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Resumo semanal: Ata do Fed indica cautela

Confira as principais notícias da semana, segundo a avaliação da equipe econômica do C6 Bank

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Confira as principais notícias da semana (1/1-5/1), segundo a avaliação da equipe econômica do C6 Bank. Leia a íntegra do relatório.

Internacional

Estados Unidos: autoridade monetária apresenta cenário incerto e sinaliza prudência

O mercado de trabalho segue robusto. O Departamento de Trabalho publicou dados referentes ao mês de dezembro. De acordo com o Establishment Survey, houve criação de 216 mil empregos no período, acima da expectativa do mercado, mas houve revisão dos dados diminuindo a criação de vagas de meses anteriores em cerca de 71 mil. A criação de empregos continua robusta, mas tem diminuído gradualmente. O ganho médio por hora trabalhada subiu 0,4% na variação mensal e 4,1% na variação anual, se mantendo em patamar elevado. O Household Survey mostrou que a taxa de desemprego se manteve em 3,7%, mas houve forte redução na taxa de participação para 62,5%. Outro relatório do Departamento de Trabalho, o Jolts, mostrou queda do número de vagas de emprego em aberto no mês de novembro, depois de forte revisão para cima no mês anterior. A proporção de vagas disponíveis por desempregado se mantém elevada, em 1,4, sinalizando mercado de trabalho ainda aquecido. Em relatório semanal, os pedidos iniciais de seguro-desemprego continuam em níveis baixos para padrões históricos, em 202 mil na semana encerrada em 30 de dezembro, 18 mil abaixo da semana anterior revisada.

A ata da reunião de novembro do banco central americano (Federal Reserve – Fed) sinalizou cautela nos próximos passos. Na ocasião, o Fed optou por uma pausa, a terceira consecutiva, mantendo os juros entre 5,25% e 5,5% ao ano – maior patamar em mais de 20 anos. O documento mostra que os membros do comitê de política monetária (FOMC, na sigla em inglês) consideram que a taxa de juros está no pico ou próximo dele, mas que há grande incerteza, e manteve aberta a possibilidade de mais aperto monetário caso os dados mostrem ser necessário. Segundo a ata, embora fique claro pelas projeções de que haverá cortes de juros neste ano, não há um cronograma claro de quando começarão a ser implementados. Em nossa visão, os dados robustos do mercado de trabalho reforçam nossa visão de que cortes só devem ser realizados em meados de 2024.

O setor de serviços desacelerou em dezembro. O índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) do Instituto ISM registrou queda de 2,1 pontos para 50,6 no mês, sinalizando expansão moderada no setor. O subíndice de demanda caiu para 52,8, mas permanece acima de 50. O indicador de emprego desabou para 43,3, sugerindo fraqueza nas contratações. Por outro lado, preços pagos se mantém elevados em 57,4.

A atividade na indústria continua fraca. O índice de gerentes de compras do setor de manufaturas (PMI, na sigla em inglês) do Instituto ISM aumentou 0,7 ponto em dezembro frente ao mês anterior para 47,4, se mantendo abaixo de 50 (o que indica contração do setor). Na composição do índice, a demanda e emprego permanecem em retração, mas a produção apresentou leve expansão no mês. Preços pagos diminuíram e seguem abaixo de 50.

Europa: inflação divergente entre países do bloco

A guerra entre Rússia e Ucrânia se estende e está próxima de completar dois anos. O conflito segue sem perspectiva de fim próximo.

A inflação ao consumidor segue alta. O índice (CPI, na sigla em inglês) acelerou para 0,2% na variação mensal em dezembro em relação ao mês anterior, segundo a prévia do Eurostat. No acumulado em 12 meses, a inflação acumula alta de 2,9%. Houve queda nos preços de energia pelo terceiro mês consecutivo e preços de alimentos desaceleraram. O núcleo da inflação desacelerou de 3,6% para 3,4%.

China: crescimento fraco

A atividade segue em ritmo lento, de acordo com os índices de gerentes de compras do mês de dezembro (PMIs, na sigla em inglês), calculados pelo Escritório Nacional de Estatísticas chinês (NBS, na sigla em inglês). O PMI composto, que considera o setor de manufaturas, construção e serviços, diminuiu para 50,3 pontos, menor nível do ano, sinalizando expansão fraca. As quebras do índice mostram que houve piora no setor de manufaturas, estabilidade no setor de serviços e melhora no setor de construção.

Commodities: preços voláteis

O conflito entre Israel e o Hamas está no terceiro mês. Não houve impacto relevante nos mercados globais por enquanto, mas a atenção continua quanto a uma possível escalada do conflito na região, que é a maior exportadora de petróleo. A crise geopolítica pode demorar algum tempo.

