O que é IPCA e qual a importância no seu dia a dia?

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo é o principal termômetro da inflação no Brasil; entenda como seu cálculo funciona

Atualizado em

Pessoa utilizando calculadora para avaliar o IPCA

Leonardo Uller

Tempo de leitura · 11 min

Publicado em

10 de agosto de 2022

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é o principal termômetro da inflação no Brasil. Entender o que ele representa e como funciona é parte essencial do cuidado com as finanças e poder de compra.

Esse indicador influencia diretamente o custo de vida, reajustes salariais, os preços de serviços, as parcelas de financiamentos e empréstimos e até a rentabilidade de investimentos. Para entender seu impacto na prática: se o IPCA subir 6%, isso significa que um gasto de R$ 1 mil hoje equivalerá a R$ 1.060 em um ano. 

Devido ao seu impacto, essa é uma taxa de referência fundamental para avaliar o andamento da economia brasileira. Sua importância é tanta que manter a variação dos preços sob controle é uma das metas estabelecidas pelos órgãos governamentais anualmente.

Neste artigo, aprenda o que é IPCA, sua função, como seu cálculo é feito e quais as diferenças perante outros índices. Além disso, descubra um histórico da inflação nos últimos anos e qual é o real impacto do IPCA no bolso.

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O que é o IPCA?

O IPCA, ouÍndice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, é o indicador oficial de inflação no Brasil, segundo o Governo Federal. Ele é uma importante ferramenta para o Banco Central definir a política monetária, como a meta de inflação e a taxa básica de juros (Selic). Também é base para o reajuste de salários, aluguéis e tarifas.

Na prática, ao descrever o que é o IPCA, é possível entender que ele marca a variação do custo médio de vida das famílias brasileiras com renda mensal entre 1 e 40 salários mínimos. 

Esse dado é decisivo para entender a evolução da economia brasileira. Além disso, a inflação também gera diversas incertezas e interfere no crescimento econômico. Um IPCA alto eleva a dívida pública e tende a diminuir os investimentos no país. Como um medidor da variação de preços, ele é muito importante para entender o poder de compra da população.

Quem calcula e qual é a periodicidade?

O cálculo do IPCA, bem como o monitoramento do índice é feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a partir de um levantamento mensal. 

Segundo o próprio IBGE, são registrados cerca de 430 mil preços em 30 mil locais para posterior comparação com os valores do mês anterior. Como resultado, se tem a variação de preços passados ao consumidor mensalmente. 

Como é calculado o IPCA?

O IPCA é calculado com base em uma cesta que contempla hábitos de consumo das famílias com renda entre 1 e 40 salários mínimos. Esse critério é bastante abrangente e cobre 90% da população, o que é mais um fator que contribui para que ele seja o indicador oficial de inflação no Brasil.

Composição da cesta de consumo

No cálculo do IPCA, a cesta de consumo levada em consideração engloba os principais bens e serviços usados pela população ampla do Brasil. Eles são divididos nas seguintes categorias com diferente representatividade no orçamento familiar:  

  • Alimentação e bebidas (24.77%);
  • Transportes (18.29%);
  • Habitação (15.82%);
  • Saúde e cuidados pessoais (12.27%);
  • Despesas pessoais (10.81%);
  • Vestuário (5.65%);
  • Educação (5.01%);
  • Artigos de residência (3.91%);
  • Comunicação (3.42%).

Então, esses valores dizem respeito ao peso de cada item na renda das famílias, conforme avaliado pela Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), e podem variar ao longo do tempo. 

Regiões geográficas e metodologia

Para o cálculo do IPCA, 13 áreas geográficas são levadas em consideração:  

  • As regiões metropolitanas de Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre; 
  • O Distrito Federal;  
  • Os municípios de Goiânia e Campo Grande.  

Dessa maneira, o IBGE faz um levantamento com aproximadamente 430 mil preços nessas regiões, para calcular a variação entre o mês anterior e o período atual. 

Tipos e versões do IPCA

Como apresentado anteriormente, esse indicador de preços é calculado de modo mensal. Mas há outras formas de apresentar esse índice, como o IPCA acumulado em doze meses, que mostra o momento econômico geral no Brasil ao longo dos anos. Conheça as subcategorias do IPCA produzidas pelo IBGE.

IPCA-15

Divulgado a partir de maio de 2000, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 funciona como uma “prévia” do IPCA  e antecipa tendências de inflação. Neste caso, a diferença do índice padrão está no período de coleta: entre o dia 16 do mês anterior até o dia 15 do mês de referência.

IPCA-E

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo Especial ou IPCA-E é o valor acumulado trimestral do IPCA-15, divulgado desde janeiro de 1995. Em outras palavras, é uma forma de identificar o comportamento dos preços em um período de três meses, além de ajudar a avaliar a perda ou ganho de poder de compra neste tempo.

