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Tapering: o que é, como funciona e qual seu impacto na economia

A redução gradual de estímulos dos bancos centrais muda liquidez, juros e prêmios pagos nos mercados financeiros globais.

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No centro da composição, aparecem gráficos financeiros compostos por velas de candlestick verticais e uma linha de tendência conectando pontos circulares destacados. Ao fundo, há a silhueta de um mapa-múndi sobre grade quadriculada, também em tonalidade amarela. Os elementos gráficos estão distribuídos horizontalmente, simulando variações de mercado ao longo do tempo.

Pedro Rodrigues

Tempo de leitura · 7 min

Publicado em

12 de fevereiro de 2026

O tapering é um processo de política monetária que reduz gradualmente estímulos adotados por bancos centrais após períodos de forte expansão monetária. Esse movimento indica que a economia apresenta fundamentos mais firmes e pode avançar com menor dependência de medidas extraordinárias usadas em fases de crise.

Além disso, a redução dos estímulos afeta variáveis centrais da economia, porque altera a liquidez disponível, o comportamento dos juros e o fluxo de capitais entre países. Essas mudanças influenciam decisões de investimento, condições financeiras e a precificação de ativos em escala global.

Neste texto, entenda como o tapering surgiu, como ele funciona na prática e de que forma esse processo influencia economias e investimentos ao redor do mundo.

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O que é tapering?

O Tapering acontece quando, em épocas de crise econômica, governos e bancos centrais ampliam estímulos para evitar recessões profundas e falhas no sistema financeiro. Nesses momentos, o foco recai sobre a sustentação do crédito, a preservação do funcionamento dos mercados e a redução do custo do dinheiro enquanto a atividade permanece fragilizada.

Inicialmente, a política monetária atua por meio da redução da taxa básica de juros. No entanto, quando os juros se aproximam de níveis muito baixos, sua capacidade de estímulo diminui. Por esse motivo, bancos centrais passam a adotar instrumentos adicionais, voltados a ampliar liquidez e influenciar condições financeiras de forma mais ampla. Entre os principais estímulos usados nessas fases estão:

Manutenção da taxa básica em patamar reduzido, para manter o crédito mais barato e apoiar a atividade econômica;• Compra de títulos públicos, para reduzir juros de longo prazo e colocar mais dinheiro em circulação;• Programas de compra de ativos privados, usados em alguns países para sustentar mercados específicos em períodos de estresse;• Comunicação prospectiva, que indica por quanto tempo as condições monetárias devem continuar favoráveis.

Com a recuperação gradual da economia, a permanência desse conjunto de estímulos perde parte de sua função original. O tapering define justamente a redução progressiva desses instrumentos, com foco principal no ritmo das compras de ativos, sem interrupções abruptas do apoio monetário.

Ao promover essa retirada em etapas, o banco central ajusta a intensidade da política monetária de forma previsível. Dessa maneira, preserva a estabilidade financeira e prepara a transição para condições menos excepcionais, compatíveis com um cenário econômico mais equilibrado.

Como surgiu o conceito de tapering?

O tapering ganhou relevância após a crise do subprime, quando o Federal Reserve (Fed) expandiu os estímulos monetários muito além do padrão histórico. Antes da crise, o balanço do banco central girava em torno de US$ 900 bilhões, nível compatível com a condução tradicional da política monetária. Com a adoção de programas amplos de compra de ativos, esse volume cresceu rapidamente e ultrapassou US$ 4 trilhões entre 2008 e 2014, segundo a série histórica do Federal Reserve Bank of St. Louis. Esse salto refletiu compras contínuas de títulos públicos e ativos ligados ao mercado imobiliário, em escala inédita.

Com esse montante de estímulo, a política monetária passou a enfrentar um novo desafio. A questão deixou de ser apenas quanto apoiar a economia e passou a envolver como retirar esse apoio sem gerar instabilidade. A preocupação incluiu tanto o ritmo da redução quanto a forma de comunicação, já que os mercados precisavam ajustar expectativas de maneira previsível.

Diante disso, o Federal Reserve estruturou uma estratégia baseada em sinalização gradual. Primeiro, reforçou que reduzir o ritmo das compras não significaria interromper o estímulo existente. Depois, vinculou qualquer mudança à evolução dos indicadores econômicos, o que deu previsibilidade ao processo.

Como o tapering funciona na prática?

O tapering funciona como um ajuste progressivo dos estímulos monetários à medida que a economia apresenta sinais mais consistentes de recuperação. Conforme indicadores econômicos melhoram, os bancos centrais passam a reavaliar a necessidade de manter medidas extraordinárias no mesmo grau de intensidade adotado durante períodos de crise.

Esse processo é orientado por um conjunto amplo de indicadores, que ajudam a medir se o estímulo ainda cumpre seu papel ou se pode começar a ser reduzido. Entre os principais sinais acompanhados pelas autoridades monetárias estão:

Inflação e expectativas de inflação, que indicam o grau de pressão sobre os preços.• Atividade econômica, notada através de consumo, produção e investimento.• Mercado de trabalho, com foco em emprego, desemprego e evolução da renda.• Condições financeiras, como oferta de crédito, spreads e funcionamento dos mercados.

