Usado para análises macroeconômicas, o PIB nominal mostra o tamanho da economia do país em preços correntes
Atualizado em
Pedro Rodrigues
Tempo de leitura · 6 min
Publicado em
20 de janeiro de 2026
Um dos mais importantes indicadores da economia de um país é o PIB nominal. Ele representa a soma dos valores correntes dos bens e serviços finais produzidos nacionalmente em um período e permite comparações entre diferentes países.
Calculado com base na produção e nos preços atuais, esse índice não considera as mudanças da inflação, o que pode levar a conclusões distorcidas sobre a evolução da economia brasileira ao longo do tempo. Por isso, geralmente, sua análise é acompanhada de outros índices como o PIB real, que justamente combina ajustes de inflação e deflação e mostra o percentual de crescimento real.
Neste texto, será abordada a diferença entre PIB nominal e PIB real, em quais situações cada um deles deve ser usado e qual a relevância desse dado para análises econômicas. Além disso, serão apresentadas formas de acompanhar esse indicador e entender suas mudanças, com apoio de soluções do C6 Bank.
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É o valor total dos bens e serviços finais que o país produziu em um intervalo de tempo, sem ajuste da inflação. Esse dado tem a mesma base que o Produto Interno Bruto, com a diferença que considera apenas os preços praticados no momento de referência.
É um indicador que permite mostrar o tamanho absoluto de uma economia e fazer comparações com as de outras nações. Em contrapartida, na visão de longo prazo, ele pode apresentar limitações, pois é igualmente impactado pelo crescimento econômico e pela inflação.
Assim, se de um ano para outro, os preços sobem 10%, o PIB nominal vai refletir esse aumento, independentemente da produção. Em números: um país com PIB em valores correntes de R$ 10 trilhões, depois de uma inflação de 10%, passa a R$ 11 trilhões. Porém, isso acontece sem evolução real de produção, apenas com o reajuste dos valores.
Então, ao observar exclusivamente o PIB nominal, é possível ter uma falsa sensação de aceleração da economia. Já para uma análise mais completa, o ideal é combinar esse dado com outros indicadores, como:
O PIB nominal é calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e depende de duas variantes: a quantidade de bens e serviços finais e os preços atuais.
A princípio, é importante saber o que são esses “bens e serviços finais”. Essa solução, encontrada pelo IBGE para evitara dupla contagem, funciona assim: ao invés de contabilizar o trigo e a farinha de trigo, o pão é diretamente incluído na conta. Ou seja, o produto final no qual essas matérias foram usadas. O mesmo acontece para bens de outra natureza, como equipamentos eletrônicos ou automóveis.
Com essa base, confira agora um infográfico com o passo a passo do cálculo do PIB nominal e um exemplo prático:
Passo a passo
Exemplo prático:
Com essa fórmula, é possível entender o potencial e as limitações do índice. Por exemplo:
Em 2024, um país fictício produziu 200 mil bicicletas, 5 milhões de caixas de leite e 50 mil computadores aos preços unitários de R$ 800, R$ 4 e R$ 3 mil, respectivamente.
(200 x 800) + (5.000.000 x 4) + (50.000 x 3.000)
PIB nominal de R$ 330.000.000.
Em 2025, essa nação manteve o nível de produção, no entanto os preços subiram cerca de 10%, resultando em R$ 880 (bicicletas), R$ 4,40 (leite) e R$ 3.300 (computadores).
(200 x 880) + (5.000.000 x 4,40) + (50.000 x 3.300)
PIB nominal de R$ 363.000.000Por fim, temos o aumento de R$ 33.000.000 do PIB nominal de um ano para outro, sem crescimento na produção, apenas inflação.
A grande diferença entre PIB nominal e PIB real está na inflação. Enquanto o primeiro considera preços atuais e não contabiliza eventuais mudanças, o segundo desconta a taxa de inflaç
ão do período em questão e consegue identificar a taxa de crescimento.
Ao considerar os dados mais recentes do PIB do Brasil, registrados pelo IBGE e pelo IPEA, temos:
É importante pontuar que um aumento no PIB real corresponde, de fato, a um desenvolvimento na produção de riqueza, mas o mesmo não pode ser dito do PIB nominal. Isso porque uma elevação de preços reflete nesse índice da mesma forma que uma aceleração produtiva.
Para consolidar esse conhecimento, confira a tabela comparativa a seguir:
Critérios | PIB Nominal | PIB Real |
|---|---|---|
Base de cálculo | Valores correntes no período | Preços constantes (ano-base) |
Considera a inflação | Não | Sim |
Indica crescimento real | Não necessariamente | Sim |
Principal uso | Medir tamanho absoluto da economia | Comparar evolução econômica ao longo do tempo |
O PIB nominal tem como base tudo aquilo que foi produzido no país, ou seja, é o valor de mercado para aquele trimestre ou ano. Por isso, ele é uma referência em funções, como:
Apesar da sua importância, esse dado geralmente é acompanhado de demais indicadores, em especial o PIB real.
Quando são divulgados os dados sobre o tamanho da economia de um país, isso pode impactar as expectativas do mercado, as decisões de política monetária e, consequentemente, as estratégias de investimento.
Assim, uma projeção de crescimento feita a partir da análise do PIB nominal e do real, pode aumentar o preço de ativos e o câmbio, por exemplo. Informações como essas vão ainda contribuir para o planejamento de empresas e negócios.
Sobretudo, a influência do PIB nominal se estende ainda a outros indicadores econômicos, como a taxa Selic e a de inflação, que reverberam diretamente no dia a dia do brasileiro. Como exemplo, um PIB nominal elevado pode corresponder a um período de alta inflação, que levaria o Banco Central a ajustar a taxa básica de juros (Selic) para controlar os preços. Nesse cenário, títulos de renda fixa indexados à Selic também ganham rentabilidade atrativa.
Então, são muitos os motivos que tornam importante acompanhar o PIB nominal: desde entender as tendências da economia brasileira a poder ajustar a carteira conforme os cenários. E o C6 Bank pode ajudar nisso.
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