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Resumo Semanal: Fed frustra expectativa de corte de juros em março

Confira as principais notícias da semana, segundo a avaliação da equipe econômica do C6 Bank

Atualizado em

Confira as principais notícias da semana (29/1-2/2), segundo a avaliação da equipe econômica do C6 Bank. Leia a íntegra do relatório.

Internacional

Estados Unidos: mercado de trabalho forte corrobora maior prudência do Fed

O mercado de trabalho ganha força e segue bastante robusto. O Departamento de Trabalho publicou dados referentes ao mês de janeiro. De acordo com o Establishment Survey, houve criação de 353 mil empregos no período, acima da expectativa do mercado, e houve revisão de dados anteriores aumentando a criação de vagas em cerca de 120 mil. O ganho médio por hora trabalhada acelerou, subindo 0,6% na variação mensal e 4,5% na variação anual. O Household Survey mostrou que a taxa de desemprego se manteve em 3,7%, baixa para padrões históricos. Outro relatório do Departamento de Trabalho, o Jolts, mostrou leve aumento do número de vagas de emprego em aberto no mês de dezembro. A proporção de vagas disponíveis por desempregado se mantém elevada, em 1,4, também sinalizando mercado de trabalho aquecido. Em relatório semanal, os pedidos iniciais de seguro-desemprego continuam em níveis baixos para padrões históricos, em 224 mil na semana encerrada em 27 de janeiro, 9 mil acima da semana anterior revisada.

A atividade na indústria continua fraca, mas apresenta sinais de melhora. O índice de gerentes de compras do setor de manufaturas (PMI, na sigla em inglês) do Instituto ISM aumentou 2 pontos em janeiro frente ao mês anterior para 49,1, permanecendo abaixo de 50 (o que indica contração do setor). No entanto, o índice veio melhor que o esperado e alcançou o maior patamar em mais de um ano. Na composição, a demanda subiu significativamente, mas a produção teve aumento modesto e o emprego permaneceu em retração. O tempo de entrega de mercadorias permaneceu baixo para padrões históricos, sugerindo que não há gargalos na cadeia de produção. Preços pagos subiram.

Preços de imóveis seguem em alta. Segundo dados divulgados pela Agência Federal de Financiamento da Habitação (FHFA, na sigla em inglês) os preços subiram 0,3% em novembro em relação ao mês anterior. Em doze meses, os preços subiram 6,6%.

O banco central americano (Federal Reserve – Fed) manteve os juros em 5,25% a 5,5% ao ano pela quarta vez consecutiva – maior patamar em mais de 20 anos. A decisão veio conforme o esperado. O comunicado, no entanto, deixou claro que o comitê de política monetária do Fed irá esperar por mais evidências de que a inflação está convergindo em direção à meta de forma sustentável antes de cortar juros. O presidente do Fed, Jerome Powell, reforçou tal ponto, acrescentando que iniciar uma redução nos juros em março é improvável.

Em nossa visão, o mercado de trabalho aquecido, a inflação subjacente (medida por diversas métricas divulgadas pelo Fed) persistente e a comunicação recente de Powell corroboram nossa visão de que o ciclo de corte de juros nos Estados Unidos deve começar no terceiro trimestre deste ano. No entanto, reconhecemos que existem chances de um corte no segundo trimestre caso o núcleo da inflação, medido pelo PCE, surpreenda nas próximas divulgações e venha abaixo do esperado.

Europa: BoE não prevê cortes de juros

A guerra entre Rússia e Ucrânia se estende e está próxima de completar dois anos. A União Europeia aprovou um pacote de 50 bilhões de euros de ajuda financeira à Ucrânia, depois da retirada de veto da Hungria. O conflito segue sem perspectiva de fim próximo.

O PIB da área do euro ficou estagnado no 4T23 frente ao trimestre anterior, segundo a prévia divulgada pelo Eurostat. A estagnação ocorreu depois de uma contração no 3T e um crescimento modesto no primeiro semestre. Em 2023, a economia da região cresceu 0,5% em comparação ao ano anterior. Detalhes da composição do PIB serão divulgados posteriormente, mas considerando as divulgações dos países do bloco, o fraco crescimento da região está associado a um baixo consumo doméstico e uma contração dos investimentos. Entre as maiores economias do bloco, o PIB contraiu na Alemanha, ficou praticamente estagnado na França e cresceu na Itália e na Espanha. A atividade econômica na região tem sofrido com o alto preço de energia e com a política monetária apertada do Banco Central Europeu.

A confiança na economia segue baixa. O índice de sentimento econômico, calculado pela Comissão Europeia, diminuiu levemente em janeiro para 96,2 pontos. A confiança segue fraca entre consumidores e nos setores de manufaturas e serviços.

