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Resumo semanal: inflação em alta pode deixar Fed mais cauteloso

Confira as principais notícias da semana, segundo a avaliação da equipe econômica do C6 Bank

Atualizado em

Confira as principais notícias da semana (11/3-15/3), segundo a avaliação da equipe econômica do C6 Bank. Leia a íntegra do relatório.

Felipe Sales, Head da equipe econômica do C6 Bank, em pé, usando uma camiseta preta

Internacional

Estados Unidos: inflação persistente deve reforçar cautela do Fed

A inflação segue robusta. O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) acelerou de 0,3% para 0,4% em fevereiro frente ao mês anterior, de acordo com o Departamento do Trabalho. O núcleo do índice (exclui alimentos e energia) também registrou um aumento de 0,4%. Na composição, a inflação de bens continua benigna e não causa preocupações, mas a inflação de serviços, que representa mais de 70% do núcleo, segue pressionada pelo mercado de trabalho aquecido. Em 12 meses, o núcleo do CPI subiu 3,8%, acima do esperado. Indicadores de inflação subjacentes divulgados pelo próprio banco central americano (Federal Reserve – Fed) permanecem num patamar bem mais elevado do que o core PCE, o que sugere que boa parte da desinflação recente pode não ser sustentável. O índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) também acelerou em fevereiro. Nos últimos 12 meses, o núcleo do PPI, que exclui alimentos e energia, acumula alta de 2%, acima do esperado.

Acreditamos que o Fed adotará uma postura ainda mais cautelosa na decisão de política monetária na próxima semana (20/3). O presidente da instituição, Jerome Powell, deve reforçar o discurso de que é necessário mais confiança na trajetória de preços antes de cortar juros. É provável que os dots mostrem menos de 3 cortes nos juros até o fim do ano.

Em nossa visão, o ritmo de desaceleração da inflação visto até agora é insuficiente para um corte de juros nos próximos meses. Acreditamos que o início do ciclo de cortes pode ocorrer no segundo semestre deste ano, mas a possibilidade de não haver cortes em 2024, caso a inflação continue persistente, está aumentando.

A atividade da indústria continua moderada. A produção industrial registrou leve aumento de 0,1% em fevereiro frente ao mês anterior, depois de redução em janeiro, segundo dados do Federal Reserve. A produção de manufaturas cresceu 0,8%, mas a tendência segue modesta. Outra pesquisa, divulgada pelo Departamento de Comércio americano, mostrou que as vendas no varejo tiveram leve crescimento. O núcleo do índice ficou estagnado frente ao mês anterior, depois de queda em janeiro.

O índice de otimismo das pequenas empresas, medido pela Federação Nacional de Empresas Independentes (NFIB, na sigla em inglês), diminuiu 0,5 ponto para 89,4 em fevereiro e permanece abaixo do nível pré-pandemia. O índice decepcionou expectativas. Segundo a pesquisa, o número de vagas em aberto diminuiu, mas segue elevado; as empresas também mencionaram a falta de trabalhadores qualificados. O custo do trabalho foi reportado como o maior problema das empresas.

Em relatório semanal, os pedidos iniciais de seguro-desemprego continuam em níveis baixos para padrões históricos, em 209 mil na semana encerrada em 9 de março, 1 mil abaixo da semana anterior revisada para baixo.

Europa: indústria estagnada

A guerra entre Rússia e Ucrânia completou dois anos, sem perspectiva de fim próximo.

A produção industrial continua fraca. O índice registrou queda de 3,2% em janeiro frente ao mês anterior com ajuste sazonal, segundo o Eurostat. A queda está relacionada em boa parte a contração da produção da Irlanda – país que costuma introduzir volatilidade ao índice em razão de direitos de propriedade intelectual e instalações fora do país. A Itália também ainda não divulgou seu dado. Excluindo Irlanda e Itália, a produção industrial ficou praticamente estagnada no mês. Houve aumento da produção da Alemanha (1%), que segue fraca, e redução na produção da França (-1,1%).

