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Como dividir as contas do casal: dicas práticas e soluções modernas

Organização é fundamental para organizar as finanças e garantir harmonia ao relacionamento

Atualizado em

Pessoa fazendo cálculos de divisão de contas para dois

Julya Rios

Tempo de leitura · 7 min

Publicado em

31 de outubro de 2025

Falar sobre dinheiro ainda pode ser um problema para muitos casais e, em alguns casos, um verdadeiro tabu. Sempre há aquela dúvida de como começar, principalmente quando a relação fica mais séria e as pessoas passam a morar juntas. É inevitável surgir a pergunta: afinal, como dividir as contas de forma justa e sem conflitos? 

Encontrar equilíbrio financeiro exige diálogo, transparência e, cada vez mais, o apoio de ferramentas digitais que simplificam o dia a dia.  

Quer saber mais sobre como lidar com essa questão a dois? A seguir, conheça diferentes métodos de divisão de despesas, dicas para organizar o orçamento e soluções modernas para tornar essa tarefa mais descomplicada e funcional. 

Antes de começar, aproveite para ler também outros conteúdos que possam ser interessantes: 

A importância de conversar sobre dinheiro no relacionamento 

Em primeiro lugar, é importante abrir espaço para conversas sinceras sobre o tema. Falar sobre dinheiro é necessário. Apesar de muitos evitarem o assunto por medo de conflitos, o silêncio pode gerar mal-entendidos e até ressentimentos. 

A terapeuta de casais Megan McCoy, em entrevista à CNN, lembra que cada pessoa desenvolve uma relação diferente com o dinheiro desde cedo. Para alguns, ele representa estabilidade e segurança; para outros, é algo a ser usado para aproveitar a vida ou buscar prazer. Por isso, segundo ela, conversar abertamente sobre o tema é essencial para compreender a percepção do outro e alinhar expectativas sobre o futuro. Além disso, ela recomenda evitar julgamentos sobre o modo como cada um decide usar o próprio dinheiro. 

Uma pesquisa conduzida pela Bankrate, com mais de duas mil pessoas nos Estados Unidos, revelou que: 

|| Dois em cada cinco adultos em um relacionamento admitem esconder informações financeiras do parceiro.  Os segredos mais comuns envolvem:  
  • Gastar mais do que o outro “aceitaria” (30%); 
  • Ter um cartão de crédito não revelado (17%);   
  • Manter uma poupança separada (15%)

O estudo também mostra que a maioria dos entrevistados (62%) prefere manter parte do dinheiro separada, seja em contas totalmente individuais (27%) ou combinando contas conjuntas e pessoais (34%). 

Esses dados mostram como a falta de transparência pode afetar a confiança e reforçam a importância de manter o diálogo constante sobre o assunto. 

Conversar frequentemente é essencial para detectar alguns pontos fundamentais para começar o planejamento financeiro, como: 

  • Quanto cada um ganha e pode contribuir; 
  • Quais são as prioridades do casal, tanto de curto quanto de longo prazo; 
  • Quais despesas serão compartilhadas; 

Para simplificar a rotina, vale contar com ferramentas que ajudam a organizar as finanças em dupla, como planilhas, aplicativos de controle de gastos e contas digitais que permitem acompanhar movimentações em tempo real. 

Divisão igualitária: quando dividir tudo por dois faz sentido 

O modelo 50% para cada um costuma funcionar bem quando a renda do casal é parecida e as despesas estão equilibradas. É simples de administrar e reforça a ideia de parceria. 

Por outro lado, quando há grande diferença entre os rendimentos, esse modelo pode gerar sobrecarga para uma das partes. Nesses casos, vale repensar o método ou combiná-lo com uma conta compartilhada para facilitar o controle e a transparência. 

Exemplo prático: se ambos ganham valores semelhantes e decidem dividir todas as despesas fixas, como aluguel, e variáveis igualmente. Nesse cenário, basta definir uma conta para centralizar esses pagamentos e monitorar os gastos por um app financeiro. 

Divisão proporcional: como dividir os custos de acordo com a renda 

Quando os rendimentos do casal são diferentes, a divisão proporcional é o modelo mais justo. Nesse formato, cada pessoa contribui de acordo com o quanto ganha. 

Mas como dividir as contas do casal proporcionalmente, então? O cálculo é bem simples:  

  1. Some os rendimentos de ambos; 
  1. Calcule o percentual de participação de cada um; 
  1. Aplique o mesmo percentual sobre o total das despesas mensais 

Exemplo: 

  • Pessoa A: ganha R$ 7 mil; 
  • Pessoa B: ganha R$ 3 mil; 
  • Total dos recebimentos: R$ 10 mil. 