O mercado de trabalho continua robusto. A taxa de desemprego permaneceu em 6,4% em dezembro, o mínimo da série histórica, o que deve manter pressão sobre salários. O índice divulgado pelo Eurostat mostra heterogeneidade entre as economias do bloco. O desemprego permanece baixo na Alemanha (3,1%), mas alto na Espanha (11,7%).

A inflação ao consumidor segue alta, mas tem desacelerado. O índice (CPI, na sigla em inglês) teve queda de 0,4% em janeiro em relação ao mês anterior, segundo a prévia do Eurostat. No acumulado em 12 meses, o índice cheio desacelerou para 2,8%. O núcleo, que exclui alimentos e energia, diminuiu de 3,4% para 3,3%. Na composição, o preço de bens continua contribuindo para redução do núcleo da inflação, mas os preços de serviços seguem pressionando o índice. A negociação de salários que acontece no início do ano pode aumentar a pressão sobre a inflação e por isso está sendo acompanhada de perto pelo Banco Central Europeu.

No Reino Unido, o Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês) manteve a taxa de juros em 5,25% ao ano, conforme esperado – maior nível em 15 anos. A pausa foi a quarta consecutiva depois de 14 aumentos. O comitê de política monetária retirou da ata que mais aperto pode ser necessário, mas manteve que a política monetária restritiva deve continuar por tempo suficientemente longo para que a inflação retorne à meta de 2%. O presidente do BoE, Andrew Bailey, reconheceu que a inflação vem cedendo, mas espera turbulências. Segundo ele, o trabalho ainda não terminou, sugerindo que cortes não devem vir logo. Bailey acrescentou que os juros no patamar atual devem continuar ajudando a levar a inflação para 2%. Em nossa visão, os juros devem permanecer elevados por mais algum tempo.

China: atividade segue moderada

A atividade segue em ritmo lento, de acordo com os índices de gerentes de compras do mês de janeiro (PMIs, na sigla em inglês), calculados pelo Escritório Nacional de Estatísticas chinês (NBS, na sigla em inglês). O PMI composto, que considera o setor de manufaturas, construção e serviços, subiu para 50,9 pontos, ainda sinalizando expansão moderada. As quebras do índice mostram leve melhora na demanda, principalmente na externa, e no tempo de entrega de mercadorias, sugerindo que não há impactos significativos do conflito no Mar Vermelho. Empregos permanecem fracos.

O lucro da indústria subiu 16,8% em dezembro comparado ao mesmo mês do ano anterior, de acordo com o Departamento Nacional de Estatísticas da China (NBS, na sigla em inglês). No ano, o lucro contraiu 2,3%. O resultado da indústria vem melhorando desde meados de 2023, em razão de uma expansão da atividade industrial e medidas de suporte do governo.

Commodities: petróleo recua com possível cessar-fogo

O conflito entre Israel e o Hamas entrou no quarto mês. Não houve impacto relevante nos mercados globais por enquanto, mas a atenção continua quanto a uma escalada do conflito na região, que é a maior exportadora de petróleo. A crise geopolítica pode demorar algum tempo.

Ainda no Oriente Médio, os militantes Houthis do Iêmen, contra Israel, seguem bombardeando navios no Mar Vermelho e sofrendo contra-ataques dos Estados Unidos, com apoio de aliados. O preço do frete marítimo, principalmente nas rotas entre China e Europa, segue elevado. Uma intensificação ou continuidade prolongada dos bombardeios pode ter impacto nas cadeias globais de produção, causando pressões inflacionárias em diversas regiões.

O preço do ouro ficou estável na semana, mas segue mais de 10% acima do registrado antes do início do conflito entre Israel e Hamas (6/10).

O preço futuro do petróleo (Brent) recuou 4,5% na semana de 25 de janeiro e 1 de fevereiro, fechando pouco abaixo de 80 dólares por barril. Notícias de um início de conversas entre Israel e Hamas para um potencial cessar-fogo contribuíram para menor pressão sobre os preços.

O preço futuro do gás natural na Europa subiu 4% na semana. Os estoques da commodity no continente europeu continuam elevados, mantendo um alívio nos preços. Desde o início do conflito entre Rússia e Ucrânia, o preço do gás natural recuou e está em menos da metade do preço de janeiro de 2022 (pré-guerra).

Os preços futuros das commodities agrícolas na Bolsa de Chicago recuaram depois de um aumento na semana anterior. Entre os dias 25 de janeiro e 1 de fevereiro, os preços do trigo, milho e soja caíram 2%, 1% e 1,6% respectivamente. O menor preço do trigo está relacionado à expectativa de forte produção global este ano.