A avaliação desses indicadores ocorre em reuniões periódicas do comitê de política monetária, órgão formado por dirigentes do banco central e equipes técnicas. Nessas reuniões, o grupo analisa dados recentes, discute riscos e decide se o ritmo das compras de ativos deve ser mantido, ajustado ou reduzido. Esse processo não depende, necessariamente, das decisões sobre a taxa básica de juros, o que permite calibrar o estímulo de forma mais precisa.

Com essa estrutura, o tapering avança de maneira ordenada e previsível. As decisões seguem dados objetivos, são tomadas em fóruns formais e comunicadas com antecedência. Assim, os estímulos acompanham a evolução da economia e a transição ocorre com estabilidade e clareza para os mercados.

Como o tapering afeta os investimentos?

Na renda fixa, a referência central de precificação é o título prefixado do Tesouro Nacional, conhecida anteriormente como LTN, que carrega o menor risco da economia por estar associada ao risco soberano. Esse papel define o retorno mínimo exigido pelo mercado para emprestar ao governo federal. A partir desse patamar, qualquer outra emissão envolve risco maior e, por isso, precisa oferecer retorno adicional para atrair investidores.

Essa lógica se conecta à política monetária. Embora o Tesouro Nacional seja o emissor dos títulos públicos, a atuação sobre a quantidade de dinheiro em circulação ocorre por meio do Banco Central, que compra ou vende esses papéis no mercado secundário para regular o nível de estímulo da economia.

Os prêmios da renda fixa surgem justamente dessa dinâmica. Títulos com prazos mais longos exigem compensação maior pelas incertezas futuras, enquanto emissões privadas precisam remunerar o risco de crédito acima do risco soberano. Assim, toda a estrutura da renda fixa se organiza a partir da taxa do Tesouro, com prêmios crescentes conforme o risco aumenta.

O tapering interfere nesse mecanismo ao reduzir o ritmo de compras de títulos pelo Banco Central. Com menos compras, a taxa exigida para financiar o governo sobe, e esse movimento se espalha por todo o mercado. Na prática, os principais ajustes aparecem em:

Títulos prefixados, que passam por reprecificação quando o retorno exigido pelo mercado aumenta;• Crédito privado, que precisa pagar prêmios maiores para competir com a taxa soberana mais elevada;• Alocação de portfólio, já que a renda fixa se torna mais atrativa em relação a ativos de maior risco.

Nesse ambiente, papéis pós-fixados também perdem atratividade relativa, pois a remuneração atrelada a índices de curto prazo cresce menos quando o mercado exige retornos maiores para prazos mais longos. Assim, o tapering altera o custo do dinheiro, redistribui prêmios e influencia decisões de investimento em diferentes classes de ativos.

Como acompanhar o tapering?

Acompanhar o tapering exige atenção aos comunicados de política monetária e aos indicadores econômicos que orientam a retirada de estímulos. A partir dessas informações, o mercado ajusta expectativas sobre inflação, juros e condições financeiras, o que influencia preços de ativos e decisões de investimento.

Nesse processo de leitura do cenário, as Análises Macroeconômicas do C6 Bank organizam os principais sinais da economia em uma visão estruturada. Os relatórios avaliam decisões de bancos centrais, examinam impactos sobre juros, câmbio e inflação e conectam movimentos internacionais ao contexto macroeconômico brasileiro.

Além disso, o podcast Macro Review, publicado semanalmente, aprofunda os temas centrais da agenda econômica. A equipe macroeconômica do C6 Bank analisa decisões recentes de política monetária e seus desdobramentos para mercados e investimentos, o que contribui para o acompanhamento contínuo do processo de normalização monetária.

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Vale a pena acompanhar o tapering?

Acompanhar o tapering permite compreender como mudanças graduais na política monetária afetam as condições financeiras. Quando os estímulos começam a diminuir, o custo do dinheiro se ajusta, o que repercute em juros, câmbio e prêmios de risco e pode influenciar decisões de investimento.

Esse processo também ajuda a identificar transições no ciclo monetário global. À medida que bancos centrais reduzem estímulos, o mercado passa a operar com menor liquidez e maior seletividade, o que altera a relação entre risco e retorno nas diferentes classes de ativos.

Por esse motivo, acompanhar o tapering é um caminho interessante para avaliar riscos com antecedência e alinhar estratégias à fase do ciclo econômico.

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Este conteúdo tem caráter informativo e não representa uma recomendação de investimento. Antes de tomar qualquer decisão financeira, avalie seus objetivos e perfil de risco. Se tiver dúvidas, conte com o suporte de um especialista.

Informações sobre os produtos e serviços do C6 Bank vigentes na data da postagem deste texto. As regras e condições de cada produto e/ou serviço podem ser posteriormente alteradas. Consulte os termos vigentes no momento da contratação pelo app.   


Redator

Pedro Rodrigues

Formado pelo Centro Universitário Belas Artes e pós-graduando em Marketing e Mídias Digitais, atua no mercado financeiro com foco na produção de conteúdo para fomentar a educação financeira.

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