No Reino Unido, a atividade expandiu 0,2% em janeiro frente ao mês anterior, segundo o Escritório Nacional de Estatísticas (ONS, na sigla em inglês), depois de contração em dezembro. Houve leve crescimento do setor de serviços (0,2%), expansão da construção (1,1%) e estagnação na produção de manufaturas. Nos últimos três meses, a atividade segue em leve retração (-0,1%).

O mercado de trabalho inglês deu sinais de moderação. Segundo a ONS, nos três meses até janeiro, a taxa de desemprego subiu de 3,8% para 3,9%, depois de cinco quedas seguidas. Apesar do aumento, a taxa segue baixa. Os ganhos médios semanais desaceleraram de 5,8% para 5,6% nos três meses até janeiro comparado ao mesmo período do ano anterior, mas seguem elevados. A demanda por trabalhador, indicador de vagas em aberto, está diminuindo, mas a razão vagas em aberto por desempregado segue em nível alto, indicando mercado ainda aquecido.

Em nossa visão, o Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês) deve optar por manter a pausa na taxa de juros na decisão da próxima semana, em razão do mercado de trabalho robusto e da inflação de serviços persistente. 

China: setor imobiliário sem novos estímulos

O setor imobiliário continua fraco. Os preços de casas nas 70 maiores cidades chinesas diminuíram pelo nono mês seguido em fevereiro, 0,36% contra o mês anterior. O preço de casas no mercado secundário também diminuiu 0,62% no mesmo período. No Congresso Nacional do Povo, evento anual que ocorreu na semana passada, o governo não indicou mudança de postura em relação ao setor, que deve continuar sem grandes estímulos.

O fluxo de crédito agregado diminuiu em fevereiro depois de aumento recorde no mês anterior. A diminuição está relacionada a sazonalidade do ano novo chinês, que este ano ocorreu em fevereiro. O volume de crédito total foi de 1,5 trilhão de yuans, segundo o Banco Central da China (PBOC, na sigla em inglês). Empréstimos bancários representaram mais de 90% do total, com aumento dos empréstimos de médio e longo prazo às empresas, mas diminuição dos créditos às famílias. A emissão de títulos públicos subiu no mês.

A inflação ao consumidor teve leve aumento de 0,7% no acumulado em 12 meses até fevereiro comparada ao mesmo período do ano anterior, segundo o Escritório Nacional de Estatísticas chinês (NBS, na sigla em inglês); o aumento ocorreu depois de quatro meses de deflação. A volatilidade maior da inflação no início do ano reflete a sazonalidade do ano novo chinês, que aumentou a demanda por itens relacionados a festividade, como viagens, hospedagens, transportes e alimentos. O núcleo da inflação, que exclui alimentos e energia, subiu 1,2% no período. O índice de preços ao produtor (PPI) retraiu 2,7% apesar de um aumento do preço da energia no mercado internacional. A queda no PPI também reflete a sazonalidade do ano novo chinês, que diminui a atividade de construção e os preços de commodites relacionados ao setor, como cimento e aço.

O Banco do Povo da China (PBoC, na sigla em inglês) manteve a taxa de juros de médio prazo em 2,5% ao ano, conforme esperado, mas diminuiu a liquidez no sistema financeiro pela primeira vez desde o fim de 2022.

Commodities: petróleo mais caro

O conflito entre Israel e o Hamas entrou no sexto mês. Não houve impacto relevante nos mercados globais por enquanto, mas a atenção continua quanto a uma escalada do conflito na região, que é a maior exportadora de petróleo. A crise geopolítica pode demorar algum tempo.

O preço do ouro ficou estável na semana, depois de alcançar novo recorde na semana anterior. O preço está 18% acima do registrado antes do início do conflito entre Israel e Hamas (6/10).

O preço futuro do petróleo (Brent) subiu 3% na semana de 7 a 14 de março, fechando em 85 dólares por barril. A Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) divulgou relatório mensal prevendo uma demanda maior do que previa anteriormente para 2024. A agência acredita que haverá uma escassez da commodity caso os cortes de produção da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados continuem no segundo semestre deste ano.

