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Como renegociar dívidas e evitar problemas financeiros?

A renegociação de dívidas pode ser o primeiro passo para sair de um aperto. Entenda o funcionamento desse tipo de acordo

Atualizado em

Bruna de Paula

Tempo de leitura · 6 min

Publicado em

9 de agosto de 2023

Renegociar dívidas costuma ser uma boa solução para sair de um aperto financeiro. Manter todas as contas sob controle é um grande desafio. Às vezes, é possível ser pego de surpresa em uma situação de endividamento que parece não ter saída, já que imprevistos podem acontecer, mesmo com a organização das despesas em dia. 

Quando isso acontece, ignorar a dívida pode parecer mais fácil no curto prazo. Porém, essa decisão acelera a piora da situação, principalmente quando se consideram dívidas de cartão de crédito, que costumam ter juros elevados. 

Neste texto, entenda os benefícios de renegociar as dívidas do cartão de crédito, e saiba a importância de um bom planejamento financeiro.  

Este conteúdo faz parte da editoria de educação financeira do C6 Bank, uma iniciativa que busca apoiar pessoas em situação de endividamento com informação clara, responsável e prática para retomada do controle financeiro.  

Além disso, leia outros conteúdos especiais sobre planejamento financeiro e dicas para lidar com o estresse financeiro: 

Por que a dívida do cartão cresce tão rápido?

A dívida do cartão de crédito cresce rapidamente porque os encargos aplicados quando a fatura não é paga integralmente costumam ser altos. Diferentemente de outras modalidades de crédito, o cartão combina juros elevadosincidência diária de encargos e capitalização sobre o saldo devedor. 

Quando não se paga o valor total da fatura até o vencimento, três situações podem acontecer: 

  1. Pagamento mínimo ou parcial da fatura: o saldo restante entra no crédito rotativo; 
  1. Não pagamento da fatura: além do rotativo, há multa e juros por atraso; 
  1. Parcelamento da fatura: a dívida é transformada em parcelas com juros.  

Entenda os principais encargos envolvidos:  

Juros do rotativo  

crédito rotativo é acionado automaticamente quando o cliente paga apenas parte da fatura. Sobre o valor que ficou em aberto, incidem juros elevados, calculados proporcionalmente aos dias em atraso. 

Esses juros são aplicados sobre o saldo devedor e, no mês seguinte, passam a fazer parte da nova base de cálculo. Ou seja, são pagos juros sobre juros, o que acelera o crescimento da dívida.

Multa por atraso  

Se a fatura não for paga até o vencimento, pode ser aplicada multa (limitada pela Lei nº 8.078/1990 a até 2% sobre o valor devido). Embora pareça pequena, ela é somada ao saldo que já terá juros incidido. 

Juros de mora  

Além da multa, há juros de mora, geralmente de até 1% ao mês, cobrados pelo atraso no pagamento. Eles são acumulativos enquanto a dívida estiver em aberto. 

IOF 

IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) também incide sobre o saldo financiado no crédito rotativo ou parcelamento da fatura, o que aumenta o custo total. 

O que acontece se eu não pagar a fatura do cartão? 

Ignorar a dívida pode parecer uma solução temporária, mas os efeitos tendem a se intensificar com o tempo. Sem pagamento ou acordo, o problema deixa de ser pontual e passa a impactar várias áreas da vida financeira. 

1. Aumento contínuo da dívida  

Quando não há renegociação, os juros e encargos continuam a incidir sobre o saldo em aberto. No cartão de crédito, isso pode incluir juros elevados, multa e juros por atraso. 

Como esses valores são somados ao saldo devedor, o montante cresce mês após mês. Quanto mais tempo passa, maior se torna o valor total e mais difícil pode ser quitá-lo. 

2. Restrição de crédito e score ruim 

As dívidas em aberto podem prejudicar o scorehistórico de crédito, já que atrasar pagamentos significa que os compromissos financeiros não estão em dia. Ter um score ruim dificulta a obtenção de empréstimosou financiamentos, pois este é um indicador levado em consideração pelas instituições financeiras ao concederem esses produtos. 

3. Cobranças e ações judiciais 

Os credores, que são as instituições que aguardam o pagamento, têm o direito de cobrar esse valor e buscar medidas legais para recuperá-lo, como ações judiciais que acarretam perda de bens ou bloqueio de contas bancárias

4. Pressão emocional e desorganização financeira 

A preocupação constante com a dívida pode gerar estresse e afetar decisões do dia a dia. Muitas vezes, a falta de renegociação leva ao uso de novos créditos para cobrir despesas antigas, que cria um ciclo difícil de interromper. 