Brasil

Focus: leve queda na projeção de inflação de 2024

As projeções para o IPCA tiveram leve queda para 2024 (de 3,86% para 3,81%) e permaneceram estáveis para 2025 (3,5%) e 2026 (3,5%). Os números esperados para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) não tiveram alterações para 2024 (1,6%) e nem para 2025 (2%). A taxa Selic permaneceu em 9% para 2024 e em 8,5% para 2025 e 2026. As projeções estão no Boletim Focus, relatório do Banco Central que reúne a expectativa das instituições financeiras em relação aos principais indicadores econômicos do país.

Projeções focus IPCA

Atividade: indústria fecha 2023 de lado, mercado de trabalho segue forte

A produção industrial de dezembro registrou alta de 1,1% frente ao mês anterior. O resultado veio acima das projeções do mercado. A alta foi impulsionada pela indústria extrativa, que registrou expansão de 2,2%, enquanto a indústria de transformação cresceu 0,6%. O segmento de bens de capital – categoria ligada a investimentos em máquinas e equipamentos – registrou queda de 1,2% e acumula contração de 15,9% em relação a dezembro de 2022. No ano de 2023, a indústria registrou apenas leve alta de 0,2%. Para 2024, nossa expectativa é que a indústria feche o ano próxima da estabilidade. A política monetária ainda apertada e a desaceleração global contribuem para esta tendência. Projetamos crescimento do PIB de 1,5% para 2024 e 2025.

A taxa de desemprego da PNAD Contínua no trimestre terminado em dezembro veio em 7,4%, em linha com a nossa projeção e abaixo do mercado. O indicador está em 7,8% na série com nosso ajuste sazonal, estável frente ao trimestre encerrado em novembro. A composição do dado mostrou crescimento tanto da PEA (população economicamente ativa) quanto da ocupação. A renda real habitual do trabalhador registrou leve contração de 0,4% no mês, porém acumulou alta de 3,1% em relação ao mesmo período de 2022. O crescimento da economia até agora foi suficiente para levar a taxa de desemprego para níveis abaixo do neutro, o que reforça o cenário de queda lenta da inflação. Nossa expectativa é que a taxa de desemprego (ajustada sazonalmente) registre apenas leve alta em 2024.

Inflação: IGP-M de janeiro em patamar baixo

A inflação medida pelo IGP-M apontou alta de 0,07% em janeiro, abaixo da mediana das projeções do mercado (0,24%). No acumulado em 12 meses, o índice contraiu 3,3%, abaixo da deflação de 3,2% no mês anterior. A composição dos índices de atacado mostrou o IPA agrícola com expansão de 0,5%. O núcleo do IPA industrial – que inclui apenas os itens relacionados à inflação de bens industriais do IPCA, excluindo alimentos, combustíveis e minério de ferro – registrou leve contração de 0,1%. O IPA agrícola, em 12 meses, está no patamar de -11,7% e o núcleo do IPA industrial em -2,3%.

Política monetária: Copom mantém ritmo de queda dos juros

Em linha com as expectativas, o Banco Central do Brasil (BCB) reduziu a taxa Selic de 11,75% para 11,25% na quarta-feira (31). No comunicado em que anunciou a decisão, o Comitê de Política Monetária (Copom) repetiu a mensagem, transmitida desde agosto, de que o corte dos juros deve seguir no ritmo de 50 pontos-base para as próximas reuniões.

Na comparação com o comunicado da reunião anterior (dezembro), houve pouca mudança no texto. Para 2024 e 2025, as projeções de inflação no cenário de referência (que considera juros de 9% ao fim de 2024) permaneceram iguais às registradas na última reunião. As estimativas, como informado no comunicado, estão em 3,5% para 2024 e 3,2% para 2025, ligeiramente acima da meta estabelecida de 3%.

Conforme já era esperado, o Banco Central passa agora a dar mais peso para o ano de 2025 em suas decisões de política monetária. Nas reuniões de maio e junho, o Copom deve se concentrar exclusivamente no ano de 2025; e a partir de julho o Comitê começará a considerar também o ano de 2026. Por ora, avaliamos que as mudanças no horizonte relevante não devem alterar a estratégia de política monetária do BC, já que a projeção de IPCA para 2026 divulgada pela instituição no último relatório de inflação é de 3,2%, próximo da meta.

O comunicado afirma que é unânime, entre os membros do Comitê, a visão de que os próximos cortes terão magnitude semelhante à atual (50 pontos-base). Na avaliação do órgão, “esse é o ritmo apropriado para manter a política monetária contracionista necessária para o processo desinflacionário”.

Projetamos Selic em 9,25% ao final de 2024 e em 8,5% ao final de 2025. Aguardamos a ata da reunião, que será divulgada na próxima terça-feira (6), para termos mais detalhes sobre os rumos da política monetária.

Equipe Econômica C6 Bank

Felipe Salles Head
Claudia Moreno Head Brasil
Claudia Rodrigues Head Internacional
Felipe Mecchi Internacional
Heliezer Jacob Brasil

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