Taxa de desemprego: o que é e qual o seu impacto na economia?

Entenda os impactos da taxa de desemprego na economia brasileira

Atualizado em

Imagem conceitual de mercado de trabalho com diversidade de profissionais.

Leonardo Uller

Tempo de leitura · 9 min

Publicado em

3 de junho de 2022

Em novembro de 2025, o Brasil registrou uma taxa de desemprego de 5,2%. Esse é o menor nível desde o início da Pesquisa Nacional por Análise de Domicílios Contínua (PNAD Contínua). Porém, para saber a relevância desse dado, é preciso, primeiro, entender mais a fundo o que é taxa de desemprego. 

Esse é um índice de desempenho da economia, que mostra quantas pessoas da força de trabalho não tem ocupação atualmente. Mas, é importante destacar que isso também se relaciona diretamente à situação econômica brasileira. Afinal, é bem próxima a relação entre o desemprego, a movimentação da economia, o PIB e a inflação.  

Neste texto, entenda o que é a taxa de desemprego, como ela é calculada e até os motivos que tornam tal índice tão importante para compreender o cenário econômico do país. 

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O que é taxa de desemprego?  

taxa de desemprego é a porcentagem de pessoas que fazem parte da força de trabalho e que estão na busca por uma função de forma ativa. 

Neste sentido, são consideradas como força de trabalho pessoas com mais de 14 anos e que estão empregadas ou à procura de uma ocupação. Portanto, um jovem que se dedica exclusivamente aos estudos não se enquadra nessa classificação, uma vez que ainda não está ativamente em busca de emprego.   

Esses dados são determinados através da PNAD Contínua, pesquisa do IBGE, que usa como base as flutuações da força de trabalho e outras informações necessárias para avaliar o desenvolvimento socioeconômico do Brasil. A pesquisa divulga dados mensais, trimestrais, anuais e variáveis e a fórmula padrão do indicador é: 

É possível aplicar isso a um exemplo prático e real: se o Brasil tem 108,5 milhões de pessoas na força de trabalho e 102,3 milhões estão empregadas, a taxa de desemprego atual é de aproximadamente 5,8%. 

Como é calculada a taxa de desemprego no Brasil? 

Para entender o que é taxa de desemprego, é importante conhecer as divisões da população usadas para o cálculo do índice. Em primeiro lugar, a classificação é feita conforme a idade para trabalhar, ou seja, “14 anos ou mais” e “14 anos ou menos”. Em seguida, separam-se os grupos de acordo com quem tem ou não uma ocupação e pela busca ativa por um emprego. 

Assim, os conceitos usados pelo IBGE são: 

  • Ocupados: pessoas que estão empregadas, com ou sem carteira assinada, incluindo profissionais autônomos e empregadores; 
  • Desocupados: quem está sem um emprego agora, e em busca de uma colocação; 
  • Fora da força de trabalho: aqueles com 14 anos ou mais (potencialmente aptos a trabalhar), mas que não estão empregados, nem em busca ativamente de uma função.  
    Exemplos: estudantes, aposentados ou quem faz atividades domésticas sem remuneração. 

Então, é assim que se pode definir a força de trabalho no Brasil: pessoas com 14 anos ou mais que estão empregadas ou desempregadas, mas ativamente }à procura de uma ocupação.  

Entenda o papel da PNAD Contínua  

Desde 2012, é feita em todo o país a PNAD Contínua, que, através de questionários e entrevistas, identifica e registra as flutuações do mercado e da força de trabalho. 

Segundo o IBGE, a pesquisa é feita com base em uma seleção aleatória, mas também representativa de. Nesse processo, as informações sobre o tema trabalho são captadas especificamente através dos questionários

Todo esse esforço contínuo de coleta e análise de dados resulta na produção de estatísticas mensais, trimestrais e anuais. E é assim que o IBGE acompanha a evolução, a médio e longo prazos, da taxa de desemprego e de outros indicadores de desenvolvimento socioeconômico. 

Panorama atual do desemprego no Brasil 

Em setembro de 2025, segundo a PNAD Contínua, o índice de desemprego no Brasil chegou a 5,6%. Esse número mostra uma queda de 0,8 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano anterior, 2024. Mas, mais importante do que isso, é o fato de que esse é o menor nível de desocupação registrado desde o início da pesquisa em 2012. 

Além disso, no contexto geral da população brasileira, a pesquisa indica que existem no segundo trimestre deste ano, cerca de: 

  • 102,4 milhões de ocupados; 
  • 6 milhões de desocupados ou desempregados; 
  • 65,9 milhões de pessoas fora da força de trabalho, dos quais 2,8 milhões de desalentados; 
  • 38,5 milhões indivíduos com menos de 14 anos, ou seja, abaixo da idade de trabalhar.  

Taxas recentes e comparações históricas 

Se hoje chegamos a essa baixa taxa de desemprego no Brasil, é por conta de uma queda gradativa que mostrou sinais no segundo semestre de 2021. Esse movimento redutivo teve início após o índice atingir picos históricos, como o de 14,9%, em 2020, durante a pandemia.  

Já em 2025, o índice começou em alta nos primeiros meses e chegou a 7%, e depois reduziu para 6,6%, 6,2%, 5,8% e, enfim, os 5,6% atuais. Essa tendência é identificada no gráfico abaixo, que compara a taxa de desocupação registrada nesse mesmo período nos anos anteriores:

Fonte: PNAD Contínua - Séries históricas

Segundo a equipe econômica do C6 Bank, isso revela um mercado de trabalho mais eficiente, em que empresas e trabalhadores se encontram com mais facilidade.   

|| Mostra que o Brasil pode conviver com um desemprego menor sem pressões inflacionárias tão fortes, especialmente nos serviços.   

