O que é M&A: conceito, tipos e etapas do processo

Saiba como operações de fusões e aquisições podem impulsionar o crescimento e até aumentar a competitividade das empresas

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A composição mostra a parte externa de um prédio corporativo moderno com fachada de vidro e estrutura metálica. É possível ver, através das janelas, salas internas iluminadas com mesas, cadeiras e objetos de escritório. A perspectiva é inclinada, destacando a arquitetura contemporânea e o ambiente empresarial.

Pedro Rodrigues

Tempo de leitura · 10 min

Publicado em

23 de fevereiro de 2026

M&A é a sigla para o termo inglês Mergers and Acquisitions, traduzido como fusões e aquisições. Esse conjunto de operações é uma estratégia usada por empresas de diversos portes e setores e engloba compra, venda, união ou reestruturação de sociedades.

 No Brasil, quando a movimentação envolve grupos com grandes valores de faturamento, a operação deve passar por análise e aprovação do Cade, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica. Essa validação tem como finalidade evitar concentração excessiva de mercado e proteger a concorrência e os consumidores. A relevância desse controle aumenta diante do volume de operações no país: segundo relatório da Aon em parceria com TTR Data e Datasite, o Brasil registrou 1.877 transações de fusões e aquisições em 2025, movimentando US$ 56,41 bilhões, o que colocou o país na liderança da América Latina no período. Diante desse cenário, a atuação do Cade torna-se essencial para garantir equilíbrio concorrencial em um ambiente com alto número de negociações empresariais.

Neste texto, aprenda o que é M&A, os conceitos de fusões e aquisições, os tipos de operações e suas funções, bem como os seus riscos. Além disso, entenda como é feita a regulação dessas movimentações empresariais para garantir um mercado competitivo e com mais opções para os brasileiros.

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O que é M&A?

A sigla M&A representa as operações através das quais empresas se unem ou passam a controlar umas às outras. Fundamentalmente, o objetivo é gerar valor por meio de sinergias, como ganho de escala, aumento de eficiência operacional ou expansão de mercado.

É importante saber que há diferenças relevantes entre os significados de fusão e aquisição, apesar das palavras serem agrupadas na mesma sigla. Por exemplo, enquanto um altera a sociedade estruturalmente, o outro muda as relações de controle entre os negócios. A seguir, entenda cada um desses conceitos.

Fusão

Acontece quando duas ou mais companhias se unem para formar uma organização. Para isso, as empresas originais são extintas e uma nova estrutura societária é criada.

Aquisição

É quando uma empresa compra outra, seja de forma total ou parcial, e assume seu controle. A partir daí, a companhia adquirida pode ser incorporada ou simplesmente seguir existindo juridicamente.

Incorporação

Nesse caso, uma empresa absorve a outra. Ou seja, uma das organizações deixa de existir juridicamente e tem todo seu patrimônio transferido para a outra, que é a incorporadora.

Agora que já sabe o que é M&A, é importante aprofundar alguns conceitos que fazem parte dessas operações e ajudam a entender como elas são estruturadas na prática.

  • Valuation: é o processo de avaliação econômica da empresa, que busca estimar quanto o negócio realmente vale com base em critérios financeiros, projeções de resultados e comparação com empresas semelhantes. Esse cálculo serve como referência para a negociação do preço.
  • Due diligence: é a auditoria detalhada realizada antes da conclusão da operação, que examina aspectos financeiros, jurídicos, fiscais e trabalhistas. O objetivo é identificar riscos, passivos ocultos e inconsistências que possam impactar o valor ou a viabilidade da transação.
  • Governança corporativa: corresponde ao conjunto de regras, estruturas e práticas que orientam a administração da empresa. Ela define como as decisões são tomadas, como os sócios ou acionistas participam da gestão e como a organização mantém transparência e responsabilidade perante investidores e o mercado.

Quais são os tipos de M&A?

Além da sigla incorporar diferentes operações, como apresentado acima, existem modelos de M&A distintos. Essa classificação se dá a partir do relacionamento entre as empresas envolvidas e os propósitos estratégicos da operação. 

Cada formato tem suas próprias vantagens e desafios e a escolha do modelo depende da estratégia de crescimento da companhia: ganhar mercado, reduzir custos ou ainda diversificar o portfólio. 

1. Horizontal

Ocorre entre empresas que atuam no mesmo segmento e oferecem produtos ou serviços semelhantes. Geralmente, os objetivos dessa operação são aumentar o market share, reduzir a concorrência direta e alcançar economias de escala.

Como exemplo, se duas companhias de tecnologia entregam o mesmo tipo de soluções, elas podem unir operações para expandir a participação no mercado. 

Interessante no aspecto estratégico, a operação pode ter seus desafios, especialmente a respeito da integração de culturas e equipes que antes concorriam entre si.