Na prática, a Pessoa A representa 70% da renda total e, por sua vez, a Pessoa B, 30%. Se as despesas mensais somam R$ 5 mil, a contribuição fica em R$ 3.500 e R$ 1.500, respectivamente. 

Esse método ajuda a equilibrar o esforço financeiro e evita sobrecarga. Ele também pode ser usado em objetivos conjuntos. Se o casal deseja investir R$ 20 mil em dois anos para a entrada de um imóvel, o ideal é aplicar o mesmo princípio da divisão proporcional das despesas. Vamos a um novo exemplo? 

O valor total, dividido por 24 meses, resulta em aproximadamente R$ 833 por mês a ser investido em conjunto. 

Seguindo a proporção de renda: 

  • Quem representa 70% da renda familiar contribui com cerca de R$ 583 por mês
  • Quem representa 30% da renda familiar contribui com cerca de R$ 250 por mês

Assim, o esforço financeiro é equilibrado e proporcional à capacidade de cada um. 

Divisão por categoria de gastos: alternativa prática para casais organizados 

Outro modelo é dividir as despesas por categoria. Cada pessoa assume determinados tipos de gastos — por exemplo, uma paga o aluguel e as contas domésticas, enquanto a outra se responsabiliza pelo supermercado e lazer. 

A principal vantagem é a autonomia. Cada um controla suas despesas e tem clareza sobre as responsabilidades. O desafio, porém, é manter equilíbrio e registrar tudo para evitar esquecimentos. 

Uma boa prática é usar ferramentas digitais para acompanhar o orçamento. Aplicativos bancários e planilhas compartilhadas ajudam a visualizar movimentações em tempo real e a registrar gastos em conjunto. 

Também dá para concentrar certas despesas no cartão de crédito, mas sempre com limites definidos e um acordo claro sobre o que será pago por quem. 

Como definir metas financeiras em casal 

Pensar no futuro é parte essencial da vida a dois. Criar metas financeiras conjuntas ajuda o casal a realizar sonhos e manter disciplina. 

Quando o casal define metas em conjunto e trabalha por elas, estrutura-se um propósito compartilhado, uma forma de alinhar objetivos e fortalecer o planejamento financeiro a dois. 

Durante essa conversa, vale definir: 

  • Prazos para cada meta; 
  • Quanto será guardado por mês; 
  • Quais investimentos utilizar. 

As metas podem variar: desde montar uma reserva de emergência até planejar uma viagem ou a compra de um imóvel. O importante é que ambos participem das decisões e contribuam de forma compatível com sua realidade financeira. 

Qual o método perfeito para dividir as contas a dois? 

Não existe um único método que funcione para todos. O ideal é testar até encontrar o modelo que melhor se adapta à realidade do casal. O que não pode faltar é organização, fator decisivo para o sucesso do planejamento financeiro. 

Boas práticas que ajudam a manter o controle: 

  • Manter conversas frequentes e sem julgamentos; 
  • Revisar despesas semanal ou mensalmente; 
  • Evitar compras impulsivas; 
  • Estabelecer limites para gastos individuais e conjuntos; 
  • Usar ferramentas digitais para acompanhar o orçamento. 

Segundo levantamento da Serasa Experian (2024), seis em cada dez casais brasileiros controlam as finanças mensalmente, embora apenas 45% saibam exatamente quanto o parceiro ganha. Esse dado reforça que a transparência ainda é um desafio, contudo, é perceptível que manter o diálogo é essencial para relação fluir sem complicações.  

Conta conjunta: vale a pena adotar no relacionamento? 

Vale a pena ter uma conta conjunta? Muita gente tem essa dúvida, o que é natural. Falar sobre o fim de um relacionamento pode ser desconfortável, afinal, a longevidade de uma relação costuma ser um dos principais objetivos quando se faz parte de um casal. Contudo, pensar e dialogar sobre esse cenário também entra no planejamento financeiro. 

Antes de abrir uma conta compartilhada, o casal deve conversar sobre responsabilidades e definir o que aconteceria em caso de separação. Também é importante manter contas individuais ativas, registrar acordos e ser transparente sobre as rendas e despesas próprias. 

Com o avanço do open finance, ficou ainda mais fácil acompanhar e comparar despesas entre contas diferentes, mantendo transparência mesmo sem unificar completamente as finanças. 

No fim das contas: transparência é o segredo 

Não existe uma fórmula única para dividir as contas do casal. O modelo ideal é aquele que combina justiça, transparência e conforto para ambos. O essencial é manter o diálogo aberto, definir objetivos e aproveitar as ferramentas certas para simplificar o processo. 

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Redatora

Julya Rios

Jornalista em formação pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, com experiência em redação e SEO voltados a temas de economia e mercado financeiro há dois anos.

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