parcialmente a variação do indicador ao longo do tempo. 

Por isso, quando o CDI sobe, os investimentos pós-fixados vinculados a ele tendem a oferecer retornos maiores. Já quando o indicador cai, a rentabilidade dessas aplicações costuma diminuir. 

É nesse contexto que surgem expressões bastante comuns no mercado, como "100% do CDI" ou "110% do CDI". Mas o que esses percentuais realmente significam e como eles impactam o retorno do investimento? É o que vamos entender a seguir. 

O que significa render 100% do CDI? 

Quando um investimento rende 100% do CDI, isso significa que sua rentabilidade acompanha integralmente a variação do CDI durante o período em que o dinheiro permanece aplicado. 

Na prática, se o CDI acumular 10% em determinado intervalo de tempo, um investimento que rende 100% do CDI também terá uma rentabilidade bruta de 10% no mesmo período.  

Vale lembrar que, como o CDI pode variar ao longo da aplicação, o rendimento final do investimento também pode ser diferente do esperado inicialmente. 

Para entender melhor, imagine um cenário hipotético em que o CDI acumulado em um ano seja de 10%: 

Rentabilidade do investimento
Retorno bruto no período
90% do CDI
9%
100% do CDI
10%
105% do CDI
10,5%

Nesse exemplo, um investimento que rende 90% do CDI acompanha apenas parte da variação do indicador. Já um investimento que rende 105% do CDI entrega uma rentabilidade superior ao CDI acumulado no período. 

Por isso, ao comparar aplicações de renda fixa, é comum observar o percentual do CDI oferecido. Em geral, quanto maior esse percentual, maior tende a ser a rentabilidade potencial do investimento. 

No entanto, esse não deve ser o único critério de análise. Aspectos como prazo da aplicaçãoliquideztributação e risco do produto também podem influenciar o resultado final e devem ser considerados na hora de investir. 

Como calcular o rendimento do CDI? 

Quando um investimento é atrelado ao CDI, sua rentabilidade pode ser estimada com a seguinte fórmula: 

Rentabilidade do investimento = Taxa do CDI × (% do CDI ÷ 100) 

Para facilitar a compreensão, considere um cenário hipotético em que o CDI acumulado no período seja de 10%. 

Imagine que você invista R$ 5.000 em uma aplicação que rende 102% do CDI. Nesse caso, o cálculo da rentabilidade seria: 

Etapa
Cálculo
CDI acumulado no período
10%
Percentual do CDI oferecido pelo investimento
102%
Rentabilidade da aplicação
10% × (102 ÷ 100) = 10,2%
Valor investido
R$ 5.000
Ganho bruto estimado
R$ 510
Valor total ao final do período
R$ 5.510

Nesse exemplo, o investimento teria uma rentabilidade bruta de 10,2% no período, resultando em um ganho de R$ 510 sobre o valor aplicado. 

Vale lembrar que esse cálculo tem caráter ilustrativo. Na prática, o CDI varia ao longo do tempo, o que significa que o rendimento final só será conhecido no momento do resgate ou vencimento da aplicação. 

Além disso, alguns investimentos estão sujeitos à incidência de Imposto de Renda e, em resgates realizados nos primeiros 30 dias, também pode haver cobrança de IOF. 

CDB e CDI são a mesma coisa? 

Não. Apesar das siglas parecidas e de frequentemente aparecerem juntas nos investimentos de renda fixa, CDI e CDB representam conceitos diferentes. 

O CDI é um indicador utilizado como referência de rentabilidade para diversos produtos financeiros. Já o CDB é um investimento de renda fixa emitido por instituições financeiras para captar recursos junto aos investidores. 

Na prática, muitos CDBs utilizam o CDI como indexador de rentabilidade. Por isso, é comum encontrar aplicações que prometem retornos como 100% do CDI, 105% do CDI ou outros percentuais do indicador. 

Em resumo, o CDI funciona como uma referência de rendimento, enquanto o CDB é o produto em que o investidor aplica seu dinheiro. 

Quais são os investimentos atrelados ao CDI? 

Para quem busca alternativas de renda fixa, investir em aplicações atreladas ao CDI pode trazer vantagens como acompanhar os movimentos das taxas de juros da economia, contar com maior previsibilidade de rentabilidade e encontrar opções adequadas para diferentes objetivos financeiros.  