IPCA em 2025 e projeções

Ao longo dos anos, a variação desse indicador pode ser bem expressiva. Para exemplificar, o IBGE divulgou que entre 1980 e 1994, o índice acumulado foi de 13.342.346.717.671,70%. E até mesmo de mês a mês é possível encontrar ajustes significativos do IPCA: em março de 90, por exemplo, a variação foi de 82,39%.

Desempenho recente

Em 2025, o IPCA permaneceu acima dos níveis apresentados no ano anterior e até outubro o índice acumulado nos últimos 12 meses era de 4,68%. No entanto, nesse mesmo mês de referência, a variação foi de apenas 0,09%, um dos mais baixos registrados no ano.

Segundo a análise macroeconômica de novembro do C6 Bank, a redução recente da taxa e, portanto, a diminuição dos preços de diferentes produtos no Brasil, está relacionada com a queda das cotações de commodities (em reais). Mas, ainda assim, o cenário permanece desafiador com a inflação significativamente acima da meta de 3%.

Projeções para o futuro

Com a tendência apontada pelas movimentações mais recentes, a previsão da inflação para os próximos anos teve uma leve melhora, embora ainda indique um cenário acima da meta. Assim, temos as seguintes projeções:

  • Focus:
    • 2025: 4,55%
    • 2026: 4,2%
  • Banco Central
    • 2025: 4,6%
    • 2026: 3,6%

(Dados coletados no dia 11 de novembro de 2025)

Impactos do IPCA no bolso

Agora que já foi apresentado o que é IPCA e como tem se dado a variação dele nos últimos anos, é importante entender qual o real impacto dele no dia a dia dos brasileiros.

Poder de compra e inflação

Basicamente, a movimentação é a seguinte: quando o IPCA sobe, os preços aumentam e o poder de compra das famílias diminui. Em outras palavras, devido a inflação (alta de preços), com o mesmo valor se compra menos produtos e serviços. 

Para exemplificar, imagine que são necessários R$ 2 mil para cobrir certos gastos mensais em julho de 2024. Um ano depois, essa quantia já seria de R$ 2.112,50, e o motivo disso seria a variação de IPCA desse período, que foi de 5,63%. É possível fazer simulações como essa na Calculadora do Cidadão, disponibilizada pelo Banco Central do Brasil.

Nesse sentido, os investimentos são uma forma de manter o dinheiro valorizado frente à inflação. Por isso, o IPCA é decisivo para aplicações, uma vez que a rentabilidade real de um produto é calculada com base na variação da taxa.  

Financiamentos e empréstimos

A variação das taxas de juros costuma acompanhar a escalada do IPCA. Por isso, uma inflação alta pode significar juros mais altos, o que tem impacto direto em investimentos, empréstimos e financiamentos. Isso acontece porque a taxa Selic também funciona para controlar o aumento dos preços. Portanto, é comum o crescimento desse instrumento em momentos de pico inflacionário.

Diversos empréstimos têm seus juros calculados com base no IPCA. Isso significa que as parcelas de um financiamento podem aumentar juntamente com a inflação. Por isso, é essencial manter-se atento às previsões do índice para se planejar para o pagamento dos débitos.

Ajustes salariais

O IPCA é ainda referência para reajustes salariais em negociações sindicais e contratos de trabalho. Afinal, essa base ajuda a garantir que os trabalhadores mantenham, ao menos em parte, o poder de compra frente à inflação

Como proteger investimentos da inflação?

Para evitar a desvalorização de patrimônio e se proteger contra a inflação, uma das principais recomendações é procurar investimentos atrelados ao IPCA. Isso significa que essas aplicações têm rendimento igual ou superior a esse indicador, o que evita a perda de dinheiro em momentos de rápido avanço nos preços.

Outra indicação é diversificar a carteira reduzir o risco e evitar desequilíbrios no portfólio. Por isso, conheça alguns dos principais produtos atrelados a índices inflacionários: 

CDBs IPCA+ 

Os Certificados de Depósito Bancário (CDB) funcionam como forma de empréstimo às instituições financeiras, que devolvem o valor aplicado com juros. Essa modalidade de renda fixa também pode ter sua rentabilidade atrelada ao IPCA.  

O C6 Bank oferece algumas opções diferentes de CDBs IPCA+, ou seja, que rendem acima do índice. Cada uma delas tem um prazo de liquidez, para comportar objetivos e perfis distintos. Para isso, é só abrir uma conta por meio do nosso aplicativo, fazer o teste de perfil de investidor e começar a investir. 

Títulos públicos  

Investir em títulos públicos federais atrelados à inflação ou à taxa Selic é uma alternativa para reduzir os efeitos da desvalorização do próprio dinheiro. O Tesouro IPCA+, por exemplo, oferece uma rentabilidade fixa somada à variação do índice de preços. Já os títulos vinculados à Selic costumam apresentar rendimento superior à inflação na maior parte do tempo, embora isso não ocorra em todos os cenários econômicos.