2. Vertical

Acontece quando as empresas estão em etapas distintas de uma mesma cadeia produtiva, como fornecedor e distribuidor. O foco é diminuir custos operacionais, ter maior controle da cadeia e melhorias na logística.

Assim, uma empresa de alimentos que quer reduzir dependências externas pode adquirir um fornecedor de embalagens. Sobretudo, esse tipo de M&A pode aumentar a previsibilidade de suprimentos e até aprimorar as margens de lucro. 

3. De conglomerado

Ao contrário das modalidades apresentadas até aqui, essa envolve empresas de setores diferentes, sem qualquer relação direta. 

As organizações que recorrem a esse tipo de M&A geralmente desejam diversificar o portfólio, ou seja, equilibrar receitas através da participação em mercados distintos e, assim, reduzir riscos. Por essa razão, é uma estratégia comum em grupos com perfil de investimento amplo.

É isso que acontece quando uma companhia de energia adquire um negócio de tecnologia financeira. Nesse exemplo, há uma organização de um setor essencial com investimentos em setores emergentes, que tendem a oscilar, ou seja, valorizar e desvalorizar de forma não necessariamente simultânea.

4. Complementar

É a operação que acontece quando as organizações oferecem produtos e serviços que se complementam e não são concorrentes. Aqui, a ideia é ampliar o portfólio e criar uma oferta completa para o mesmo público. Em outras palavras, a proposta é gerar valor para o cliente e aumentar o ticket médio das vendas.

Um exemplo disso é uma empresa de equipamentos que decide comprar um negócio especializado na manutenção daqueles produtos. Isso significa que o consumidor pode recorrer a essas organizações tanto no momento de aquisição quanto no pós-venda.  

5. De extensão

É realizado quando empresas com produtos similares e atuação em mercados diferentes, por questões geográficas ou de público-alvo, querem expandir seu alcance regional ou conquistar outros consumidores.

Para ilustrar esse tipo de M&A: se uma marca de roupas premium compra uma empresa com público de médio padrão, ela consegue ampliar sua presença em novos nichos. Como resultado, esse modelo favorece a diversificação sem perder o foco na categoria principal.

Quais são as etapas do processo de M&A?

As etapas do processo de M&A são bem definidas e ajudam a reduzir riscos ao mesmo tempo em que asseguram o alinhamento estratégico com os negócios envolvidos.

1. Preparação

É o momento de definir a tese da operação, identificar oportunidades e avaliar as empresas-alvo. Para isso, é preciso assegurar o compartilhamento seguro de informações sensíveis através de recursos como:

  • O teaser, cujo objetivo é apresentar dados relevantes sobre a empresa de forma a instigar investidores e compradores a buscar mais sobre o negócio; 
  • O Acordo de confidencialidade, conhecido também pela sigla NDA do termo em inglês Non-Disclosure Agreement, é um contrato legal para proteger materiais estratégicos e sigilosos.

2. Valuation

Um elemento muito importante é o valuation em M&A. Esse é o cálculo do valor de mercado da empresa com base no fluxo de caixa descontado, múltiplos de mercado e análise de ativos tangíveis e intangíveis.

Com isso, é possível chegar a um valor justo que pode ser usado como referência na negociação.

2. Due diligence

Esse conceito em M&A se refere à etapa de auditoria detalhada que analisa aspectos:

  • Financeiros;
  • Jurídicos;
  • Trabalhistas;
  • Fiscais;
  • De compliance (conformidade com parâmetros éticos e legais).

É nessa etapa que são identificados os riscos ocultos da operação, se houver, e se garante a segurança jurídica da transação.

3. Negociação

Com definições, cálculos e análises feitos, chega uma das etapas do processo de M&A que consistem em formalizar a negociação. É possível registrar os termos do acordo por meio de documentos como a Carta de Intenções (LOI) e o contrato de compra e venda, que definem:

  • Condições de pagamento, 
  • Prazos de transição,
  • Responsabilidade das partes,
  • Cláusulas de earn-out.

Essas últimas servem para quando há dificuldade em definir o valor real da empresa adquirida no momento da transação, seja por incerteza ou divergência. Então, para alinhar os interesses das partes e mitigar riscos, parte do pagamento é vinculada ao desempenho futuro do negócio, conforme metas previamente estabelecidas.

4. Aprovação regulatória

Como mencionado no início do texto, há operações que devem ser comunicadas ao Cade. Conforme o Artigo 88 da Lei Nº12.529, isso acontece quando os grupos envolvidos atingiram determinados limites de faturamento no ano anterior.

A princípio, o Conselho avalia os atos de concentração econômica para identificar se eles prejudicam a concorrência ou criam monopólios. A análise é realizada por setor, participação de mercado das companhias envolvidas, existência de rivalidade por parte dos concorrentes, entre outros elementos.