Entre os principais investimentos atrelados ao CDI estão: 

  • LCI e LCA: Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e do Agronegócio (LCA). Emitidas pelos bancos, elas contam com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e são isentas de Imposto de Renda para pessoas físicas; 
  • Debêntures: títulos de crédito negociados no mercado de capitais, que costumam ter um vencimento mais longo que outros produtos de renda fixa; 
  • CRI e CRA: Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e do Agronegócio (CRAs), são títulos securitizados de renda fixa. Muito usados no financiamento de imóveis e empréstimos para viabilizar uma produção, além de também serem isentos de Imposto de Renda. 
  • Fundos de renda fixa simples: não são diretamente referenciados pelo índice, mas costumam tê-lo como benchmark a ser acompanhado. 

Qual a relação do CDI e a taxa Selic? 

Vale reforçar que o CDI e a taxa Selic são valores definidos de formas diferentes. A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira, definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central e utilizada como um dos principais instrumentos de controle da inflação.  

Já o CDI é calculado com base nos juros cobrados nos empréstimos de curtíssimo prazo realizados entre instituições financeiras. 

A relação entre os dois indicadores acontece porque a Selic influencia o custo do dinheiro na economia. Quando o Banco Central aumenta a Selic, os juros das operações financeiras tendem a subir, incluindo os empréstimos realizados entre os bancos. Como consequência, o CDI também costuma subir. 

Da mesma forma, quando a Selic é reduzida, o custo dessas operações tende a cair, fazendo com que o CDI também acompanhe esse movimento. 

Por esse motivo, os dois indicadores costumam apresentar valores muito próximos ao longo do tempo.  

Como o CDI evoluiu ao longo dos anos? 

Como vimos, o CDI costuma acompanhar de perto os movimentos da taxa Selic. Por isso, sua trajetória ao longo do tempo reflete os diferentes ciclos da economia brasileira, passando por períodos de juros elevados, quedas históricas e novas altas para controle da inflação. 

Nos últimos anos, o indicador apresentou mudanças significativas: 

Ano 
CDI acumulado
2020
2,76%
2021
4,42%
2022
12,39%
2023
13,04%
2024
10,88%
2025
14,32%

Como o CDI influencia a economia e seus investimentos? 

Como o CDI costuma acompanhar de perto a taxa Selic, suas variações ajudam a entender como o cenário econômico pode afetar a rentabilidade das aplicações financeiras e as taxas cobradas em empréstimos e financiamentos. 

Mas, afinal, como isso acontece? A resposta depende da direção do indicador: 

Quando o CDI sobe  

Quando o CDI está em alta, os investimentos pós-fixados atrelados a esse indicador tendem a oferecer retornos maiores. É o caso de muitos CDBs, LCIs, LCAs e fundos de renda fixa que utilizam o CDI como referência de rentabilidade.. 

Por outro lado, a elevação do CDI geralmente está associada a um ambiente de juros mais altos. Nesse cenário, empréstimos e financiamentos costumam ficar mais caros, já que as instituições financeiras tendem a aumentar as taxas cobradas dos clientes. 

Quando o CDI cai 

Quando o CDI recua, os investimentos pós-fixados atrelados ao indicador tendem a apresentar uma rentabilidade menor. Isso acontece porque o retorno dessas aplicações acompanha a variação da taxa ao longo do tempo. 

Em contrapartida, a redução do CDI costuma estar relacionada a um cenário de juros mais baixos, o que pode favorecer o acesso ao crédito. Nesses momentos, empréstimos e financiamentos tendem a ter taxas mais competitivas para consumidores e empresas. 

Vale notar que investimentos prefixados funcionam de forma diferente. Neles, a taxa de rentabilidade é definida no momento da aplicação. Por isso, quem investe em um título prefixado não vê seu rendimento contratado mudar quando o CDI sobe ou cai. No entanto, as expectativas sobre os juros futuros podem influenciar o preço desses títulos antes do vencimento. 

Como usar o CDI para comparar investimentos? 

O CDI é uma referência importante para avaliar investimentos de renda fixa e pode ser um aliado na hora de definir uma estratégia de investimento. No entanto, comparar aplicações apenas pelo percentual do CDI pode levar a conclusões equivocadas.  

Para fazer uma análise mais completa, é importante considerar outros fatores que também influenciam o retorno e a adequação do investimento aos seus objetivos. 

Compare investimentos do mesmo tipo 

O percentual do CDI faz mais sentido quando a comparação é feita entre produtos semelhantes. Por exemplo, comparar dois CDBs ou duas LCIs permite uma análise mais justa do potencial de rentabilidade de cada alternativa. 

