Aprender como calcular o preço médio de ações é essencial para preenchimento da declaração do Imposto de Renda; saiba como fazer
Atualizado em
Bruna de Paula
Tempo de leitura · 7 min
Publicado em
14 de abril de 2022
Saber como calcular o preço médio de uma ação é parte importante da estratégia de quem investe em renda variável. A partir desse resultado, investidores conseguem decidir como dar prosseguimento com a compra e venda de títulos. Além de um papel importante para a análise, o preço médio das ações também é utilizado na hora preencher a declaração do imposto de renda.
Em 2025, mais de 5,5 milhões de investidores aplicaram em ativos de renda variável no Brasil, segundo a B3. Com a chegada de 2026, então, resta aos investidores se prepararem para passar todas essas informações à Receita Federal, e evitar possíveis prejuízos fiscais.
Neste post, vamos ensinar como fazer este cálculo, parte central do processo de declaração.
Quer ler outros conteúdos como esse? Então veja esses textos que separamos para você:
Importante: este texto é uma forma de te ajudar na sua busca por informações. Em caso de dúvidas, procure um contador ou profissional qualificado para auxiliar na sua declaração.
O preço médio de uma ação nada mais é do que a média aritmética dos preços de todas as compras de um determinado título. Isto é: trata-se da soma de todas as aquisições dividida pela quantidade de papéis que você tem.
A importância desse conceito vem do fato de que a compra repetida de uma mesma ação é uma prática extremamente comum no mercado financeiro, especialmente no longo prazo. Quase ninguém chega na B3 e sai comprando ações em lotes de 1. No entanto, muitas vezes essas obtenções são feitas por preços diferentes.
O custo médio de ações é uma importante informação na declaração do Imposto de Renda
Além disso, esse dado é usado na declaração do Imposto de Renda. No preenchimento do documento, é necessário identificá-lo com precisão para a Receita Federal, evitando cair na malha fina.
Para calcular o preço médio de ações, você precisa de quatro informações principais, relacionadas aos custos e volumes. Para cada ação adquirida, reúna os seguintes dados:
Custos | Volumes |
|---|---|
Preço de uma única ação em cada operação | Volume de ações adquirido em cada compra |
Custo total de aquisição das ações | Quantidade total de ações que você tem |
Vamos dar um exemplo para facilitar a visualização. Suponha que, ao longo de um mês, você comprou uma mesma ação duas vezes. Nesse caso, basta multiplicar a quantidade de papéis pelo preço e somar os custos e despesas, apresentados nas notas de corretagem. Entenda:
Agora, a parte mais importante: como calcular o preço médio de cada ação. A fórmula geral é a uma fração que pode ser interpretada da seguinte forma:
Aplicando os valores do nosso exemplo à fórmula “Preço médio = (soma do custo total das compras, já com taxas) ÷ (quantidade total de ações)”, temos que:
(2.000 + 20) + (6.000 + 20) / 700 = R$ 11,48
Neste exemplo, o preço médio da ação é de R$ 11,49.
A seguir, vamos mostrar como você pode fazer a declaração das suas ações no IR 2026. Entenda:
Antes de começar a declaração em si, é importante ter em mãos todos os documentos que comprovem as operações feitas entre 1 de janeiro e 31 de dezembro do ano-calendário, com os valores e o tipo de ativo de cada movimentação, bem como o tipo de venda.
Adicionalmente, também é necessário reunir os Documentos de Arrecadação de Receitas Federais (DARFs), notas de corretagem, informe de rendimentos e até os extratos conhecidos popularmente como “dedo-duro”.
Faça o cálculo de preço médio que demonstramos anteriormente. Recapitulando rapidamente:
Quantidade de ações adquiridas x preço pago + custos e taxas/ total de papéis;
Neste processo, talvez apareçam casos em que houve compra do ativo, venda e depois nova aquisição. Nessas situações, o preço da segunda captação não pode interferir na apuração de lucro da venda anterior.
Declarar o Imposto de Renda é possível por meio do programa disponibilizado pela Receita Federal ou através de preenchimento online, pelo próprio site. Com os dois passos anteriores concluídos, selecione uma dessas modalidades e comece pela declaração dos rendimentos isentos de IR (dividendos e vendas de ações que não ultrapassaram o teto de R$ 20 mil mensais, considerando todas as operações no mes).
Importante notal que o teto se refere ao valor da venda, e não ao seu ganho.
Ficha de “Rendimentos Isentos e Não Tributáveis”
Ficha de “Rendimentos Sujeitos à Tributação Exclusiva”
Na sequência, você pode fazer a declaração dos juros sobre capital próprio, na ficha de “Rendimentos Sujeitos à Tributação Exclusiva” com o código 10.
Ficha de Renda Variável
Aqui, é necessário informar os valores de lucro ou prejuízo registrados durante todo o período analisado, mês a mês, no item “Operações Comuns/Day Trade”. Para isso, use como guias os documentos que você separou no começo do processo – especialmente as notas de corretagem, nesse caso.
Vale ressaltar: para apontar prejuízo, adicione um sinal negativo à frente do número. Já para indicar que não houve negociação em determinado mês, insira o número zero.
Por fim, para compensar o dedo-duro, vá até “IR fonte a compensar” e preencha os valores que foram retidos a cada mês. Esses dados podem ser encontrados nos relatórios fornecidos a você pela sua corretora.
Ficha Bens e Direitos
O quinto e último passo para declarar ações no Imposto de Renda 2026 é completar a ficha “Bens e Direitos”. Para isso, você deve acessar o grupo 03 (Participações Societárias) e usar o código 01 (Ações).
Em relação às informações necessárias, será solicitado que você insira o nome e o CNPJ da empresa emissora das ações, o ticker do ativo na Bolsa de Valores, a quantidade de papéis, o valor pago por eles e outras vendas ou compras parciais feitas ao longo do ano exercício.
No campo 31/12, preencha com o custo médio das ações multiplicado pela quantidade de papéis que você tinha nessa data. Esse processo precisará ser feito para cada ação que você tiver na carteira.
Quem investe em ações deve observar as regras específicas da Receita Federal para a entrega do Imposto de Renda em 2026. A obrigatoriedade não está vinculada apenas à obtenção de lucro, pois também pode decorrer do volume total negociado no ano-calendário.
A entrega da declaração passa a ser obrigatória quando ocorrer uma das seguintes situações:
Esses critérios permitem identificar quando há exigência fiscal relacionada à renda variável. Além disso, como o mercado acionário envolve diferentes ativos e regimes de tributação, compreender essas regras contribui para maior precisão no preenchimento das informações.
A renda variável, no entanto, é uma área ampla. Por isso, não deixe de conferir também os nossos conteúdos relacionados ao Imposto de Renda:
Ainda não está usando o C6 Bank? Baixe o app, abra sua conta digital, peça seu cartão sem anuidade (sujeito a análise) com a cor que quiser e aproveite um banco completo com tudo em um só app.
Os códigos, limites e valores mencionados neste texto seguem as regras vigentes para 2025, conforme divulgado pela Receita Federal.
Informações sobre os produtos e serviços do C6 Bank vigentes na data da postagem deste texto. As regras e condições de cada produto e/ou serviço podem ser posteriormente alteradas. Consulte os termos vigentes no momento da contratação pelo app.
Tags relacionadas