O preço do ouro caiu na semana, mas segue 12% acima do registrado antes do início do conflito entre Israel e Hamas (6/10). O aumento recente também está relacionado a expectativas de cortes de juros pelo banco central americano.

O preço futuro do petróleo (Brent) teve queda de 1% na semana de 28 de dezembro a 4 de janeiro, fechando o período em 77,6 dólares por barril. A semana tem apresentado forte volatilidade em razão da instabilidade no Oriente Médio – o conflito em Gaza e ataques de milícias a navios cargueiros no Mar Vermelho.

O preço futuro do gás natural na Europa segue baixo. Os estoques da commodity no continente europeu apresentaram leve alta na semana, com expectativas de temperaturas mais frias na região. Desde o início do conflito entre Rússia e Ucrânia, o preço do gás natural recuou e está em menos da metade do preço de janeiro de 2022 (pré-guerra).

O preço futuro das commodities agrícolas na Bolsa de Chicago apresenta leve queda. Na semana de 28 de dezembro a 4 de janeiro, os preços do trigo, do milho e da soja caíram 2,5%, 1,7% e 3,4%, respectivamente.

Brasil

Focus: projeções estáveis no último boletim de 2023

As projeções para o IPCA ficaram estáveis para 2023 (4,46%), para 2024 (de 3,91% para 3,90%), para 2025 (3,5%) e para 2026 (3,5%). Os números esperados para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) não tiveram alterações para 2023 (2,92%) e nem para 2024 (1,52%). A taxa Selic permaneceu em 9% para 2024 e em 8,5% para 2025 e 2026. As projeções estão no Boletim Focus, relatório do Banco Central que reúne a expectativa das instituições financeiras em relação aos principais indicadores econômicos do país.

Atividade: produção industrial de novembro registra leve alta

A produção industrial de novembro registrou leve alta de 0,5% frente ao mês anterior. O resultado veio abaixo das projeções do mercado. A indústria de transformação e a indústria extrativa registraram variações de -0,2% e 3,4%, respectivamente. Bens de capital – categoria ligada a investimentos em máquinas e equipamentos – registraram queda de 1,7% e acumulam contração de 14,8% em relação a novembro de 2022. À frente, nossa expectativa é que a indústria feche o ano próxima da estabilidade. A política monetária ainda apertada e a desaceleração global contribuem para esta tendência. Nossa projeção para o PIB é de crescimento de 3% em 2023 e de 1,5% em 2024, ambos com leve viés de baixa.

Inflação: IGP-DI encerra 2023 com deflação recorde

A inflação medida pelo IGP-DI apontou alta de 0,64% em dezembro, em linha com a mediana das projeções do mercado (0,66%). Em 2023, o índice contraiu 3,3% – a maior deflação para um ano em toda a série histórica. No mês, a composição dos índices de atacado mostrou o IPA agrícola com expansão de 3,6%. O núcleo do IPA industrial – que inclui apenas os itens relacionados à inflação de bens industriais do IPCA, excluindo alimentos, combustíveis e minério de ferro – registrou leve alta de 0,02%. O IPA agrícola fechou o ano em -12,1% e o núcleo do IPA industrial em -2,3%.

Setor externo: saldo negativo na conta corrente em novembro

A conta corrente registrou déficit de US$ 1,6 bilhão no mês de novembro. Considerando o dado com nosso ajuste sazonal, houve déficit de US$ 1,2 bilhão. O saldo foi positivo na balança comercial, porém negativo em serviços e rendas. Em 12 meses, o saldo de transações correntes acumula déficit de 1,6% do PIB (US$ -34 bi). O Investimento Estrangeiro Direto (IED) veio em US$ 4,8 bilhões. Para 2023 e 2024, projetamos déficit de US$ 24 bi e US$ 21 bi para as transações correntes, respectivamente.

Fiscal: déficit acumulado em 12 meses piora em novembro

O setor público consolidado apresentou um déficit primário de R$ 37,3 bi em novembro. Os governos regionais contribuíram para atenuar este resultado, com um superávit de R$ 2 bi. No acumulado em 12 meses, o resultado consolidado está negativo em R$ 131,4 bi, o equivalente a 1,2% do PIB – um déficit maior do que o registrado no mês anterior (1,1% do PIB). A dívida líquida encerrou o mês em 59,5% e a dívida bruta em 73,8%. Projetamos, por ora, déficit do setor público consolidado de 2,3% do PIB para 2023 (incluindo pagamento de precatórios) e de 0,7% do PIB para 2024.

Equipe Econômica C6 Bank

Felipe Salles Head
Claudia Moreno Head Brasil
Claudia Rodrigues Head Internacional
Felipe Mecchi Internacional
Heliezer Jacob Brasil

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