Entenda o que é, como é medido e de que forma esse indicador pode influenciar na economia e na sua carteira de investimentos.
Atualizado em
Pedro Rodrigues
Tempo de leitura · 7 min
Publicado em
11 de março de 2026
É comum ler em portais de notícias informações a respeito do risco-país, seja do Brasil ou de outras nações. Isso acontece porque indicador serve para avaliar a probabilidade de pagamento ou não de dívidas de cada governo e, dessa forma, estabelece o nível de confiança dos investidores na localidade.
Por isso, compreender esse instrumento de medida criado no início da década de 1990 é fundamental para quem tem investimentos ou pretende iniciar uma carteira de investimentos.
No texto a seguir, entenda melhor o que é o risco-país, como ele é medido, quais fatores influenciam seu aumento ou queda, e como ele impacta na sua carteira de investimentos.
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É possível não conhecer a expressão risco-país, mas ter familiaridade com “risco soberano” ou “risco Brasil”. As três são sinônimas, com a última usada para o conceito aplicado especificamente ao Brasil.
Elas se referem ao indicador econômico criado no início dos anos 1990 pelo banco norte-americano J.P. Morgan para avaliar o potencial de pagamento de dívidas de países emergentes.
Ou seja: o risco-país indica a possibilidade de um país em desenvolvimento não pagar o que prometeu a investidores.
Um maior ou menor risco soberano baliza a quantidade de confiança que o mercado pode depositar em determinada nação e, consequentemente, o quanto estão dispostos a investir nela.
Nesse ponto, cabe uma explicação: risco-país não é o mesmo que rating. No universo econômico, ambos os conceitos se complementam. Porém o rating mede o risco de crédito de uma nação a partir de padrões e cálculos específicos de agências classificadoras de risco, como S&P, Moody’s e Fitch.
O rating costuma ser uma avaliação que tem menor oscilação e tempo mais lento de atualização, enquanto o risco-país oscila diariamente.
Por muitos anos, o modelo mais amplamente utilizado para medir o risco-país foi o EMBI+ (Emerging Markets Bond Index Plus), calculado pelo próprio J.P. Morgan.
No caso do Brasil, o EMBI+Br ponderava os prêmios pagos pelos títulos da dívida externa brasileira, negociados em dólar. Sua base de comparação eram os papéis do Tesouro dos Estados Unidos.
Em outras palavras, ele fazia uma média ponderada do spread (a diferença entre o preço de venda e de recompra) dos papéis da dívida pública do país. Em seguida, comparava o resultado com os títulos do tesouro americano. Cada 100 pontos eram equivalentes a um percentual de juros.
Por exemplo: caso o risco-país fosse de 300 pontos, a remuneração dos títulos nacionais deveria ser pelo menos 3% maior que a dos títulos emitidos pelos Estados Unidos. Nesse caso, se tal título do Tesouro americano rende 4% ao ano, o total oferecido para o Brasil para atrair investidores precisaria ser 4% + 3% = 7%.
Quanto mais alto era o resultado do cálculo, maior era o risco soberano. E se ele está alto, menos confiança os investidores estrangeiros depositam na economia nacional.
Entretanto, esse índice de risco soberano do Brasil, registrado pelo IPEA, foi descontinuado e teve sua última atualização de dados em agosto de 2024. Desde então, surgiram alternativas como o Country Risk Premium (CRP), que também se baseia no spread soberano, e outros indicadores complementares ganharam destaque, como o CDS.
Outro instrumento para medir o risco soberano é o CDS (Credit Default Swap), um contrato bilateral que já existia junto com o EMBI. Porém, a grande diferença é que o CDS funciona mais como um seguro, já que ele é pago quando uma dívida não é quitada. Isso significa que quanto mais ele é vendido, mais as pessoas estão desconfiadas sobre determinados investimentos e querem se proteger. Por sua vez, tal falta de confiança eleva o risco-país.
Além do cálculo-base a partir dos prêmios pagos, outros aspectos econômicos e fatores sociais podem influenciar o índice do risco soberano, como:
Diante disso, relatórios e análises macroeconômicas feitos por instituições especializadas são essenciais para entender qual o impacto na economia do país e nos seus investimentos.
No C6 Bank, por exemplo, encontre os relatórios produzidos pela equipe econômica, que abordam o risco-país e os fatores que o influenciam: inflação, política fiscal e cenário internacional.
A consistência dessas análises foi reconhecida em 2025, quando o C6 Bank ficou entre as instituições que mais acertaram as projeções para a taxa Selic no ranking Top 5 da Pesquisa Focus, divulgado pelo Banco Central. O banco conquistou o 1º lugar na categoria Selic Longo Prazo e o 3º lugar na Selic Curto Prazo, resultado que reforça a precisão de suas estimativas nos diferentes horizontes avaliados.
Acompanhe as análises macroeconômicas do C6 Bank para entender o impacto risco-país nos investimentos e poder se planejar de acordo.
O nome desse conceito não é por acaso: sua análise de risco tem o poder de impactar toda a economia de um país, inclusive os investimentos.
Quanto mais alta a pontuação, maior chance de não comprometimento com a dívida, pior é a imagem do país frente aos investidores, que param de investir nele e causam a chamada fuga de capital.
Como consequência desse esvaziamento de investidores, que diminui o capital em circulação, há juros mais altos e crédito mais caro.
Entenda, por exemplo, o que acontece quando o risco-país está elevado:
Entender o risco-país é importante para quem deseja tomar decisões mais precisas em relação aos investimentos.
O indicador pode ser usado como um sinal de alerta sobre o momento de investir e nortear ajustes de alocação entre ativos nacionais e internacionais.
Se o risco Brasil estiver elevado, por exemplo, pode ser melhor aplicar em papéis cujos prêmios são maiores e os juros mais elevados. Se o índice estiver baixo, pode ser interessante incorporar à carteira de investimentos alguns títulos internacionais.
O importante é sempre estar atento aos movimentos, como forma de avaliar o cenário futuro.
Não há dúvidas que o risco-país é uma parte imprescindível dos elementos considerados por uma boa análise econômica. Entretanto, ele não é infalível.
Como seu próprio cálculo depende de diversos fatores, que nem sempre são quantificáveis (como crises geopolíticas e estabilidade institucional), ele pode não captar todos os riscos ou, por outro lado, superestimar alguns perigos.
Dessa forma, pode também reagir com atraso a determinados cenários ou apresentar um resultado enviesado, a depender dos fatores levados em consideração no momento do cálculo. Por isso, o ideal é não focar exclusivamente neste indicador, mas relacioná-lo com demais métricas macroeconômicas.
Em resumo, o risco-país é um termômetro da confiança dos investidores em relação a determinada nação. Estar alerta a ele garante investimentos mais alinhados ao cenário da economia nacional e, portanto, com menor risco.
Saiba mais sobre esses e outros indicadores no podcast “Macro Review”, no qual são apresentados os principais movimentos da economia brasileira e internacional, com insights interessantes para aplicar na carteira de investimentos.
Acompanhe o blog do C6 Bank para entender outros conceitos econômicos:
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Importante: Este conteúdo tem caráter meramente informativo e não deve ser entendido como recomendação de compra ou venda de ativos.
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