O objetivo final é preservar a concorrência e, com isso, a diversidade e qualidade dos produtos e serviços prestados ao consumidor. Por isso, a aprovação pelo Cade pode ocorrer com ou sem restrições, conforme a análise do caso concreto. Quando a operação é reprovada, as empresas ficam impedidas de concluí-la e não podem implementar a integração planejada. Caso a transação já tenha sido parcialmente executada, o órgão pode determinar medidas para desfazer atos praticados e restabelecer a situação anterior.

5. Fechamento e integração

Por fim, ocorre o fechamento contratual do M&A e o início da integração pós-fusão. Isso inclui ajustes societários, bem como a adaptação operacional e cultural das equipes e sistemas.

Como variam prazos, custos e complexidade de um M&A conforme o tipo de empresa

Embora as etapas de um M&A sejam semelhantes em qualquer operação, a estrutura societária influencia diretamente o nível de formalidade, a complexidade jurídica, o prazo estimado e o custo total do processo. Empresas limitadas, sociedades anônimas e companhias listadas enfrentam exigências distintas de governança e regulação, o que altera significativamente a dinâmica da transação.

Tipo de empresa
Formalidades societárias
Nível de governança
Complexidade regulatória
Tendência de prazo
Tendência de custo
LTDA (Limitada)
Alteração de contrato social e registro na Junta Comercial
Estrutura mais simples, dependente de acordo entre sócios
Baixa, salvo setor regulado
Menor, quando há poucos sócios e estrutura organizada
Proporcionalmente menor
S.A. fechada
Assembleia de acionistas, registros em livros societários e eventuais publicações
Governança mais estruturada, com regras formais da Lei das S.A.
Moderada
Intermediário, devido às formalidades
Maior que LTDA
Companhia listada
Assembleias, comunicação ao mercado, cumprimento de normas da CVM e da bolsa
Governança robusta e obrigações de transparência
Elevada, especialmente em casos com impacto concorrencial
Maior, por exigências regulatórias
Mais elevado, devido a assessorias especializadas
Empresa familiar ou holding patrimonial
Ajustes contratuais e eventuais reorganizações internas
Pode variar conforme estrutura existente
Baixa a moderada
Variável, conforme alinhamento entre membros
Pode ser menor se não houver pagamento externo relevante

Em empresas limitadas, o processo costuma ser mais direto porque a decisão depende essencialmente dos sócios e da alteração contratual correspondente. Já em sociedades anônimas fechadas, a necessidade de assembleias e cumprimento das regras previstas na Lei das Sociedades por Ações aumenta o grau de formalização.

Nas companhias listadas, a exigência de divulgação ao mercado, transparência e observância das normas da CVM amplia o escopo do processo e eleva o nível de complexidade. Em reorganizações envolvendo holdings ou empresas familiares, embora o volume financeiro possa ser menor, a negociação entre partes relacionadas pode demandar maior cuidado na definição de governança e regras futuras.

Quais são os benefícios de M&A

Ao longo do texto, foram apresentadas diversas vantagens que esse tipo de operação pode trazer, sendo as principais:

  • Aumento de escala;
  • Expansão de mercado;
  • Geração de sinergias operacionais e financeiras;
  • Diversificação de receitas;
  • Acesso a novas tecnologias, talentos e know-how.

Resumindo, quando o M&A é bem estruturado serve para fortalecer a competitividade e acelerar ocrescimento empresarial.

Planejamento financeiro de um M&A

Qualquer M&A demanda um planejamento financeiro detalhado para controle de caixa, pagamentos e recebíveis a cada etapa do processo. Além dos custos diretos, como consultorias, auditorias e assessorias jurídicas, também devem ser previstas neste plano as despesas indiretas, que incluem integração de sistemas, ajustes contratuais e reestruturações internas.

Centralizar as movimentações financeiras facilita auditorias, relatórios para sócios e a comunicação com investidores. Nesse contexto, a Conta PJ C6 Empresas permite concentrar toda a gestão financeira em um único app, e ainda oferece recursos como:

  • Pix ilimitado;
  • 100 boletos gratuitos por mês, com liquidação D0;
  • Cartões adicionais para controle de despesas (sujeito a análise);
  • C6 Pay para recebimento via maquininha.

Além disso, é possível aplicar sobras de caixa em ativos de curto prazo e com liquidez diária pelo C6 Invest, a plataforma de investimentos do C6 Bank

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Informações sobre os produtos e serviços do C6 Bank vigentes na data da postagem deste texto. As regras e condições de cada produto e/ou serviço podem ser posteriormente alteradas. Consulte os termos vigentes no momento da contratação pelo app. 


Redator

Pedro Rodrigues

Formado pelo Centro Universitário Belas Artes e pós-graduando em Marketing e Mídias Digitais, atua no mercado financeiro com foco na produção de conteúdo para fomentar a educação financeira.

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