Observe a liquidez 

Um investimento que rende mais pode exigir que o dinheiro fique aplicado por um período maior. Por isso, antes de escolher uma aplicação, vale verificar as regras de resgate e entender se elas são compatíveis com suas necessidades. 

Avalie a tributação 

Alguns investimentos atrelados ao CDI possuem incidência de Imposto de Renda, enquanto outros são isentos para pessoas físicas. Dependendo do produto, a rentabilidade líquida pode ser mais relevante do que o percentual do CDI anunciado. 

Considere o prazo da aplicação 

O tempo em que o dinheiro permanece investido também influencia o resultado final. Em muitos casos, investimentos com prazos mais longos oferecem rentabilidades maiores, mas exigem menor flexibilidade para resgate. 

Verifique a cobertura do FGC quando aplicável 

Produtos como CDBs, LCIs e LCAs contam com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), respeitados os limites estabelecidos pela instituição. Essa proteção pode ser um fator importante na comparação entre diferentes alternativas de renda fixa. 

Analise o risco do emissor 

Além da rentabilidade, é importante avaliar a solidez da instituição ou empresa responsável pelo investimento. Em geral, investimentos com maior risco tendem a oferecer retornos mais elevados, enquanto emissores mais consolidados podem apresentar taxas menores. 

Como investir no C6 Bank? 

Se você busca investimentos atrelados ao CDI, o C6 Investoferece diferentes alternativas de renda fixa para perfis e objetivos variados. Entre as opções disponíveis estão CDBs pós-fixados, que acompanham a variação do CDI ao longo do tempo, além de outros produtos que podem complementar sua estratégia de investimentos. 

Os CDBs do C6 Bank contam com aplicação inicial a partir de R$ 20 e cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), respeitados os limites estabelecidos pelo regulamento. Para começar, basta seguir o passo a passo: 

  1. Baixe o app do C6 Bank 
  1. Abra sua conta; 
  1. Acesse o “C6 Invest” no menu; 
  1. Vá até “Investir” e depois em “Renda Fixa”;  
  1. Escolha o produto mais adequado para você. 

FAQ: perguntas frequentes sobre CDI 

A seguir, respondemos algumas das perguntas mais comuns sobre o indicador: 

Posso investir diretamente em CDI? 

Não. O CDI não é um investimento, mas sim uma taxa de referência utilizada pelo mercado financeiro. Ao investir em um produto que rende um percentual do CDI, você está aplicando seu dinheiro em um investimento atrelado ao indicador, e não no CDI em si. 

CDI tem imposto? Como funciona o IR? 

O CDI não possui tributação, pois não é um investimento. No entanto, os produtos financeiros atrelados a ele, como CDBs, debêntures e letras financeiras, podem estar sujeitos à cobrança de impostos. 

Como acompanhar o CDI atualizado? 

O CDI é divulgado diariamente e pode ser acompanhado por diferentes fontes do mercado financeiro. 

Para consultar os dados atualizados, você pode acessar: 

  • O site do Banco Central, que disponibiliza informações sobre indicadores econômicos e taxas de juros; 
  • B3, responsável pelo cálculo e divulgação da taxa DI utilizada como referência para o CDI. 

CDI é seguro? 

O CDI é um indicador de mercado e, por si só, não apresenta risco de crédito para o investidor. O risco está no produto escolhido e na instituição emissora.  

Por exemplo, um CDB emitido por um banco possui um risco diferente de um fundo de investimento ou de uma debênture. 

Agora, você já sabe o que é CDI e sua importância para o mercado financeiro como um todo. Assim, ficou muito mais fácil e seguro dar o primeiro passo no mundo dos investimentos. 

O universo dos investimentos vai muito além do CDI. Explore os conteúdos abaixo e continue ampliando seu conhecimento financeiro: 

Este conteúdo tem caráter informativo e não representa uma recomendação de investimento. Antes de tomar qualquer decisão financeira, avalie seus objetivos e perfil de risco. Se tiver dúvidas, conte com o suporte de um especialista. 

Informações sobre os produtos e serviços do C6 Bank vigentes na data da postagem deste texto. As regras e condições de cada produto e/ou serviço podem ser posteriormente alteradas. Consulte os termos vigentes no momento da contratação pelo app.   


Redatora

Natália Maruyama

Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, atua com produção de conteúdo há mais de 8 anos, com 4 anos de experiência no mercado financeiro.

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CDB
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