Fundos de renda fixa  

Alguns fundos de renda fixa possuem sua carteira atrelada a índices como o IPCA e o Índice de Mercado - B (IMA-B). Consulte alguns deles por meio do C6 Invest, a plataforma de investimentos do C6 Bank, que pode ser acessada pelo aplicativo.  

Como acessar pelo C6 Invest ?

Para investir em renda fixa, nos ativos atrelados ao IPCA, é fácil. Siga o passo a passo:

  1. Acesse o app do C6 Bank e toque em C6 Invest;
  2. Depois de fazer a avaliação de perfil, vá em Renda Fixa;
  3. Compare as opções indexadas ao IPCA, como Tesouro, CDBs e fundos;
  4. Escolha uma das alternativas e faça a aplicação no valor que desejar (dentro do limite permitido pelo tipo de ativo).

Diferenças entre IPCA, INPC e IGP-M

No Brasil, existem índices de preços que focam em diferentes medidas, como os valores repassados ao consumidor ou praticados perante os produtores. Tendo como foco essas particularidades, cada um deles é mais apropriado para um determinado propósito, como será explicado a seguir.

O que cada índice mede?

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor ou INPC também é usado para medir o avanço dos preços. Porém, no seu cálculo é isolada a variação dos preços para famílias entre 1 e 5 salários mínimos. Ou seja, este indicador contempla uma parcela menor da população, mas que costuma sentir o aumento de preços de forma significativa. 

Já o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) é mais abrangente, com coleta de valores do dia 21 do mês anterior ao dia 20 do mês de referência. Além de contemplar o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), também usa o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) e o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC). No caso, ele representa a média desses três indicadores nacionais com o seguinte peso: IPA - 60%, IPC - 30% e INCC - 10%.

Aplicações práticas

Em relação ao uso, o INPC é o índice levado considerado no reajuste do salário mínimo no Brasil, uma vez que reflete o custo de vida dos trabalhadores urbanos. Enquanto isso, o IGP-M é referência para outros reajustes muito importantes para o orçamento familiar, como:

  • Contratos de aluguel e locação;  
  • Cobranças públicas, como contas de água e energia;  
  • Contratos para a prestação de serviços.

Mitos e dúvidas frequentes sobre o IPCA

  1. IPCA é o mesmo que inflação?
    Não. O IPCA é o principal índice de preços passados ao consumidor que mede a inflação no Brasil.
  2. IPCA influencia no aluguel?
    Não diretamente. O índice IGP-M é comumente usado como base dos reajustes de aluguel e contratos de locação. No entanto, o cálculo deste indicador considera o IPCA, junto ao Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) e ao Índice Nacional de Custo da Construção (INCC).
  3. O IPCA afeta o salário mínimo?
    Sim, as negociações de reajuste do salário mínimo consideram a inflação medida pelo IPCA, embora a principal referência seja pelo INPC.
  4. Como o IPCA se relaciona com a Selic?
    A Selic costuma acompanhar a evolução IPCA: quando a inflação medida por esse índice sobe, o Banco Central tende a aumentar a taxa de juros básica para conter os preços. O inverso também funciona: quando o IPCA abaixa, a Selic tende a ser reduzida. 

É interessante acompanhar o IPCA? Entenda os próximos passos

Em resumo, o IPCA:

  • É a taxa de referência oficial para a inflação no Brasil;
  • É calculada com base em uma cesta de consumo padrão e no peso de cada item no orçamento familiar;
  • Reflete o custo de vida da população.

Ou seja, este é um índice essencial para calcular o poder de compra, que ainda pode ser usado com a finalidade de proteger um patrimônio. Isso é feito por meio de aplicações em investimentos indexados a esse índice que asseguram rendimentos reais, acima da inflação. 

Portanto, entender o que é IPCA e acompanhar o seu desempenho ao longo do tempo pode ajudar na tomada de decisões inteligentes para as finanças. Da mesma forma, é válido conhecer todos os principais indicadores econômicos do país e se manter atualizado quanto ao cenário econômico com o apoio de diversas análises macroeconômicas. No Macro Review, por exemplo, o podcast do C6 Bank sobre os fatos econômicos do Brasil e do mundo, é possível se informar com muita praticidade sobre os principais acontecimentos da semana.

Explore investimentos protegidos da inflação com o C6 Invest.

Importante: Este conteúdo tem caráter meramente informativo e não deve ser entendido como recomendação de compra ou venda de ativos


Editor

Leonardo Uller

Jornalista e pós-graduado em Gestão, Empreendedorismo e Marketing, com experiência em produção de conteúdo para o mercado financeiro há mais de dez anos.

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