Setores mais afetados e recuperação pós-pandemia 

A relação entre desemprego e economia é direta. Um bom exemplo disso é essa gradativa diminuição da taxa de desempregados que mencionamos e como ela está alinhada à recuperação da economia no momento pós-pandêmico.  

Ao retomar um pouco da história: na crise de 2020, o setor de serviços, principalmente de alojamento e alimentação, foi um dos mais impactados pelas regras de distanciamento social. Na época, o número de desocupados subiu e o rendimento médio caiu, especialmente em 2021, o que levou à diminuição do consumo. 

Desde então, os setores voltaram a crescer e impulsionaram a geração de empregos, o que resultou na taxa de desemprego atual. Conforme análise macroeconômica recente do C6 Bank, o mercado de trabalho permanece aquecido diante de um cenário de alta inflação e com a taxa Selic em 15%. Entre os principais segmentos que contribuem para isso estão os de serviços, comércio, construção civil e agropecuária. 

Como a taxa de desemprego impacta a economia?  

É importante retomar que a taxa de desemprego pode ser considerada um termômetro da economia brasileira. Ela mostra o desempenho do mercado de trabalho e é relevante para políticas públicas, como programas de transferência de renda e ações com foco na redução da pobreza. 

Em geral, caso esteja elevada, isso pode ser sinal de: 

  • Dificuldades no mercado de trabalho;  
  • Menor geração de renda; 
  • Queda do consumo.  

Já em cenários de baixa desocupação, como o atual, é o contrário:  

  • Mais pessoas estão empregadas;  
  • Mais dinheiro em circulação; 
  • Aumento do consumo. 

Aliás, existem outras variáveis que, ao lado desse índice, ajudam na compreensão do cenário socioeconômico como um todo. Entre elas, destacam-se o nível de informalidade, a renda média da população e a taxa de participação na força de trabalho. 

No entanto, existem sempre pessoas que não são contempladas pelas estatísticas oficiais, como, por exemplo, as que estão em situação de rua. 

Relação entre desemprego, PIB e inflação  

A taxa de desemprego, o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) e os níveis de inflação estão diretamente associados, conforme mostra o infográfico abaixo:

Para melhor explicar, é possível pensar nisso como um ciclo econômico

  • Se há mais pessoas empregadas e que recebem, maior também é o dinheiro disponível para compras. Consequentemente, isso estimula o consumo e a demanda por produtos e serviços, gera uma economia mais ativa e impulsiona o crescimento do PIB
  • Por outro lado, o crescimento exacerbado do consumo também acaba por pressionar os preços e gera inflação, especialmente quando a capacidade produtiva não acompanha a demanda.  

Efeitos sobre o crédito e o poder de compra  

O índice de desocupação altera ainda o poder de compra e o acesso ao crédito. Por exemplo, uma alta taxa de desemprego impacta o setor financeiro e o comércio, já que costuma resultar na queda de financiamentos ou empréstimos. 

O órgão que atua nesse cenário para reaquecer a economia é o Banco Central, que pode intervir com políticas monetárias como redução da taxa Selic e incentivo de crédito. Na situação contrária, quando há muito consumo e preços elevados, o BC pode aumentar a taxa de juros para resgatar a estabilidade econômica

Por isso, fica evidente que, além dos efeitos na economia, o desemprego também afeta diretamente a vida financeira das pessoas. 

Como o desemprego influencia a vida financeira das pessoas? 

Pode não ser evidente, mas o desemprego afeta o dia a dia da população como um todo, além de demandar reajustes no orçamento familiar. Com menos pessoas empregadas, há queda na renda e redução do consumo. Aliás, até se torna difícil acessar crédito, já que o risco da operação cresce quando não há boas perspectivas de retorno do dinheiro emprestado ou financiado.  

Assim, quando a taxa de desemprego elevada, as pessoas tendem a adotar um comportamento financeiro diferente e mais conservador, como: 

  • Priorizar gastos essenciais e cortar despesas; 
  • Optar por investimentos de baixo risco, como os de renda fixa

Em períodos de instabilidade, ter um banco completo e uma boa estratégia de finanças pessoais faz a diferença. No C6 Bank, encontre soluções para se organizar e investir com segurança. Nesse caso, uma das possibilidades é a renegociação de dívidas, através da qual é possível reconquistar a tranquilidade financeira e assegurar-se enquanto não surge outra ocupação.  

Por que acompanhar esse indicador? 

Em resumo, a taxa de desemprego é um elemento-chave para entender o cenário econômico. Ela influencia o consumo, os preços, os juros e as decisões de política monetária. Além disso, afeta diretamente o planejamento financeiro das famílias.  

Acompanhar esse dado ajuda a interpretar outros índices, como o PIB, a inflação e a Selic, e a tomar decisões informadas, seja para investir, consumir ou se preparar para mudanças no mercado de trabalho. 

Quer continuar a aprender sobre economia e finanças? Leia também nossos conteúdos sobre PIB e inflação

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Editor

Leonardo Uller

Jornalista e pós-graduado em Gestão, Empreendedorismo e Marketing, com experiência em produção de conteúdo para o mercado financeiro há mais de dez anos.

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