O preço futuro do gás natural na Europa ficou praticamente estável na semana. No geral, os preços seguem baixos, em razão dos estoques que continuam elevados na região, nível recorde para esta época do ano. Desde o início do conflito entre Rússia e Ucrânia, o preço do gás natural recuou e está 70% abaixo do preço de janeiro de 2022 (pré-guerra).

Os preços futuros das commodities agrícolas na Bolsa de Chicago apresentaram pouca oscilação na semana. Entre os dias 7 e 14 de março, o preço do trigo e do milho tiveram leve queda de 0,2% e 0,8% respectivamente, enquanto o preço da soja subiu 2%. Desde dezembro do ano passado, o preço do trigo tem ficado praticamente estável, enquanto os preços da soja e do milho recuaram 11% e 10%, respectivamente.

Brasil

Focus: sem alterações

As projeções para o IPCA permaneceram estáveis para 2024 (de 3,76% para 3,77%), para 2025 (3,51%) e para 2026 (3,5%). O número esperado para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) não teve alterações para 2024 (de 1,77% para 1,78%) e nem para 2025 (2%). A taxa Selic continua em 9% para 2024 e em 8,5% para 2025 e 2026. As projeções estão no Boletim Focus, relatório do Banco Central que reúne a expectativa das instituições financeiras em relação aos principais indicadores econômicos do país.

Gráfico de linhas sobre projeções focus do IPCA porcentagem ano a ano. Analise das medianas de 2024 feita desde janeiro de 2022 a março de 2024 em comparação com a meta de inflação para 2024 e 2025, evidenciando projeções que se distanciam da meta.

Atividade: dados positivos em janeiro

A Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) de janeiro mostrou alta de 2,4% frente ao mês anterior no volume de vendas no comércio varejista ampliado, melhor que o esperado por nós e pelo mercado. Em relação ao nosso número, a maior surpresa positiva veio novamente do setor de atacarejo. Na comparação com janeiro de 2023, as vendas tiveram uma forte alta de 6,8%. No varejo restrito, as vendas cresceram 2,5% no comparativo mensal e 4,1% no anual. Para 2024, o varejo deve contribuir positivamente para o PIB.

A Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), também de janeiro, mostrou que o volume de serviços expandiu 0,7% na comparação mensal. Entretanto, o segmento de serviços prestados às famílias, que tem um peso relevante no PIB, recuou 2,7% no mês, devolvendo parte dos ganhos registrados nos últimos meses. Para 2024, projetamos que o setor de serviços deve seguir em expansão. Os dados de atividade mais robustos deste começo de ano corroboram nossa revisão para cima da projeção de crescimento do PIB de 2024, que passou de 2,2% para 2,4%. 

Gráfico de linhas sobre atividade com ajuste sazonal de janeiro de 2022=100. Analise do aumento de vendas no comércio varejista ampliado.

Inflação: IPCA vem alto, porém com composição mais benigna

O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), indicador de inflação oficial do país, subiu 0,83% em fevereiro, segundo dados divulgados hoje pelo IBGE. Esse resultado veio acima da nossa projeção (0,75%) e do mercado (0,78%). Nos últimos 12 meses, o IPCA acumula uma alta de 4,5%. A inflação de fevereiro foi influenciada pelo aumento de preços da educação (4,98%) e da gasolina (2,93%). Por outro lado, as passagens aéreas caíram 10,71%, ajudando a amenizar parte da alta mensal. Na nossa visão, o mercado de trabalho aquecido e o crescimento dos salários devem continuar pressionando a inflação de serviços. No entanto, a inflação de serviços subjacentes, número que é acompanhado com mais atenção pelo Banco Central, veio abaixo do esperado pelo mercado. Projetamos IPCA de 4,7% em 2024.

Gráfico de linhas sobre serviços e bens industriais no acumulado de 12 meses. Analise sobre a alta do IPCA.

Equipe Econômica C6 Bank

Felipe Salles Head
Claudia Moreno Head Brasil
Claudia Rodrigues Head Internacional
Felipe Mecchi Internacional
Heliezer Jacob Brasil

Este relatório foi preparado pelo Banco C6 S.A.

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