Por isso, buscar uma solução o quanto antes pode ajudar a limitar o crescimento da dívida e facilitar a reorganização do orçamento. 

Como renegociar as dívidas do cartão na prática? 

O processo de renegociação costuma ser mais simples do que muitas pessoas imaginam, e pode começar com organização e informação: 

1. Levante todas as informações 

Antes de negociar, saiba exatamente: 

  • Valor total da dívida; 
  • Taxa de juros aplicada; 
  • Valor mínimo da fatura; 
  • Quantidade de parcelas possíveis; 
  • Data de vencimento. 

Anotar tudo em uma planilha ou caderno ajuda a ter clareza. 

2. Analise a renda e despesas 

Liste: 

  • Renda mensal líquida; 
  • Despesas fixas (aluguel, água, luz, alimentação); 
  • Despesas variáveis; 
  • Outras dívidas existentes. 

Isso ajudará a definir quanto pode pagar sem comprometer necessidades básicas.

3. Defina uma proposta realista 

Pergunte-se: 

  • Posso pagar à vista com desconto? 
  • Preciso de parcelamento? 
  • Qual valor de parcela cabe no meu orçamento? 

Evite assumir parcelas que comprometam mais do que a capacidade de pagamento.

4. Entre em contato com a instituição 

Utilize os canais oficiais (app, telefone ou atendimento digital). Questione sobre: 

  • Alternativas de parcelamento; 
  • Redução de juros; 
  • Possíveis descontos. 

Muitas instituições já oferecem programas específicos de renegociação. 

5. Leia o contrato com atenção 

Antes de fechar o acordo, verifique: 

  • Valor final total; 
  • Taxa de juros aplicada; 
  • Quantidade de parcelas; 
  • Consequências em caso de atraso. 

6. Organize-se para cumprir o acordo 

Depois de renegociar, manter os pagamentos em dia é importante para evitar novo endividamento. 

Como evitar novas dívidas no cartão depois da renegociação? 

Para que o esforço compense, é fundamental adotar hábitos que reduzam o risco de voltar ao endividamento. A renegociação resolve o problema atual, mas a mudança de comportamento financeiro ajuda a evitar que ele se repita. 

Algumas práticas podem fortalecer a organização no dia a dia: 

Pagar sempre o valor total da fatura do cartão  

Priorize o pagamento integral da fatura até o vencimento. Caso perceba que não conseguirá pagar o total, é importante buscar alternativas antes do vencimento.  

Criar uma reserva de emergência  

Imprevistos são uma das principais causas do endividamento e da inadimplência. Ter uma reserva, mesmo que construída aos poucos, ajuda a lidar com despesas inesperadas sem recorrer ao cartão ou a empréstimos. 

Evitar usar o limite como extensão da renda  

O limite do cartão não deve ser considerado parte do salário. Ele é uma linha de crédito, que gera custo quando não é paga integralmente. Usar o limite de forma recorrente para cobrir despesas básicas pode indicar desequilíbrio no orçamento. 

Registrar despesas mensais  

Anotar gastos fixos e variáveis ajuda a identificar excessos e ajustar hábitos de consumo. Pequenas despesas recorrentes, quando somadas, podem comprometer uma parte relevante da renda. 

Renegociar é um recomeço

Sair das dívidas não acontece da noite para o dia, mas cada decisão consciente é um avanço. Buscar informação, negociar e planejar são atitudes que ajudam a reconstruir a estabilidade financeira. 

Para dar os próximos passos com mais segurança, conheça o Meu Bolso em Dia, programa de educação financeira da Febraban, que oferece conteúdos e ferramentas para ajudar você a organizar o orçamento e sair do vermelho. Para entender mais sobre planejamento financeiro, leia também: 

Informações sobre os produtos e serviços do C6 Bank vigentes na data da postagem deste texto. As regras e condições de cada produto e/ou serviço podem ser posteriormente alteradas. Consulte os termos vigentes no momento da contratação pelo app. 


Redatora

Bruna de Paula

Formada em Letras e pós-graduada em Comunicação e Retórica, atua há 7 anos com produção de conteúdo para mídias digitais, com 4 anos de experiência no mercado financeiro.

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